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Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001)

12 mar

Nicole Kidman brilha em "Moulin Rouge"

Musical divertido e contagiante. Nicole Kidman se destaca em meio a cenários brilhantes.

Moulin Rouge – Amor em Vermelho marcou a volta dos grandes musicais no século XXI. Depois de nos deliciarmos com musicais maravilhosos como os clássicos do século passado, entre eles Cantando na Chuva, O Mágico de Oz, A Bela e a Fera e A Noviça Rebelde, o primeiro grande sucesso do gênero vem com tudo, incluindo cenários magníficos e luxuosos, interpretações fantásticas e um roteiro muito bem elaborado. ‘Moulin Rouge’ tem um ótimo tema, cujo cenário principal é a sempre bela e romântica Paris e uma das casas de shows noturnas mais famosas do mundo. É lá que a sua estrela principal apresenta seu corpo escultural e bela voz, enfeitiçando todos os homens que passam por lá. Seu nome é Satine, a bela e deslumbrante Satine. Seu caminho é cruzado por um pobre escritor, Christian que está escrevendo uma peça curiosa, que será financiada por um duque poderoso, que exige exclusividamente sobre a dançarina Satine. O jovem escritor logo se apaixona pela mulher e ela por ele, e os dois começam um romance escondido das garras do duque, que até o último momento é enganado pelo eterno amor dos dois.

Satine e Christian, Nicole Kidman e Ewan McGregor, respectivamente possuem uma entrosação rara entre ator-atriz, ainda que ele não esteja bem (aliás, ele está péssimo, como sempre), ela está soberba. Os dois têm uma conexão maravilhosa que faz com que a cena seja mais aproveitada do que somente pelas suas interpretações. Mas é claro que entre os dois destaca-se Kidman, melhor até que sua Virginia Woolf em As Horas, e nessas horas, nós nos perguntamos, será que a atriz não deveria ter dois Oscar enfeitando a prateleira de sua casa? Sua atuação em ‘Moulin Rouge’ era sim, digna de um Oscar, porém acabou perdendo para a sofredora Halle Berry de A Última Ceia. Seus cabelos ruivos, seu humor inesgotável e carisma apaixonante. Tudo se revela uma jóia para os espectadores que se divertem com os ótimos números musicais, a maioria estrelados por ela.

Se formos comparar os números musicias de ‘Moulin Rouge’ com Chicago, o musical seguinte, poderemos observar que este último leva vantagem pela criatividade e não pelo uso excessivo de cenários que chamam mais a atenção que a própria letra da música. Na verdade, o que mais falta em ‘Moulin Rouge’ são músicas feitas para o próprio filme. “Complainte De La Butte” pode ser uma das músicas mais divertidas feitas para o cinema dos últimos anos, mas ela é única. Outros grandes sucessos como “The Sound of Music” de ‘A Noviça Rebelde’ entre outros foram usados no longa, sendo adaptadas para a respectiva cena.

Os figurinos e cenários são perfeitos. Os detalhes são o que mais impressionam no filme, desde os trajes super exagerados, mas nem por isso não são belos até os cenários mais do que caprixados são a marca registrada do filme, que se não fosse por eles, ‘Moulin Rouge’ não seria o mesmo.

O final é marcante também. O desfecho que a história desenvolve é de arrepiar. O show seguido de tentativa de homicídio, a reconciliação e a morte. Perfeito para um musical do gênero melodramático, a,ém de ser muito conveniente. ‘Moulin Rouge’ é um ótimo filme, muito bem feito e que tem, como destaque, a atuação de Nicole Kidman. Foi marcado pela volta do gênero bem produzido aos cinemas e vale a pena ser conferido por quem aprecia um cinema cheio de misturas e contrastes, ainda que o roteiro não seja lá essas coisas, nem a direção.

Intriga Internacional (1959)

12 mar

Intriga Internacional é um ótimo filme de Alfred Hitchcock.

Bom suspense, ótimos diálogos e uma cena que entrou para a história. O professor Hitchcock ensina como misturar tensão, comédia e ação em um mesmo filme, e como garantir o seu sucesso.

Este com certeza não é o melhor trabalho do diretor inglês Alfred Hitchcock. O mesmo homem, que dirigiu clássicos como Os Pássaros, Um Corpo que Cai e Psicose não repete o brilhantismo usual, mas isso não impede que o filme se torne um sucesso irremediável e por que não, um clássico do cinema. Intriga Internacional é um misto de gêneros: sspense, aventura, comédia, o filme tdo possui inúmeras passagens desses diversos gêneros, todas muito bem pensadas pelo competente roteirista Ernest Lehman. Ele conseguiu criar excelentes falas, cenas criativas (embora nem todas sejam tão convincentes) e momentos de puro prazer e desfrute do espectador. Algumas cenas como a do trem, a cena da facada, os momentos finais, todas elas são muito bem elaboradas, além da ótima idéia de se filmar no Monte Rushmore foi excelente, muito embora não fora autorizada as filmagens no local, nem a veiculação das imagens do monumento, um dos mais famosos e mais visitados dos Estados Unidos, portanto uma parte do Monte foi construído em estúdios.

Intriga Internacional conta com um elenco muito renomado. O galã e hilário Cary Grant, a bela Eva Marie Saint e o vilão da voz suave, o insosso James Mason. Entre eles somente Grant se destaca (ele é também o dono das melhores falas). Suas expressões e modos de linguagem são muito interessantes, sempre com um tom sutil e cômico de se expressar. Marie Saint já havia tido a oportunidade de demonstrar seu talento, em Sindicato dos Ladrões, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e atuou ao lado do lendário Marlon Brando, portanto seria uma imensa injustiça desmerecer seu incrível talento por um filme que não lhe rendeu boas críticas. Mason também não foi capaz de demonstrar seus verdadeiros dotes de ator, talvez ele nem os tenha, mas nesse filme ele manteve as mesmas expressões faciais, expressões pasmadas de um ator ainda “inexperiente”.

Deixei para falar por último da cena mais famosa do filme, a cena em que Grant é perseguido pelo avião. Essa cena é curiosa e ao mesmo tempo muito intrigante, além de ser uma das mais famosas do cinema. Durante toda a cena, é possível notar a ingenuidade do personagem de Grant e a total capacidade do diretor Hitchcock de conduzir uma cena de completo suspense e apreensão, nem nenhum diálogo e nenhuma música de fundo. Acredito que somente gênios do gabarito de Hitchcock sejam capazes de tal feito. A cena conta com uma maravilhosa montagem, que sem ela, talvez a passagem nem fosse tão lembrada e reverenciada como é hoje, demonstrando mais aind ao talento de Hitchcock.

A espionagem também é um forte tema de Intriga Internacional. Durante toda a projeção, o personagem de Grant é perseguido e ele, inultimente, tenta provar sua inocência no roubo de um determinado carro, assassinato e inúmeros outros problemas que o personagem terá que enfrentar. Problemas que foram injetados no seu dia-a-dia comum, como se fossem puras coinscidências, mas que no fundo, talvez não sejam.

Alfred Hitchcock prova novamente sua interminável capacidade de entreter o espectador com suspenses afiadíssimos, embora esse não esteja à altura de seus eternos clássicos, mas nem por isso Intriga Internacional não pode ser considerado um bom filme, muito pelo contrário. Além de misturar vários gêneros, diverte e prende a nossa atenção e mexe com nossos nervos. Apesar de alguns problemas, é considerado um clássico e não pode deixar de ser conferido de maneira alguma, aind amais de tratando de uma obra incomparável, do incomparável diretor e mestre Hitchcock.

