Orgulho e Preconceito (2005)

15 ago

As palavras “orgulho” e “preconceito” não são exatamente as mais atraentes quando queremos conhecer alguém, ou quando estampam uma capa de um livro, assim como soam levemente repulsivas num cartaz de filme. Para quem nunca ouviu falar dessa obra, Orgulho e Preconceito, talvez imagine se tratar de uma história forte repleta de personalidades dominantes. Mas por incrível que pareça, não é. Jane Austen, autora do livro homônimo, ficou muito conhecida pelo seu romance de aspectos leves e atrativos, sabendo construir personagens de personalidade forte que acabam se encaixando de forma deliciosa num contexto romântico e cheio de conteúdo. A adaptação para o cinema feita pelo diretor Joe Wright, em seu primeiro trabalho, captou de forma exata toda a importância passada nas páginas do livro de Austen.

É início do século XIX e a Sra. Bennet só quer saber de casar o mais depressa suas cinco filhas com homens de posses e reconhecimentos. O Sr. Bennet, por outro lado, só quer saber da felicidade de suas filhas, independente delas casarem ou não com homens poderosos. Sendo assim, Elizabeth, a filha mais velha, é muito mais apegada ao pai do que com a mãe, já que é portadora de uma personalidade livre e indomável. No entanto, ao conhecer o arrogante e preconceituoso Sr. Darcy, Elizabeth se descobre inexplicavelmente encantada por tal homem rico e prepotente. Sr. Darcy, por outro lado, também não consegue esconder uma forte atração pela orgulhosa Elizabeth, mesmo sabendo de sua pobreza e da fama de sua família.

De uma forma quase divina os personagens centrais irão revezar ao longo do filme o cargo de “orgulho” e “preconceito”. A princípio, Sr. Darcy se mostra preconceituoso a respeito de Elizabeth, mas logo percebe seu engano e parte em busca de reconciliação. Mas Elizabeth é orgulhosa demais para aceitar o desprezo que Sr. Darcy tem por sua família, se recusando a reconhecer que também gosta dele, tornando-se preconceituosa com ele por causa da arrogante família Darcy. Dessa forma, Elizabeth acaba caindo na própria armadilha, ao demonstrar o mesmo sentimento que a repugnou em Darcy. Darcy, por outro lado, deixa de ser preconceituoso, mas passa a ser orgulhoso depois de chutado por Elizabeth.

A construção dos personagens é o ponto mais alto do filme, que retrata com uma clareza elogiável o amor entre pessoas de classes sociais diferentes. Quando tais amores dão errado, muito pode se atribuir ao orgulho e ao preconceito de ambas as partes. O preconceito impede que a pessoa enxergue com verdade as qualidades da outra, assim como o orgulho impede qualquer tipo de perdão ou reconciliação. São dois elementos que matam o amor com o tempo, e por isso precisam ser deixados de lado o mais rápido possível. Elizabeth e Sr. Darcy são a prova concreta disso.

Outros personagens também dão um gás diferente à história, mostrando em muitos momentos idênticos sentimentos de orgulho e preconceito. As irmãs de Elizabeth, apesar de um pouco desesperadas, são boas pessoas, mas são completamente rejeitadas pelo preconceito contra sua classe social. Da mesma forma, o orgulho é a razão principal para os pretendentes das irmãs Bennet não as aceitarem.

Através desse romance, Joe Wright acabou marcando uma grande presença em Hollywood. Em seu trabalho inicial ele já provou ser um excelente diretor, vindo alguns anos mais tarde a dirigir o supremo Desejo e Reparação (Atonement, 2007). Sua grande competência em dirigir de forma exata cada detalhe de cada cena, lhe deu a oportunidade de reconhecimento. Esse reconhecimento com certeza o levará longe daqui alguns anos, e quem sabe um Oscar não o espera em breve.

O elenco e a parte técnica também foram essenciais. Keira Knightley e Matthew Macfadyen, o casal principal, tiveram suas excelentes atuações realçadas pela bela fotografia, assim como a trilha sonora foi de grande importância no desenrolar do romance. As presenças de Judi Dench, Donald Sutherland e Rosamund Pike fecham com chave de ouro a produção.

Cheio de leveza e conteúdo, Orgulho e Preconceito é um dos filmes mais importantes dos últimos anos, sabendo mostrar com beleza e louvor a fórmula exata de uma belo romance. O final delicioso com certeza fará muitos corações derreterem em plena satisfação. Excelente!

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6 Respostas to “Orgulho e Preconceito (2005)”

  1. Rafael Oliveira 15/08/2010 às 10:27 PM #

    Critica brilhante ;)

    Parabéns, novo colega!

  2. heitoromero 16/08/2010 às 5:49 PM #

    Obrigado Rafael! Espero que minha chegada ao site tenha sido bem vinda entre todos.

  3. Renata 16/08/2010 às 9:41 PM #

    Heitor, gostei muito de sua crítica. Gostei muito de ambos os filmes do Joe Wright. ;)

  4. Italo Lobo 16/08/2010 às 10:32 PM #

    Claro que foi!!!
    Seja bem-vindo Heitor.

  5. RoDolFo 17/08/2010 às 2:09 PM #

    Belo texto…. ;)

    Esse filme é apaixonante *-*
    não sou muito chegado ao gênero romance….mas esse filme…. maravilhoso…

  6. heitoromero 17/08/2010 às 10:02 PM #

    Obrigado mais uma vez pelos elogios e pelas boa vindas!!!

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