Sinais (2002)

29 ago

Sinais, em sua época, foi um filme extremamente aguardado, afinal, seria ele que definiria se M. Night Shyamalan valia à pena ou não (pessoalmente, este fato foi comprovado já com Corpo Fechado). Seu filme anterior não foi tão bem recebido quanto O Sexto Sentido, o que atenuava a ânsia pelo resultado de seu novo trabalho.

E surpresa! O filme de alienígenas do diretor foi muito bem recebido por critica e publico, e faturou muito bem nas bilheterias. Trata-se de um trabalho admirável, que usa o titulo de ficção cientifica como pano de fundo, já que a real abordagem do longa é sobre a questão da fé. Se Shyamalan já havia apresentando um certo teor religioso em seus outros filmes, este aqui deixa claro o gosto do diretor pela abordagem do assunto. O que não quer dizer que o filme também não funcione como um suspense dos bons.

Novamente utilizando uma abordagem fantástica, o enredo de “Sinais” se mostra mais bobo e simples do que o esperado. No condado de Bucks, Pensilvânia, vive Graham Hess, um viúvo com seus dois filhos, Morgan e Bo. Também mora com eles Merrill, o irmão de Graham. Ele reside em uma fazenda e era o pastor da região, mas recusa ser chamado como padre, pois questionou sua fé desde quando sua mulher, Colleen, foi morta ao ser atropelada por Ray Reddy, um morador local que dormiu enquanto dirigia. Repentinamente os Hess ficam bastante intrigados com o surgimento de misteriosos e gigantescos círculos, que surgem inesperadamente em sua plantação sem que haja o menor vestígio de quem os fez ou por qual motivo teriam sido feitos.

As influências hitchcockianas estão novamente presentes: o clima de suspense é estabelecido por meio daquilo que está oculto, por meio daquilo que não podemos ver. E assim vai sendo durante boa parte da projeção, com a duvida martelando em nossa cabeça constantemente: afinal, é um truque de mal gosto ou tudo possuía ligação com o sobrenatural? O controle de Shyamalan sobre o espectador é impressionante.

O maior acerto de Shyamalan reside justamente ai: pegar uma premissa simples e transformá-la em algo tenso e de clima angustiante. Para isso, o diretor conta com o auxilio da excelente fotografia de Tak Fujimoto, grande colaborador seu, e com a trilha sonora do sempre excelente James Newton Howard. Mas é o clima vazio estabelecido pelo diretor que torna “Sinais” uma experiência tão recompensadora.

Como já mencionado, a abordagem da fé se mostra mais presente do que nunca. Um exemplo: o personagem de Mel Bibson, Graham Hess, é um ex-pastor que perdeu a fé após a morte de sua esposa. Hess é um homem que tenta viver com os pés no chão, e é graças ao seu bom desenvolvimento que o espectador acaba por se encontrar com os mesmos pensamentos: em quê acreditar? Afinal, nada acontece por acaso?

E é juntamente com o protagonista que o espectador vai se sentindo desorientado, envolto em um clima claustrofóbico. Mais uma vez, Shyamalan surpreende por conseguir inserir o público no meio de uma situação inverossímil, mas que graças ao seu talento, tudo se torna real, de certo modo.

“Sinais” vai crescendo em tensão a cada minuto que passa. Quando chegamos ao momento em que a família precisa se abrigar em um porão, é possível que o espectador já tenha roído todas as suas unhas. Além disso, os diálogos são muito bem definidos, causando medo ou emoção quando necessário. Uma pena que o diretor tenha caído em uma lição de moral batida e desnecessária. Felizmente, é algo que pouco desvaloriza a obra.

Se Shyamalan já havia demonstrado grande capacidade em arrancar excelentes atuações de atores inicialmente limitados, não seria diferente com este. Mel Gibson sempre foi um ator com quem pouco simpatizo (ele funciona melhor como diretor), mas me surpreendi com o nível de sua boa interpretação. Claro, ele falha em algumas cenas mais dramáticas, mas faz um ótimo trabalho, no geral. Joaquim Phoenix, confessadamente um de meus atores favoritos, aqui está muito bem, embora seu papel não ofereça grande liberdade dramática. Rory Culkin, que interpreta o filho de Graham, Morgan, também faz um trabalho interessante, mas é a pequena Abigail Breslin quem rouba quase todas as cenas. Incrível como, desde pequena, a atriz já mostrava possuir um talento nato.

Apesar de seus pequenos problemas, Sinais acaba sendo outro grande exemplar de trabalho bem feito do cineasta americano, o qual preserva todas as suas principais características, funcionando tanto no drama quanto no suspense. Vindo de Shyamalan, isto é algo extremamente positivo.

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