Invictus (2009)

27 fev

Freeman e Damon em cena de 'Invictus'

O resquício de uma mancha na história da humanidade contada com sensibilidade e segurança por um dos diretores mais conceituados do cinema moderno. Invictus é uma obra menor de Clint Eastwood, mas que mesmo assim tem como principal aspecto o trabalho de direção daquele que sabe relatar, como ninguém, um conto sobre o perdão, a generosidade e o ser humano.

Ao contrário do que muitos possam pensar, “Invictus” não fala nem sobre o apartheid, nem sobre Nelson Mandela. Não é um filme que trata esse episódio “negro” (e irônico) com olhares trágicos do sofrimento e barbárie, mas sim uma obra que tem como único foco a África do Sul pós-segregação racial. O espectador entra exatamente no instante em que Mandela, o popular Madiba, é recém-libertado da prisão, na qual ficou enclausurado durante vinte e sete anos, para depois ser eleito o primeiro presidente negro da história da África do Sul. A partir desse ponto, Clint Eastwood não se preocupa em mostrar apenas os resquícios do apartheid nos sul-africanos, mas sim o que Mandela foi capaz de fazer para tornar aquele país que foi dividido por raças durante tantos anos, uma nação de pessoas unificada. Para mudar o pensamento de uma população que foi contaminada com o racismo e ignorância desde 1948, essa não era lá uma tarefa que possa ser considerada fácil para um presidente recém-eleito. Como líder, Mandela era uma figura emblemática, respeitada tanto por aqueles que sofreram nas mãos dos segregados quanto por aqueles que aceitaram a mudança. Mandela ficou no poder durante cinco anos, e em pouco tempo conseguiu realizar um feito que era considerado por muitos impossível de acontecer. O ex-líder rebelde, que esteve na prisão por quase trinta anos, aprendeu a perdoar aqueles que o colocaram lá, e como lição de vida, decidiu que muito se poderia fazer para mudar o que restou daquela realidade infame da qual foi vítima. Afinal, mudar o pensamento de um povo não é uma tarefa fácil desde os tempos do Império Romano do Ocidente, mas que fez Mandela para conseguir essa façanha? Nada além de pegar o rugby, que como esporte para os sul-africanos (até então somente para os brancos) é como o futebol para os brasileiros, como arma para transformar a sociedade.

E é aí que começa a principal trama da história. Mandela, preocupado com o povo que ainda encontrava diferenças entre as raças, decidiu pegar o time de rugby nacional, desacreditado depois de tantas derrotas humilhantes, para reunifir a nação. Após chamar o capitão do time para um chá, Mandela procura instruir-lhe a como enchergar esperança no fim do túnel, como o próprio fizera durante os anos em que esteve encarcerado. Acontece que existe um outro problema que envolve o time nacional de rugby, fora o fato de estar totalmente fora de entrosamento e capacidade para sair vitorioso de um jogo sequer. É um time composto basicamente por brancos, o qual muitos negros ainda encontram vestígios do apartheid. O único jogador negro da equipe, Chelsea, é visto como um ídolo para a garotada pobre dos subúrbios das principais cidades da África do Sul. Mandela usa desse e outros artifícios para trazer mais e mais torcedores, mostrar-lhes a esperança e passar a mensagem que a perseverança de ser bem sucedido é conquistada depois de muito esforço e garra. E ele consegue.

Eastwood passa todos esses pensamentos e ações de forma muito sutil e reflexiva para o espectador. Como excelente diretor que é, Clint sabe como fazer da câmera um instrumento capaz de transformar pontos de vista. E em todas as cenas, até aquelas que contam com situações embaraçosas (como o rasante do avião no campo de rugby e outros detalhes que envolvem a final do Copa do Mundo), Eastwood mostra que sabe fazer cinema e “Invictus”, ainda que um trabalho menor perto dos outros, é mais um para ser acrescentado à lista de bons filmes do diretor.

No que diz respeito às interpretações, o destaque, evidentemente, fica por conta de Morgan Freeman. Se o ator, com uma maquiagem muito breve, já ficara fenotipicamente parecido com Nelson Mandela, seu jeito, olhar e gestos o tornam ainda mais idêntico ao líder sul-africano. Tudo isso faz da atuação de Freeman um show a parte, com grandes momentos e outros que dão a entender que o ator leva o personagem no botão automático. Nada que estrague o excelente trabalho que o ator faz, condecorando-o à indicação ao Oscar de Melhor Ator. Outro membro do elenco que também vai marcar presença na cerimônia de entrega dos Oscars é Matt Damon, só que este nós não sabemos o porquê de estar lá. Eu, na verdade, não faço a menor ideia. Se for somente pelo sotaque forçado que o ator entrega ao seu personagem de capitão da seleção nacional de rugby, devo confessar que muitos seriam capazes de fazer melhor. Damon não entrega nem sequer uma boa atuação. Seu personagem, que tem determinada importância, não é bem desenvolvido no roteiro e só é mostrado dentro do limiar do rugby.

Falando em roteiro, esse é o único problema do filme, o que faz dele, infelizmente, uma obra que poderia ser melhor apreciada e aproveitada. Escrito por Anthony Peckham, que também está em cartaz pelo texto de Sherlock Holmes, o script de ‘Invictus’ é baseado no livro de John Carlin, que também tem bases em acontecimentos verídicos. Assim, Peckham perde uma excelente oportunidade de conduzir o roteiro com fluidez e acertos, já que o filme se perde um pouco nesse aspecto após o início da Copa Mundial. O final, ainda que contenha cenas bastantes duvidosas, consegue manter o espectador vivo, como se o próprio estivesse nas arquibancadas do estádio de rugby, torcendo para a seleção sul-africana derrotar os monstros neo-zelandeses. E aqui Clint é mais uma vez brilhante, pois faz exatamente aquilo que muitos diretores ainda se mostram incapazes de fazer: deixar o espectador tão próximo dos personagens que tocá-los de alguma maneira se torna possível.

“Invictus” também é o nome de um poema. No filme, ele é o poema que Mandela escreve para François, o capitão do time de rugby, e que termina o filme no monólogo de Freeman. É este, em sua última estrofe:

“It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.”

Enfim, Invictus é um filme que fala sobre diversos temas. O esporte, o perdão e a esperança são todos tratados com fidelidade e compaixão por Clint Eastwood, que dirige com competência mais uma vez, transformando o resquício de uma mancha na história da humanidade em uma lição de vida sincera e coerente. É um trabalho que poderia ser melhor não fosse o roteiro equivocado, mas que ainda assim entra como um bom programa, contando com a excelente interpretação de Morgan Freeman. Recomendado.

Educação (2009)

25 fev

Cena de 'Educação', indicado a 3 Oscars

Derrapando na velha lição de moral para adolescentes, Educação perde a chance de terminar sendo visto como um grande filme. Entretanto, Lone Scherfig dirige bem o suficiente para dar conta do recado e seu mais novo filme é interessante, bem interpretado e delicioso de ser assistido.

