Fim dos Tempos (2008)

4 set

Após o fracasso retumbante que foi A Dama na Água, falar mal de Shyamalan já havia se tornado modinha. Desde Corpo Fechado, o diretor veio sendo intitulado de “diretor enganoso”, mas com o seu filme de fantasia que o cineasta chegou ao fundo do poço, segundo alguns.

Fim dos Tempos chegou debaixo de uma expectativa baixíssima e de uma grande vontade de falar mal por parte da critica e do público. Dito e feito: o filme foi tão “elogiado” quanto o anterior do diretor, diluindo a esperança da parcela que ainda acreditava no retorno do bom e velho Shyamalan. Mas que fique claro essa é a opinião alheia, uma vez que, apesar de seus evidentes problemas, este “suspense parodiano” de Shyamalan conseguiu me divertir durante seus quase 90 minutos de projeção.

O dia começa normal em Nova York. Muitas pessoas caminham pelo Central Park em uma manhã quente e ensolarada. Cenas cotidianas seguem até que as pessoas começam a ter estranhas reações. Quase todos ficam parados, como que congelados, e começam a andar para trás. Outros buscam maneiras de se matar. Logo estes e outros estranhos eventos começam a ganhar repercussão nas rádios e tevês, com as pessoas sendo orientadas a irem para casa e evitarem os parques públicos onde os eventos começaram a ser registrados. Inicialmente se fala em ataques terroristas. Mas a história se foca na vida do professor de ciências Elliot Moore (Mark Whalberg), que leciona na Filadélfia. Ele acaba saindo da cidade para o interior acompanhado da mulher, Alma (Zooey Deschanel), do amigo e professor Julian (John Leguizamo) e pela filha dele, Jess (Ashlyn Sanchez). O problema é que os ataques começam a ser cada vez mais freqüentes, em espaços públicos variados e tendo como alvo grupos menores de pessoas.

Para começar, devo elogiar novamente a coragem e ousadia de Shyamalan. Dono de um incrível dom para gerar controvérsias, o diretor faz de ‘Fim dos Tempos’ um filme que serve como prova de como ele consegue fisgar a atenção do público. “The Happening” é dono de cenas realmente incômodas magistralmente capturadas pela câmera do diretor. Pessoalmente, os 5 minutos iniciais estão entre os mais desconcertantes dos últimos anos. Uma pena que, após isso, o mesmo nível de impacto não consiga se manter, uma vez que as cenas de suicídio vão, gradativamente, se tornando mais do mesmo. Ainda assim, não é recomendável para os que possuem problemas cardíacos.

E os tropeços do filme não param apenas por ai. É incrível o descuido do diretor na lapidação dos diálogos. Durante várias cenas, somos bombardeados com algumas falas e cenas realmente patéticas, como quando o protagonista fala com uma planta. Se Shyamalan achou graça nisso, eu apenas enxerguei algo patético.

Além disso, a preguiça do roteiro em desenvolver adequadamente seus personagens é evidente. O casal principal, especialmente, possui um conflito conjugal fraco, pouco explorado e encerrado de maneira risível. Do mesmo modo, o relacionamento entre o personagem Julian (John Leguizamo, o melhor do elenco) e sua filhinha Jess (Ashlyn Sanchez) não consegue convencer. Resultado: a identificação com os personagens é quase nula.

Mas é aqui que paro e penso: ora, o diretor já havia anunciado, antes de seu lançamento, que o filme seria uma paródia. Então por que tantos críticos levaram o filme tão a serio? A resposta é simples: a costumeira dificuldade em aceitar aquilo que é novo ou diferente. O fato de as plantas poderem se comunicar entre si (!) pode até não convencer alguns, mas é perfeitamente condizente com a proposta do diretor. Sendo encarado assim, o filme consegue ser original, divertido e bizarro.

Ainda repleto de criticas aos estereótipos norte-americanos (apenas os mais atentos irão percebes tais denuncias), Fim dos Tempos pode ser repleto de problemas quase inaceitáveis, mas para aqueles que conseguirem entender a real proposta do filme, é um interessante passatempo.

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