O Sexto Sentido (1999)

27 ago

“I see dead people”

A safra de filmes dos nos 90 foi de grande qualidade para o Cinema. Várias obras-primas surgiram naquele ano, como A Lista de Schindler, O Silêncio dos Inocentes, Titanic, Um Sonho de Liberdade, Matrix, e por ai vai. Mas foi no final da década, especificamente em 1999, que nasceria aquele que é, provavelmente, a obra definitiva do gênero suspense da atualidade. Contando com um orçamento baixo, O Sexto Sentido explodiu nos cinemas, arrecadou rios de dinheiro, mas, principalmente, direcionou os holofotes para um dos maiores cineastas que o cinema já teve, M. Night Shyamalan.

Em seu segundo longa-metragem (sua produção anterior havia sido um filme comercial, Olhos Abertos), o diretor se tornou a nova promessa hollywoodiana, trazendo um verdadeiro sopro de originalidade ao gênero que já parecia estar se esgotando. E as indagações logo surgiram: “Ele é novo Hitchcock!”, “Ele é o maior diretor que o cinema já teve!”. Besteira. Durante toda a sua carreira, Shyamalan provou que é apenas Shyamalan, tanto para o bem quanto para o mal.

Apesar de ser fã confesso de Steven Spielberg, o diretor realmente possui forte influencias hitchcockianas, o que não o impede de possuir sua própria marca (fator que faria muitos, no futuro, exigirem demais de seus trabalhos). Seus enquadramentos e posicionamentos de câmera se mostram raros de se ver hoje em dia, e são tão precisos e objetivos que fica impossível não admirar essa habilidade. Não é mero exibicionismo. Shyamalan (Shy, para os mais íntimos) utiliza estes recursos a favor da história, criando o clima necessário para determinada cena ou para mostrar algum forte sentimento de algum personagem.

O roteiro, também assinado pelo diretor, é de uma eficiência tremenda. Diferente de muitos do gênero, Shyamalan se preocupa em desenvolver seus personagens, torná-los reais e identificáveis. Não é errado afirmar que o filme é mais um drama do que um suspense. E de presente, ele ainda nos presenteia com aquele que é, definitivamente, o melhor final que alguém já teve a ousadia de criar. Já vi e ouvi pessoas alegando que a reviravolta é previsível. Se é verdade? Bem, pode até ser, mas é uma revelação tão inesperadamente bem feita, que fica impossível não permanecer olhando para a tela durante os créditos finais, tentando se convencer de que aquilo realmente aconteceu. Uma pena que muitos ou não enxergam isso, ou enxergam, mas fingem não ter percebido, somente para dizer: “Olha, eu adivinhei o final”.

E se é interessante perceber como Shyamalan deixa inúmeras pistas ao longo da projeção (a cor vermelha é uma constante no filme), mais interessante é ver a escalação do elenco. Quem poderia imaginar que Bruce Willis, o brutamontes da série Duro de Matar, entregaria uma atuação tão sensível e convincente? Sua expressividade e modos de falar são perfeitos, e traduzem com perfeição as emoções do personagem.

Enquanto isso, Haley Joel Osment apresenta uma das atuações mais envolventes do cinema. Dono de um olhar incrivelmente triste e melancólico, o garoto realiza um trabalho excelente e, merecidamente, abocanhou uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Entre outras grandes presenças, temos Toni Collete, que também conseguiu uma indicação ao Oscar, e Donnie Whalberg, que em seus ínfimos minutos em cena, se mostra assustador e bizarro.

O Sexto Sentido é, indiscutivelmente, um filme que veio para ficar. De lá para cá, milhares de exemplares do gênero tentaram plagiá-lo, o que é mais uma prova de sua força e importância para o cinema.

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