Jenny é uma garota inglesa de 16 anos, que mora no subúrbi londrino no início da década de 60. Sua vida se resume à rotina de sempre: estudos, estudos, estudos. Ela tem como principal meta atingir as notas necessárias para ir a Oxford, a renomada universidade britânica. Sempre a melhor da turma, ela só tem dificuldades em uma única matéria: latim. Jenny, apesar de ser uma filha de família exemplar, não deseja esse futuro acadêmico. Ela procura outro tipo de vida, e é quando conhece o sedutor David que ela passa a encarar a sua jornada com outros olhos. David leva-a para conhecer lugares, participar de leilões de arte, assistir à óperas. Ao conhecer esse outro lado do mundo, um que ela jamais havia conhecido, ela fica estagnada no dilema entre a educação que seus pais desejam, tal como a sociedade, e a diversão nessa vida alternativa.

Lone Scherfig, cultuada diretora inglesa de filmes como Meu Irmão Quer se Matar, volta para trás das câmeras depois de bom período de afastamento. Com “An Education”, filme pelo qual ela recebeu o maior número de elogios, Scherfig compreende um bom trabalho na direção com estética excelente e atuações marcantes. A receita perfeita para fazer de um filme, um prato cheio de sutilezas e levezas, que tornam o assistir muito mais prazeroso. Aqui, Scherfig imprime uma característica que não é propriamente sua, mas de boa parte das mulheres em geral.

Podem dizer o que quiserem à respeito de ‘Educação’, mas não há como negar que o foco que o roteiro (e a direção) dispõem caem incursivamente sobre o feminismo na década de 60. Aqui, percebemos como a presença de Scherfig simultaneamente com a de Nick Hornby contribuem para que o resultado final saísse conforme nós vimos. Ambos colocam à prova suas principais características, mas que juntos, acabam se tornando uma só, vítima da generalização. “An Education” é um filme que mostra não só a libertação feminina em meados do século XX como também faz questão de enfatizar o papel no qual as mulheres desempenhavam na sociedade, onde eram educadas para serem exatamente aquilo que Jenny se tornara.

Podemos notar a influência que ambos os profissionais influenciam sobre o roteiro. Hornsby, autor de Alta Fidelidade, tem papel fundamental na condução da história. Como roteirista, ele prepara com exatidão aquilo que o espectador anseia ver, mas que, ao final, tudo parece ensaio para a mensagem batida de outrora. Enquanto o script não falha ao mostrar o modo como Jenny se rende ao charme de David, o modo como a menina de 16 anos se sente entusiasmada em se sentir livre da pressão acadêmica que seus pais e a escola exercem sobre ela, para viajar e se divertir ao lado dos amigos, cai de rendimento no final, ao mostrar exatamente aquilo que o espectador não precisava ver. Toda a discussão que o texto inicia, sobre a liberação feminina, a incerteza sobre o futuro na Universidade e a falta de perspectivas em uma vida, como a própria Jenny diz, ser morta, parece ter sido somente um pretexto para chegar até o final, onde a mensagem de que, não importam as ilusões que tivermos no caminho, os tentadores convites para sairmos da linha escolar, nada pode fazer-nos mudar o curso medíocre de nossas vidas. Enquanto o longa não chegava ao seu término, pensava que se tratava de um roteiro que não pregava o conservadorismo que até hoje reina sociedade ocidental, mas sim a libertação e o sentido de livre arbítrio e perspectiva que qualquer jovem pode encontrar além daquilo que somente a escola oferece. Estava enganado, entretanto. O final só deixa ainda mais claro que, se sairmos do trilho por onde todos caminham, só temos a perder. Nada a ganhar. Não seria certo procurar um outro objetivo de vida em outro ramo que não seja aquele que tentamos desesperadamente fugir. Enfim, o roteiro nos prega essa peça, e de forma bem convincente, pelo menos até o final.

Só que nada teria valido a pena não fosse os encantos que ‘Educação’ proporciona durante a sua duração. E devemos tudo ao talento e graça da excepcional Carey Mulligan. A atriz, que parece ter sido recém-descoberta, possui traços charmosos e cativantes da eterna Audrey Hepburn, e certamente muitos já ouviram essa comparação. Mulligan entrega uma interpretação fabulosa, demonstrando força e precisão em um papel tão jovem e inseguro. Não à toa, a atriz recebeu a indicação ao Oscar e recentemente faturou o BAFTA na categoria. Alfred Molina, que interpreta o pai de Jenny, Jack, é outro que não deixa a desejar. Ele interpreta com muita competência um pai que só deseja do bom e do melhor para a única filha. Peter Sarsgaard, o intérprete de David, compõe um personagem tão charmoso e sedutor como o que estava no papel, atraindo assim muitos elogios. E não fica só nele. O elenco como um todo se sai extremamente bem, sem nenhuma atuação incompleta ou equivocada.

Educação, que recebeu três indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, é um daqueles típicos filmes que você tem prazer de assistir. Bem interpretado, com uma arte muito bela e direção segura. Peca unicamente quando o roteiro perde o fôlego, cai no lugar-comum e não termina como deveria. Essa falta de ousadia, no entanto, foi crucial para impedir que o filme se tornasse melhor do que é.

Um Homem Sério (2009)

23 fev

Cena de 'Um Homem Sério'

Os Coen apresentam ao público mais um personagem marcante. Em “A Serious Man”, o espectador vê Larry Gopnik tentar se tornar um homem sério.

Não há titulo melhor que traduza o novo filme dos Coen que não seja Um Homem Sério. Trata-se de mais uma comédia de humor negro que os irmãos-diretores , os mais conhecidos do cinema recente, lançam nas telonas de todo o mundo. Com a sutileza usual de misturar humor com drama, os Coen comandam e roteirizam a história de Larry Gopnik, judeu, que é um homem como outro qualquer, mas que no fundo tenta a encarar a vida com outros olhos, o que ele intitula “se tornar um homem sério”. Ele, aparentemente, é um homem sério. Ou pelo menos leva a sua vida com seriedade. Professor de Física, ele tem como ofício preencher a lousa das salas de aula que leciona com inúmeros raciocínios e fórmulas dessa ciência exata. Ele tem um aluno, sul coreano, que após ser reprovado, tenta conseguir uma segunda chance de obtever a nota que precisa, alegando que não foi justo o resultado tirado no teste intermediário, que é como chamam uma das provas mais importantes da vida de um estudante. Entretanto, a impertinência do aluno, que pode ser analisada mais de perto ao conferir o filme, é o menor de seus problemas. Se é que podemos chamar esse pequeno atrito de problema. Larry enfrenta outras situações que podem colocar em risco não só a sua carreira profissional como também a sua relação com a família. Além de receber cartas que comprometem a sua capacidade como professor, Gopnik está em uma difícil situação financeira, cujos gastos descontrolados só tendem a piorar com a família que tem. Apesar de ser casado e ter dois filhos, Larry está prester a assinar o divórcio, ou “guett”, como é conhecido o ritual que desvencilha o casal para que eles possam se reunir com outras pessoas na fé. No caso, sua esposa Judith está tendo um affair com Sy Ableman, um colega de Larry. Além disso, seu filho mais novo Danny está prestes a celebrar o bar mitzvah, uma cerimônia judia onde ele será integrado como membro maduro da comunidade judia. Danny, no entanto, sofre de problemas comportamentais e fuma maconha. Sarah, a filha mais velha, rouba dinheiro da carteira do pai para fazer uma cirurgia plástica no nariz. E como se tudo isso não bastasse, o irmão de Larry, Arthur, está hospedado em sua casa enquanto não encontra um lugar para morar. O problema, na verdade, não reside ai. Arthur sofre de cisto sebáceo, um caroço pequeno e móvel que se forma debaixo da pele. Assim, a única maneira de tratá-lo é drenando-o todos os dias, o que o mantém horas dentro do banheiro, para o desespero de Sarah, que precisa urgentemente lavar o cabelo.

