O cinema de M. Night Shyamalan: uma análise sobre as obras do diretor

25 ago

O Sexto Sentido não foi somente um marco na trajetória do gênero suspense, mas foi aquele que apresentou ao cinema aquele que viria a ser considerado o novo mestre do gênero: trata-se de M. Night Shyamalan, um Indiano nascido em Mahé, Pondicherry, e que, com seu filme de estreia, alcançou o status de novo gênio do cinema. E assim foi sendo, o diretor vinha mostrando grande habilidade na condução de seus roteiros, mas ultimamente parece que este cineasta tão promissor vem perdendo a mão. Afinal, qual é o problema do cinema atual de Shyamalan?

Para tentar chegar a uma conclusão plausível, é preciso reavaliar inteiramente suas obras anteriores. Na realidade, houve uma produção do diretor anterior a O Sexto Sentido, intitulada Olhos Abertos, lançado no ano de 1998. Assim como seus filmes que viriam em seguida, o diretor já demonstrava gosto por discussões religiosas (o longa é, na realidade, uma obra quase autobiográfica). Foi uma produção pequena, de baixo orçamento e que pouco chamou a atenção do público, mas que abriu portas ao cineasta.

E foi em 1999 que Shyamalan explodiu nos cinemas com o clássico “The Sixth Sense”, que até hoje permanece como um ícone do suspense. Fazendo questão de escolher Bruce Willis para o papel principal, o diretor criou aquele que talvez seja a obra-prima máxima do suspense atual, não por criar sustos aos montes (coisa inexistente no filme), ou por mostrar baldes e mais baldes de sangue. Mas por ter realizado um filme profundo, que mesmo sendo uma ficção, possuía personagens reais, muito bem desenvolvidos e fáceis de identificar. A ótima recepção da crítica e do público foi mais do que justa, e o filme conseguiu arrecadar grandes números nas bilheterias. O sucesso do longa levou o nome do diretor ao topo, fazendo com este concorresse ao Oscar. “O Sexto Sentido” ainda seria indicados a outras cinco categorias, entre elas o de melhor filme.

Depois disso, muitos se precipitaram quando começaram a alegar que Shyamalan era “o novo Hitchcock”. Com isso, a exigência para o próximo filme de Shyamalan foi grande, e foi com estas expectativas errôneas que Corpo Fechado foi recebido em 2000. Trazendo novamente Bruce Willis como protagonista, o diretor criou mais uma grande obra, extremamente profunda e envolvente, mas com um final não tão surpreendente quanto o de O Sexto Sentido. E foi neste ponto que muitos erraram: The Sixth Sense é um filme, “Corpo Fechado” é outro. Comparar a força da reviravolta de cada filme foi algo realmente estúpido, uma vez que cada um narra uma trama diferente e as expectativas e alegações exageradas acabaram fazendo com que muitos não entendessem o objetivo do longa.

Com Sinais, o diretor recuperou boa parte do respeito e admiração que alcançou com O Sexto Sentido, e conseguiu novamente arrecadar uma boa quantia nas bilheterias. Neste filme, o teor religioso sempre abordado pelo diretor se torna mais forte, e nem mesmo a história boba ou o clímax um tanto decepcionante impediram-no de realizar mais um grande filme, que não propõe somente o que o gênero costuma apresentar, mas lança a proposta de fazer o espectador pensar e refletir sobre o que o se passa.

Em 2004, Shyamalan viria com aquele que, para muitos, seria o mote do declínio de sua carreira. A Vila foi mais um filme comercial do diretor, e que mesmo tendo alcançado um grande sucesso, desagradou boa parcela de seus admiradores. O filme, na verdade, é uma grande aula de como criar um clima angustiante e incômodo. Uma pena que poucos tenham entendido isso.

Mas foi em 2006, com o filme A Dama na Água, que o diretor viria a ser escrachado por 99% do público e crítica. Optando por uma abordagem diferenciada (o filme é mais uma fantasia do que um suspense propriamente dito), a arrogância do diretor acabou tomando conta de seu ego, e se transmitiu em quase toda a película (a presença e morte de um crítico no filme é uma prova incontestável disso), o que fez com que fosse rebaixado ao menor patamar possível. O filme foi tão mal recebido que recebeu indicações ao Framboesa de Ouro, tendo levado o de pior diretor e pior ator coadjuvante (já que Shyamalan também atua na produção).

Foi com a imagem ainda suja perante a crítica que, em 2008, o cineasta lançou Fim dos Tempos. Apesar de ser mais um suspense com a marca do diretor, este possui ares de filme “B”, tendo a proposta única de divertir. Mas fica a pergunta: será que foi certo realizar uma sátira diante de um assunto tão sério como o aquecimento global? Infelizmente, o filme acabou cometendo erros que nem mesmo um filme “B” aceitaria, e não foi mais nada do que um bom filme. A crítica, logicamente, desprezou o filme.

Este ano, Shyamalan chega com uma produção completamente diferente, O Último Mestre do Ar, baseado em um desenho japonês. É um filme que está sendo bem recebido por uns, mas desprezado por outros (principalmente pela crítica norte-americana). A questão é: o diretor conseguirá recuperar o prestígio e respeito que possuía antes?

Filmografia de M. Night Shyamalan

Olhos Abertos (1998)

O Sexto Sentido (1999)

Corpo Fechado (2000)

Sinais (2001)

A Vila (2004)

A Dama na Água (2006)

Fim dos Tempos (2008)

O Último Mestre do Ar (2010)


2 Respostas to “O cinema de M. Night Shyamalan: uma análise sobre as obras do diretor”

  1. Rafael Oliveira 25/08/2010 às 10:20 PM #

    Deixando a modéstia de lado, essa matéria ficou supimpa!

  2. Alexandre 29/08/2010 às 6:13 PM #

    Ficou legal, parabens Rafael.

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