Com todos esses problemas envolvendo Larry e os dois principais polos de sua vida, os Coen nos faz pensar: como é possível alguém encarar a vida com seriedade em frente a tantos obstáculos da felicidade? Como nós, meros espectadores, agiríamos em frente a uma situação tão adversa e desesperadora como essa que Larry vive? Para isso, voltemos ao início do filme, quando o roteiro nos leva até um vilarejo russo décadas antes da história do homem sério ser narrada.

A princípio, a trama do casal russo que vive em uma cabana no meio da neve siberiana parece não ter ligação alguma com o que o filme pretende abordar. Não se trata apenas de mais uma citação clássica que os Coen despejam no espectador, sem nem ao menos dar-lhe explicações, ainda que estas mal sejam exigidas. Essa breve passagem, extremamente curiosa, trata exatamente da situação na qual Larry se encontra. Mas não pense que é preciso ter contas para pagar, família para sustentar e emprego para manter que é o que vai fazer da vida de um indivíduo um completo caos. No início do longa, a mulher e o homem que encaram o temor de frente não vivem a desordem que é a vida de Larry. A história deles conta como o marido chega em casa contando que recebeu o auxílio de um homem na rua, enquanto voltava para casa. Quando diz o nome de quem ajudara-o, sua esposa diz que não poderia ter sido, pois aquele homem já estava morto havia anos. Em face ao absurdo que ocorreu fora de sua casa, o marido comunica à mulher que convidou o homem para jantar, a fim de agradecer-lhe pela ajuda oferecida. Quando o velho, que todos julgavam estar morto até aquele momento, bate na porta da cabana, mostrando-se agradecido pelo convite, recebe como cartão de boas vindas a fala da mulher, que confessa vê-lo como um espírito macabro que veio para atormentar a família de camponeses. Decidida a expulsa-lo de sua casa, a mulher ataca o homem, metendo-lhe uma faca na barriga. Ele, então, vai embora andando, ainda que com dificuldades diante do ferido recém provocado.

“Abençoado seja o Senhor. Bom alívio para o mal”

São as palavras pronunciadas pela mulher, que fecha a porta após esfaquear aquele que julgava ser espírito do Inferno.

Depois desse breve momento, uma citação ao Livro do Jó, conhecemos o que os Coen tem a nos oferecer sobre Larry Gopnik e aquilo que está ao seu redor. O professor de física então, passa a tentar melhorar sua vida. Depois de diversas consultas o advogado e pesadelos, ele decide pedir ajuda aos Rabbis, membros da comunidade judaica que podem aconselhá-lo a tomar decisões importantes e aceitar a vida como lhe foi designada. Durante boa parte dessas cenas, os irmãos Coen nos privilegiam com a mais requintada e clássica abordagem do humor negro misturado à carga dramática que seus personagens adquirem. O resultado é bem acima do esperado e o trabalho de direção de Ethan e Joel Coen mais uma vez convence pela maestria com que dirigem seus personagens.

E por falar neles, Larry Gopnik é talvez a figura mais marcante do cinema dos Coen depois de Lebowsky e Anton Chigurh. Interpretado com segurança e perfeição por Michael Stulhbarg, Larry é um homem angustiado, tenso e extremamente divertido. Sendo Stulhbarg o único do elenco que é realmente conhecido pelo grande público internacioal, ele é o que tem maior destaque na produção. Entretanto, os coadjuvantes não ficam muito atrás no que diz respeito às suas interpretações. Richard Kind, destaque entre os homens, combina perfeitamente com o perfil de Arthur Gopnik e tem a proeza de divertir o espectador sempre que fica horas trancado na banheiro, enquanto Sarah, interpretada por Jessica McManus, esperneia do lado de fora. E por falar nela, sua participação é pequena, porém muito boa. O mesmo pode-se dizer de Sari Lennick, intérprete de Judith e Fred Melamed, que faz Sy Ableman.

Como roteiristas, os Coen imprimem a sua característica ao compôr cenas da mais inspirada comédia dramática regada ao humor negro. Muitas cenas são absolutamente divertidas e curiosas, como a do bar mitzvah e alguns dos pesadelos de Lerry, além de outras passagens que encontram a graça no modo de se expressar dos personagens.

No Oscar, Um Homem Sério concorre nas categorias de Melhor Filme e Roteiro Original, mas os Coen devem se contentar apenas com a vaga, já que não tem chances. Em suma, o novo filme dos diretores é tudo aquilo que podemos esperar dos irmãos Coen: humor de qualidade, personagens bem desenvolvimentos e situações marcantes. É um dos melhores filmes assinados pela dupla dos últimos anos, que contém aquilo que eles sabem fazer de melhor: divertir e instruir.

Um Olhar do Paraíso (2009)

22 fev

Saoirse Ronan em 'Um Olhar do Paraíso'

O consagrado diretor Peter Jackson volta aos cinemas com um filme muito diferente daqueles que estávamos acostumados a vê-lo dirigir. Um Olhar do Paraíso, mesmo com todos os seus defeitos, consegue sobreviver em cima de sua principal mensagem: é preciso sempre seguir em frente.

Já ouvi alguns comentários dizendo que “The Lovely Bones” é 8 ou 80. Eu diria que o filme é 8 ou 800, dependendo da pessoa. O novo trabalho de Peter Jackson, baseado no romance de Alice Sebold, trata de assuntos que deixam lacunas, passagens sem justificativas e perguntas não respondidas. ‘Um Olhar do Paraíso’ trata sobre o abstratismo, para não citar o tão falado espiritismo. Entretanto, no caso deste filme, falar de um é falar do outro.

O filme conta a história de uma garota de 14 anos, cujo último nome é Salmon, como o peixe. O primeiro nome, Susie. Em primeira pessoa, ela narra como foi morta por um vizinho, em 06 de Dezembro de 1973. Mas não pense que, enquanto assiste ao filme, você verá cenas de assassinato brutal, tal como está no best seller de Sebold. Susie Salmon foi esquartejada e estuprada por George Harvey, que tratou de não deixar um único indício do crime hediondo que cometera. Mas o filme não perde muito tempo falando da vida de Susie, até porque não é o que mais interessa ao espectador. Tudo o que devemos saber é que Susie é uma menina meiga, apaixonada por um menino mais velho e muito chegada à família, além de ter como hobby, tirar fotos. Quando é morta, a sua família entra em crise. O casamento dos pais desanda, chegando ao ponto da mãe ter que se afastar um pouco da vida que leva e ficar uns tempos longe. O que mais chama a atenção, no entanto, é que Susie não desaparece da história. Continuamos a acompanhar a sua estada em uma espécie de limbo, que pode ser considerado o Paraíso. Ela passa a observar a vida daqueles que deixou para trás e o espectador pode conferir o que se passa dos dois lados.

Entra, a partir do assassinato de Susie, a discussão essencial do longa e que desencadeou em inúmeras críticas ao filme. O roteiro escrito pelas mãos de Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens discute a relação que os vivos tem com os mortos. Ou melhor, as influências que os mortos têm sobre os vivos. Mais especificamente falando, o roteiro discute o espiritismo. E não é necessário ser espírita para compreender o que se passa durante o filme, cujas explicações se resumem unicamente ao aspecto de relação entre “os dois lados da vida”. Talvez seja esse o principal problema do roteiro, mas talvez não seja. É muito cômodo explicar tudo a partir de crenças religiosas, já que não há provas de sua inautenticidade. Um exemplo próximo é Avatar, cuja sequência final só existe devido à interferência da divindade suprema dos Na’vi, e que, sem ela, a batalha terminal não terminaria da mesma forma. A pergunta que se deve fazer é se podemos considerar esse tipo de explicações, ou a falta delas, furos. No caso de “The Lovely Bones”, eu acredito que não. O que esperar de um filme que tem a ousadia de mostrar o paraíso como um lugar onde a realidade da vida prévia se encontra com a fantasia do meio termo e a incerteza do mundo póstumo? Ao meu ver, não vejo praticidade alguma em questionar detalhes, como por exemplo, o poema de Ray direcionado à Susie ter voado para os pés da “menina estranha”. Até porque qualquer explicação seria inútil. Tem de haver algum propósito entre essas ações tão pouco usais? Será que é justo exigir alguma explicação banal de um filme que usa o abstratismo com tanta naturalidade e frequência? Eu diria que ‘Um Olhar do Paraíso’ é um filme tão abstrato quanto ousado. Ao contrário de ficções científicas que utilizam destes métodos para justificar seus fatos imaginados, o longa de Jackson vive deles. A fantasia do filme não permite maiores explicações. E ao contrário de ficções científicas, como o já citado “Avatar”, “The Lovely Bones” não se encaixa numa lógica. Seus acontecimentos são aleatórios, abstratos e surreais. Mas se a pessoa conhece um pouco do espiritismo, fica mais fácil tentar entender como Susie pôde influenciar tanto os pensamentos e ações do pai. Por uma mera questão de curiosidade, os espíritas acreditam que, mesmo depois de mortos, aqueles que amamos continuam a zelar por nós e tomar conta de nossos caminhos. A crença também dita que os espíritos daqueles que amamos influenciam em nossas vidas e pensamentos quando estamos pensando neles. Dependendo do que desejem e do que sentem, seu estado de humor e ânimo pode determinar também as nossas ações. Quero deixar claro que não sou espírita, mas não há como negar que o filme segue por esse caminho e basta ao espectador decidir se aceita ou não.

Deixando um pouco de lado toda essa trama, as atuações contam basicamente com bons trabalhos. O destaque aqui fica por conta de Saoirse Ronan e Stanley Tucci, aqueles que mais foram citados em prêmios pelo filme em 2009. Tucci, aliás, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, com uma atuação impressionante. Ele compõe o psicopata George Harvey com exatidão e ele se preocupa bastante com os detalhes que fazem toda a diferença em um psicopata. A cabeça ligeiramente inclinada para baixo, o olhar gentil e a simpatia usual caracterizam um psicopata quando não está agindo. Agora, quando ele revela o seu alter ego, Harvey é assustador e Tucci consegue fazer o espectador temer qualquer reação inesperada de seu personagem. Ronan, por outro lado, é uma Susie Salmon com o máximo de doçura que podemos exigir. Aqui, Saoirse Ronan ganha destaque por um papel atingido e vitimizado, e encarnando uma amedrontada e abandonada menina de 14 anos, a atriz brilha. Podemos garantir destaque para Rachel Weisz também, que apesar do papel pequeno, interpreta a mãe de Susie com muita autenticidade. Quanto a Mark Wahlberg, ele está péssimo (novidade? Acredito que não). A boa notícia é que ele já esteve mais péssimo, só que continua sendo o mal ator que é. Susan Sarandon tem o papel mais desnecessário de toda a sua carreira, e olha que ela tem tido muitos trabalhos descartáveis ultimamente. Ela faz a avó que quer ser adolescente com o talento que lhe foi dado, mas o papel não lhe oferece mais oportunidades e ela se torna apenas mais uma do elenco dos coadjuvantes.

Peter Jackson, que dirigiu a trilogia O Senhor dos Anéis e filmou King Kong, certamente nos surpreendeu com a sua mudança repentina de ares. “The Lovely Bones” é um filme belo. O CGI utilizado para compôr o Paraíso é lindo e as cenas são, de fato, encantadores (ainda que usados com maneirismos excessivos). Jackson também faz uso da fotografia de arte, com fumaças, tons frios e escuros e quando precisa, muita luz. Algumas cenas lembram muito um ato teatral. A direção de arte acompanha a boa qualidade da técnica em geral e entrega cenários muito bonitos e caprichados. Entretanto, não há como fugir: Jackson não repetiu o feito de seus filmes anteriores. Ele não dirige com a mesma segurança e algumas cenas, em especial os diálogos, são artificais e ruins. Infelizmente, ele é o principal culpado pelo filme não ter se saído melhor do que poderia.

Acontece que Um Olhar do Paraíso consegue passar a sua mensagem. Está certo que já vimos uma infinidade de vezes, mas a originalidade (ainda que seja difícil encontrar alguma no filme), está justamente na forma como Susie Salmon consegue se desvencilhar do mundo dos vivos. Não, ela não precisava apenas beijar o garoto que gostava para “se mandar”, como alguns disseram. O buraco é mais embaixo. Susie estava ligada aos afetos que criou na vida terrena e, sendo apenas uma criança, fica realmente difícil entender como pode seguir em frente, sozinha e sem olhar para trás. Os “lovely bones”, que deram nome ao título original, se referem aos restos emocionais que Susie deixara presos aos seus depois de ser morta. Ela não podia se afastar sem se despregar destes restos, que já fizeram mal não só a ela mas também a sua família e amigos. Ela precisava deixar que aqueles que amava tomassem o seus caminhos, porque, tal como ela deve fazer, todos devemos seguir sempre em frente, não importa o que aconteça. E é isso que o filme deseja passar ao espectador. É clichê? Claro que sim. Importa? Nem um pouco.

Um Sonho Possível (2009)

20 fev

Sandra Bullock: indicada ao Oscar sem méritos.

Feito para americano ver, Um Sonho Possível procura causar impacto com a história de pobreza e solidão de Michael Oher, mas só consegue mostrar o quão frágil o cinema comercial estadunidense pode ser.

“The Blind Side” é sobre a história de Michael Oher, um adolescente de 17 anos que mal sabe escrever, mas que tem uma habilidade incrível para o esporte. Interessados unicamente no talento do jovem para o time de futebol americano, uma escola decide recebê-lo a fim de lhe dar uma educação de qualidade, ou pelo menos essa é a justificativa que nos é dada. Na escola, ele encara uma vida completamente diferente daquela que ele está acostumado. Como o próprio se refere, tem muita coisa branca ao redor dele. E é assim que vai levando a vida, sempre com a mesma roupa carregada em um saquinho plástico. Mas é quando Leigh Ann, mãe de um garoto chamado SJ, resolve ajudá-lo, que a vida de ambos começa a mudar. Primeiramente, ele só passaria uma noite na casa dela e da sua família, mas depois os dois vão criando laços de afeto um pelo outro, aprendendo a se gostar. Ela lhe compra roupas, lhe paga uma professora particular e finalmente decide adotá-lo como seu filho legítimo.

Está sendo um sucesso de bilheteria nos Estados Unidos. São mais de 245 milhões de dólares arrecadados por lá e o filme já ocupa a 57ª posição entre as maiores bilheterias americanas da história. Não à toa, a atriz Sandra Bullock foi eleita a celebridade que mais levou espectadores ao cinema em 2009, e assim como aconteceu com A Proposta, tem recebido inúmeros elogios por sua atuação em “The Blind Side”.

Toda essa algazarra em cima do filme e de Bullock arretou na maior surpresa do Oscar 2010. ‘Um Sonho Possível’ recebeu duas indicações. Uma para Sandra, que já disponta como franca favorita e outra de Melhor Filme, o que de fato não era nem um pouco esperado. Mas tal indicação é justificável ao término do longa, pois ficam evidentes as “qualidades” que levaram o trabalho de John Lee Hancock a ser lembrado na categoria mais importante do prêmio da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Trata-se de um filme tipicamente americano, com cara de Oscar e temática esportiva com relações familiares. O roteiro conta uma história muito esquiva do american way of life, feita para comover e fazer o espectador refletir. Mas não é preciso ir muito longe para encontrar um exemplar de filme muito melhor e mais eficiente que “The Blind Side”. Na verdade, dependendo de onde você mora, é só ir para o cinema mais próximo. Lá você encontrará Preciosa, que por sinal também concorre ao Oscar de Melhor Filme. No filme dirigido por Lee Daniels o espectador pode conferir a história de uma adolescente que sofre maus tratos em casa, é abusada pelo pai e ainda convive com a adversidade. Ao contrário de “Precious”, ‘Um Sonho Possível’ não mostra a relação que o protagonista sofrido tem com a sua família, mas sim o abandono no qual ele foi deixado. Eis aqui portanto a primeira justificativa para a indicação ao Oscar, talvez equivocada no ponto de vista de merecimento, talvez lógica do ponto de vista da Academia: o enredo trágico, pesado e contrário à imagem norte-americana de América sonhadora sempre conquistou os membros da Academia e esse ano mostra que continua a ser prestigiada.

Outra justificativa: é um filme feito unicamente para americano assistir. É um daqueles longas internos, que agrada a população mais deixa a crítica desestabilizada. É bem verdade que o conceito do filme anda razoavelmente alto por lá, mas esse aqui não deixa de ser um programa que muito cidadão estadunidense comum gostaria de assistir, pouco se importando com a qualidade do filme. Toda a temática envolvendo o futebol americano, que é uma das paixões dos nascidos por lá, além da típica quebra do conservadorismo social foram bons motivos para levar o filme a se tornar o sucesso comercial que é, o que nos leva à terceira justificativa para a nomeação: a bilheteria. Com os números alcançados, que ainda devem subir, fica claro o modo como o filme foi adotado como o queridinho dos americanos por lá. Esse, que é, portanto, o quarto motivo da indicação, talvez seja o mais importante. A Academia de Hollywood, como americana que é, não quer desagradar o público e por isso e em especial à ausência de Batman – O Cavaleiro das Trevas e Wall-E ano passado na categoria principal, resolveram colocá-lo no patamar mais alto do prêmio, agradando a gregos e troianos.

E assim como o filme é o novo xodó dos norte-americanos, Sandra Bullock tinha tudo para cair nas graças do povo de vez. Para muitos o fato da atriz jamais ter recebido uma indicação ao Oscar é um completo absurdo e talvez por isso ela, que agora entrega apenas uma atuação correta, foi condecorada como a atriz do ano de 2009 e finalmente “foi lembrada e reconhecida por seu talento incomparável.”. Ao meu ver, sua interpretação é tão comum que o fato de ter sido indicada já é uma forma de reconhecimento muito acima do nível do merecido. Sandra compõe uma Leigh Anne Touhy completamente neutra, sem nenhum atrativo que valha uma indicação.

E já que comecei a falar de Bullock, o restante do elenco, com o qual não procuro me ocupar muito, se sai expressivamente mal. Quinton Aaron, que interpreta Michael Oher, tem como único mérito mal abrir a boca. Sua inexpressividade é chocante e seus olhares melancólicos são falsos. O mesmo vale para os outros membros do conjunto de atores. Tim McGraw, que faz Sean, parece estar desconfortável no papel e Jae Head, a criança incomum, irrita com o seu jeito crescido e irreverente. Nem a excelente atriz Kathy Bates, que aliás é a melhor do elenco, equivale a algum sopro de alívio no meio de tanta mediocridade. Encontramos no elenco o primeiro sinal da má direção de John Lee Hancock, que além de dirigir, escreveu o filme. Ele falha em ambos.

Na direção, Hancock vai direto ao ponto muito rapidamente. Aquilo que o espectador mais anseia, que é justamente a relação de aproximação entre Leigh Ann e Michael, se dá logo na primeira meia hora de filme, o que nos leva a crer que o restante só servirá para encaixar as várias e desnecessárias subtramas e levar a história para um rumo que não pretendia tomar. O argumento inicial se esvai logo no início e o filme vai tomando parte de discussões mais inertes, como a traição, a quebra de confiança e a busca pelo passado. Aliás, o passado de Oher, que poderia servir como um poderoso trunfo no roteiro, é extremamente mal desenvolvido e fica até difícil entender o que de fato aconteceu a Michael quando ele era criança.

O texto, baseado no livro de Michael Lewis e em fatos reais, não causa o impacto que gostaria. Se a intenção era comover o espectador com a história solitária de Michael e com os olhos maniqueistas de Quinton Aaron, o script falha integralmente. As frases de efeito do começo e a total artificialidade dos diálogos só contribuem para o mal desempenho de Hancock também como roteirista.

Um Sonho Possível tem tantos defeitos que a montagem ser um ponto positivo até surpreende. Na verdade, é ela que salva o filme e não impede o espectador de morrer de tédio.

Com atuações irregulares e outras corretas, além de uma temática tipicamente norte-americana, é um filme que não agrada muito àqueles de cultura diferente da dos estadunidenses, ainda que a nossa seja regada à deles. Fraco e sem o grau sentimental que procura ter, o longa é apenas mais um filme sobre relações familiares mal conduzido, com o esporte para entreter e agradar o público, mas completamente vazio de conteúdo.

O Fada do Dente (2009)

17 fev

Dwayne Johnson ganha asas de fada.

Dwayne Johnson comprova não ter a menor vocação para a comédia com o papel horrendo de fada do dente.

Vou confessar que a minha vontade para assistir O Fada do Dente era negativa. Aliás, quem teria vontade de ver um filme com esse nome? É melhor eu não esperar para ouvir a resposta.

Bem, o que mais me espanta é que assistir ao filme foi uma experiência surpreendente. Sim, desde a primeira vez que vi o trailer tinha a plena convicção de que se tratava de mais comédia estúpida vinda de Hollywood. É bem verdade que eu não me enganei, mas devo confessar que poderia ter sido bem pior. Na realidade, eu esperava uma bomba, mas “Tooth Fairy” consegue ser um pouco superior e impressiona os mais sádicos.

Mas o fato é que nos deparamos com a imagem desproporcional de Dwayne Johnson, um ex-wrestler americano que virou ator. Ou que pretende se tornar um. Johnson é sinônimo de falta de talento, e isso pode ser comprovado diante de todas as fracassadas tentativas de compôr uma fada do dente, musculosa e anormalmente alta e rude.

O roteiro extremamente medonho, escrito por seis mãos, ronda a vida de Derek Thompson, um jogador de hóquei sobre o gelo que atua na segunda divisão da liga americana. Ele já passou um pouco da idade, e tem como o único objetivo no jogo cometer faltas nos adversários, impedindo-os de passar a bola para atacantes ou vice e versa. Só que ele adquiriu o péssimo hábito de arrancar os dentes daqueles que ataca, conseguindo daí o apelido de “Fada do Dente”. Thompson diz que sonhar alto demais nunca é bom, então quando uma criança lhe pergunta se um dia podera vir a ser um grande jogador de hóquei, ele faz questão de lhe dizer que isso seria uma meta praticamente impossível e que o menino deveria parar de sonhar com coisas que ele jamais será. Derek possui uma relação com Carly, mãe de dois filhos. Jess, a mais nova, perde um dente de leite aos seis anos, e após uma frustrada tentativa de convencê-la que a fada do dente não existe, e portanto não trará o seu dinheiro, Thompson é sentenciado a exercer o ofício de fada do dente por um período de duas semanas, sob a acusação de espalhar a descrença. No mundo das fadas ele conhece Tracy, uma fada de escritório, que lhe mostra tudo o que deve saber e fazer e também Lily, a diretora de todas as fadas, que lhe encarga das devidas tarefas. Agora, o roteiro parece presumir que o espectador vai rolar de rir em cada sequência em que Thompson agirá como fada, mas é evidente que nada disso acontece.

Dwayne Johnson, a cada filme, me convence que deve ficar o mais longe possível das câmeras. Sua interpretação beira o ridículo, ou melhor, ultrapassa do ridículo. Tão desastrosa como a atuação de Johnson, é a direção de Michael Lembeck. Seu trabalho atrás das câmeras é tão mal executado que nenhuma cena sai conforme o planejado. Ou seja, nenhuma tem um pingo de graça. O mesmo se pode dizer de todo o elenco do filme, com destaque para a péssima Ashley Judd.

“Tooth Fairy”, que está indo razoavelmente bem nas bilheterias americanas, deve finalizar o circuito com aproximadamente 100 milhões de dólares arrecadados. Uma boa quantia perto do que lhe custou. Foram 48 milhões gastos com não sei o que. Os efeitos especiais são abomináveis, quase um insulto a o que o cinema é capaz de proporcionar nos dias atuais.

Enfim, O Fada do Dente é muito ruim. Nenhuma piada funciona, o roteiro não tem como ser ainda mais previsível e o único consenso que os seis roteiristas chegaram foi que o texto do filme seria extremamente formulaico e piegas. Entretanto, logo se percebe um fator que salva o longa de se tornar uma bomba: não é o tipo de filme para ser levado a sério. E o final faz questão de enfatizar esse ponto. É um filme feito unicamente para distrair o espectador e passar a mensagem de que sonhar alto não faz mal a ninguém, ainda que falhe nesses dois pontos também.

Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010)

14 fev

Percy Jackson, Grover Underwood e Annabeth Chase.

Embalado na onda de ‘Harry Potter’, Percy Jackson e o Ladrão de Raios tem vários defeitos no texto, mas é capaz de divertir e garantir o ingresso.

Quem leu os livros tem muito do que reclamar. Segundo os fãs, empolgados com a expectativa de ver o filme do primeiro episódio ser adaptado para as telonas, muito do que se contava no livro foi alterado e ignorado. Eu, que ainda não tive a oportunidade de ler as obras escritas por Rick Riordan, fui ver o filme sem saber o que esperar da história, mas com um pé atrás diante de um longa feito mais para agradar adolescentes do que a todos os tipos de público. O resultado, porém, não foi dos piores. Na verdade, sem estar envolvido com a trama, ficou muito mais fácil encarar a diversão com braços abertos e ‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’ é um bom filme, cheio de problemas no roteiro e nas interpretações, mas que diverte o suficiente para fazer jus ao dinheiro que se paga.

Assim como Harry Potter, Percy Jackson é um garoto que mal saiu da infância e já é abalado com uma notícia bombástica. Não, ele não é bruxo. Jackson, de apenas doze anos, descobre que é filho de Poseidon, o Deus dos Mares. Fica sabendo também que está sendo caçado por Zeus, o Deus dos deuses, que o acusa de ter roubado o seu raio, a arma mais poderosa de destruição em massa. Depois de ser mandado para o Acampamento Meio-Sangue, onde somente seres metade humano e metade Deus pode entrar, a mãe de Jackson, Sally, é raptada por um Minotauro, que a leva para o Mundo Inferior. Agora, com a perspectiva de perder a mãe, Jackson deve entregar o raio roubado para Hades, o Deus do submundo. O único problema é que não foi Percy quem roubou o raio e ele não tem ideia de onde ele possa estar.

Mesmo sem a arma de Zeus, mas com o intuito de salvar a mãe das garras do inferno, Jackson, Annabeth Chase, filha de Atenas e Grover Underwood, um Sátiro, saem em busca de três pérolas que, juntas, poderão levá-los ao Mundo Inferior.

Chris Columbus, que dirigiu os dois primeiros filmes da série ‘Harry Potter’, ficou a cargo de comandar a primeira aventura do filho de Poseidon. Como era de se prever, muito do mundo mágico de Rowling está presente no episódio número um de Percy Jackson. Criaturas parecidas com as criadas pela escritora britânica, três personagens com características singulares que definem bem cada um, instrumentos mágicos que auxiliam no voo, na magia e em batalhas, além de resoluções muito aflitivas mas que terminam da melhor maneira possível. Tudo isso está presente na obra de Riordan, mas o que mais causa impacto no filme é como Chris Columbus conseguiu transpôr toda a mágica de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta para o mundo da mitologia grega de Percy Jackson. Algumas situações são tão parecidas que chegamos a imaginar os personagens sacandos as varinhas e murmurando feitiços contra os oponentes. Apesar disso, Columbus demonstra avanço depois de dirigir os dois primeiros filmes da saga de Harry Potter. Aqui, ele conduz a história com agilidade e competência, sem exagerar no brilho e nas infantilidades com as quais ficou conhecido.

Entretanto, mesmo com defeitos no desenvolvimento da história e com algumas sequências que beiram o ridículo e até são cômicas, ‘Percy Jackson’ é eficiente como filme de ação e aventura, e diverte o espectador com a rapidez do roteiro e modernização da mitologia grega.

Logan Lerman, ator que não foi lançado pelo papel de Percy Jackson, mas que era um ilustre desconhecido antes do filme, terá sua carreira marcada pelo personagem de semideus (a não ser que interprete o novo Peter Parker de ‘Homem-Aranha’). Entretanto, ele demonstra ter jeito para o cinema, já que possui bons momentos e outros bem medíocres. Brandon T. Jackson é um que demonstra talento para a comicidade do texto. ele é capaz de provocar boas risadas, mas quando lhe extraem alguma dramaticidade, fica comprovado que o forte do ator não está lá. Alexandra Daddario, que interpreta a filha de Atenas, é a pior dos três. Bonita, mas com indescritível inexpressividade, ela até que conduz bem algumas sequências, mas demonstra incapacidade em outras tantas.

‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’ ainda conta com a participação de um elenco famoso. Catherine Keener interpreta Sally Jackson, mãe de Percy, que possui um papel pequeno mas importante para a trama. Uma Thurman, em ótica caracterização da mitológica Medusa, possui um dos melhores momentos do filme e até que a sua “cabeça” acaba sendo útil em algumas cenas. Além deles, Pierce Brosnan também aparece e tem como principal mérito não aparecer muito. Sean Bean e Joe Pantoliano também estão no elenco, com destaque para o segundo.

Contando com um roteiro superficial e conveniente, Percy Jackson e o Ladrão de Raios diverte o espectador com seus bons efeitos visuais e mantém um ritmo ágil até o seu término. Possui um visual moderno e interessante, mas não passa disso. É um filme feito para adolescentes, mas que também pode entreter adultos descompromissados. É um bom início para um série que promete.

O Diabo Veste Prada (2006)

13 fev

Meryl Streep: divina como sempre

Meryl Streep é o destaque nessa comédia inteligente e altamente realista.

O Diabo Veste Prada é a adaptação do livro de mesmo nome da autora Lauren Weisberger, que retrada de maneira bastante engraçada os “perrengues” que as mulheres que convivem com a moda diariamente são obrigadas a enfrentar, que vai desde uma chefe cruel, que gosta de humilhar seus empregados e quem está a seu lado, até serviços humilhantes e pessoais em favor da chefona. O Diabo Veste Prada baseia-se no fato da moda ser o grande ponto de referência para tantas meninas jornalistas que sonham em um dia serem a secretária da editora principal da revista Runway nova-iorquina, talvez a mais importante e conceituada do mundo da moda. Esse mundo de luxúria e vaidade parece ser o sonho para qualquer mulher, vestir roupas de grifes famosas e designs e estilistas de todo o mundo, seria esse o paraíso? Não para a jovem formada jornalista Andrea Sachs, interpretada pela não mais princesa Anne Hathawey. Ela, a procura de um trabalho ond epossa demonstrar seus otes jornalísticos no maior centro urbano dos Estados Unidos, no caso Nova York, acaba indo para uma entrevista no prédio da revista Runway. Lá, ela se depara com um mundo que ela jamais conviveu. Mulheres vestidas como se fossem a um jantar de gala, casamento ou seja o que for, todas super bem vestidas, usando sapatos de marcas importadas como Chanel, Jimmy Shoe, Calvin Klein, etc. Ela, com seu modo simples e humilde de se vestir (calças, moletom de lã) segue para sua entrevista sem saber ao certo que tipo de probelmas irá ter ao entrar na sala da editora-chefe da revista, a arrogante Miranda Priesley, em uma atuação divina da sempre divina Meryl Streep. Quando Andy entra na sala de Miranda, a chefe se surpreende com o modo de se vestir da candidata a sua secretária e não acredita na cara-de-pau e a vergonha que a menina tem de se vestir daquela maneira. Sem facilitar as coisas pra jovem, Emily (Emily Blunt), a primeira assistente de Miranda não cessa em fazer comentários maldosos sobre as roupas de Andy e ela fica cada vez mais desconfortável com a situação. Apesar de seu jeito, ela é, surpreendentemente admitida pela chefona, muito mais pela sua inteligência e franqueza do que pela sua aparência (gorda e mal-vestida). Aos poucos vemos a inexperiente Andy se adaptar ao mundo da moda, dalí a alguns dias se transformando em uma verdadeira diva das passarelas. Nesses momentos, podemos ver o desfile de inúmeras roupas, algumas de uma semelhança assustadora com as roupas de Audrey Hepburn, considerada uma das mulheres famosas mais bem vestidas da história. A trilha sonora, com algumas faixas da cantora inglesa Madonna se encaicham perfeitamente ao clima da moda, incluindo a música “Vogue, Vogue”, não pderia se rmais adequada ao tema. A correria da cidade de Nova York também foi outro fator que funcionou e coube como uma luva para a história, uma vez que Andy é obrigada a a percorrer a cidade inteira atrás de um caprixo da patroa (um não, VÁRIOS), e tudo em curtíssimo espaço de tempo.

O Diabo Veste Prada é um filme que mostra a realidade, não só do mundo da moda, mas também do equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal e amorosa. Em várias situações, tanto a personagem Andy quanto Miranda Priesley sofrem com crises na vida pessoal e até mesmo a durona Emily e o sarcástico produtor Nigel, interpretado pelo sempre competente Stanley Tucci. Problemas em casa que jamais podem ser misturados na vida profissional, afinal “essa é a vida que todas querem”. Essa frase parece ser a mais importante e adequada do filme, ou inadequada, como queira.

Em relação às interpretações. A que mais brilha é a da sensaional Meryl Streep, que passa segurança e dureza a sua personagem megera (aliás, muito bem sacada e baseada na editora-chefe da Vogue, Anna Wintour, de temperamento parecido). Sua vitória no Globo de Ouro e sua, mais uma, indicação ao Oscar de Melhor Atriz demonstram como o talento da atriz é imenso e inesgotável. A grande revelação é Anne Hathawey, que recentemente saira de O Diário da Princesa, onde vivia uma jovem que descobriu a pouco ser filha de um príncipe. Felizmente, a atriz se livrou do rótulo de princesinha e rumou para novos horizontes. Só não digo que Emily Blunt pode ser considerada uma revelação do filme pois ela já teve a oportunidade de expressar seu talento no filme Meu Amor de Verão, embora esteja infinitas vezes melhor agora, como coadjuvante em O Diabo Veste Prada. O Ator Tucci é definitivamente, capaz de fazer qualquer papel, desde o vilão de O Terminal até o produtor de moda do filme aqui comentado. O Diabo Veste Prada conta a participação especial da top model brasileira Giselle Bündchen, que aparece uma ou duas vezes e olhe lá.

O filme também é um verdadeiro desfile de moda, apresentando ao mundo as novas tendências e os clássicos da moda chique. Os figurinos, indicados ao Oscar, foram projetados pela estilista Patricia Field.

O Diabo Veste Prada não é só um filme para mulheres, como muitos pensam. É um filme que envolve pessoas desde as que entendem “bulhufas” de moda até as especialistas e jornalistas do gênero. É uma produção aberta para todo e qualquer tipo de público, de qualquer idade e camada social, desde os mais pobres, que não estão acostumados com as grifes (até porque no Brasil não vemos muito disto), e até os mais granfinos, que convivem constantemente com roupas e acessórios da última moda. Dirigido pelo estreiante David Frankel, ele se sai muito bem atrás das câmeras, instruindo o elenco e administrando as cenas como um profissional, claro que possui pequenas falhas de um principiante, mas não são nada em relação ao que ele poderá fazer no futuro. O Diabo Veste Prada, como já disse, não é só recomendado à mulheres, mas sim a todos aqueles que curtem uma boa comédia, excelentes atuações e toques sarcásticos constantes, além de um aula perfeita de moda, para quem aprecia.

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