O Clube dos Cinco

4 set

O Brasil é um país muito conhecido pelo futebol, pelo samba, pelas mulatas, pela beleza natural e pela economia em constante evolução. Entretanto, muitos julgam o cinema nacional como “fraco”, sem nem ao menos conhecer os principais nomes que ajudaram a construir a nossa identidade cinematográfica.

O objetivo deste post não é mostrar às pessoas a história do nosso cinema, mas sim apresentar pelo menos cinco cineastas de grande importância. São eles: Glauber Rocha, Sérgio Bianchi, Fernando Meirelles, Bruno Barreto e Hector Babenco.

Glauber Rocha

Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia.

Foi criado na religião da mãe, que era protestante, membro da Igreja Presbiteriana por ação de missionários americanos da Missão Brasil Central.

Alfabetizado pela mãe, estudou no Colégio do Padre Palmeira – instituição transplantada pelo padre Luís Soares Palmeira de Caetité (então o principal núcleo cultural do interior do Estado).

Em 1947 mudou-se com a família para Salvador, onde seguiu os estudos no Colégio 2 de Julho, dirigido pela Missão Presbiteriana, ainda hoje uma das principais escolas da cidade.

Ali, escrevendo e atuando numa peça, seu talento e vocação foram revelados para as artes performativas. Participou em programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, e até do movimento estudantil, curiosamente ligado ao Integralismo.

Começou a realizar filmagens (seu filme Pátio, de 1959, ao mesmo tempo em que ingressou na Faculdade de Direito da Bahia (hoje da Universidade Federal da Bahia, entre 1959 a 1961), que logo abandonou para iniciar uma breve carreira jornalística, em que o foco era sempre sua paixão pelo cinema. Da faculdade foi o seu namoro e casamento com uma colega, Helena Ignez.

Sempre controvertido, escreveu e pensou cinema. Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Era visto pela ditadura militar que se instalou no país, em1964, como um elemento subversivo.

No livro 1968 – O ano que não terminou, Zuenir Ventura registra como foi a primeira vez que Glauber fez uso da maconha, bem como o fato de, segundo Glauber, esta droga ter seu consumo introduzido na juventude como parte dos trabalhos da CIA (Agência Americana de Inteligência) no Brasil.

Em 1971, com a radicalização do regime, Glauber partiu para o exílio, de onde nunca retornou totalmente. Em 1977, viveu seu maior trauma: a morte da irmã, a atriz Anecy Rocha, que, aos 34 anos, caiu em um fosso de elevador. Antes, outra irmã dele morreu, aos 11 anos, de leucemia.

Glauber faleceu vítima de septicemia, ou como foi declarado no atestado de óbito, de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês, na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro, depois de ter sido transferido de um hospital de Lisboa, capital de Portugal, onde permaneceu 18 dias internado. Residia há meses em Sintra, cidade de veraneio portuguesa, e se preparava para fazer um filme, quando começou a passar mal.

Antes de estrear na realização de uma longa metragem (Barravento, 1962), Glauber Rocha realizou vários curtas-metragens, ao mesmo tempo que se dedicava ao cineclubismo e fundava uma produtora cinematográfica.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) são três filmes paradigmáticos, nos quais uma crítica social feroz se alia a uma forma de filmar que pretendia cortar radicalmente com o estilo importado dos Estados Unidos da América. Essa pretensão era compartilhada pelos outros cineastas do Cinema Novo, corrente artística nacional liderada principalmente por Rocha e grandemente influenciada pelo movimento francês Nouvelle Vague.

Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse seu temor. Para o poeta Ferreira Gullar, “Glauber se consumiu em seu próprio fogo”.

Com Barravento ele foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Tchecoslováquia em 1963. Um ano depois, com ‘Deus e o diabo na terra do sol, ele conquistou o Grande Prêmio no Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco.

Foi com Terra em Transe que tornou-se reconhecido, conquistando o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel na Espanha e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro. Outro filme premiado de Glauber foi O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel na Espanha.

Filmografia

  1. A Idade da Terra (1980)
  2. Jorge Amado no Cinema (1979)
  3. Di Cavalcanti (1977)
  4. Claro (1975)
  5. História do Brasil (1973)
  6. Câncer (1972)
  7. Der Leone Have Sept Cabeças (1971)
  8. Cabeças Cortadas (1970)
  9. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)
  10. Terra em Transe (1967)
  11. Maranhão 66 (1966)
  12. Amazonas, Amazonas (1965)
  13. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
  14. Barravento (1962)
  15. A Cruz na Praça (1959)
  16. Pátio (1959)

Sérgio Bianchi

Neto de Luís Bianchi, filho de Rauly Bianchi e irmão de Raul Bianchi, todos fotógrafos, cuja produção ao longo de um século foi responsável pela constituição de um dos mais importantes acervos fotográficos do Brasil, com cerca de 40 mil imagens em vidro.

Sérgio estudou cinema em Curitiba e posteriormente em São Paulo, onde se formou na Escola de Comunicações e Artes da USP, em 1972.

Em 1979, estreou seu primeiro filme longa-metragem comercial: Maldita Coincidência. O filme é uma experiência cinematográfica de baixo-orçamento, filmada integralmente num casarão em São Paulo. A idéia do filme surgiu quando Bianchi viveu em uma casa ocupada em Londres. Com ele, moravam pessoas de todas as tribos: desde hippies, punks, imigrados de várias partes do mundo, junkies, artistas e homossexuais. A prefeitura de Londres permitia a moradia, mas não recolhia o lixo, que se acumulava no entorno da casa. O filme de Bianchi retrata esse momento, e o traz para a São Paulo do final dos anos 1970, auge da ditadura militar, em que a única opção do “underground” era o desbunde.

Em 1982, Bianchi realizaria o filme que o tornaria célebre como um cineasta de crítica mordaz à burocracia, à burrice institucional, às mazelas da sociedade brasileira: Mato Eles?. Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Gramado e do Grande Prêmio do Festival de Cinema da Cidade do México, em 1985, o filme é uma denúncia da situação dos índios Xavante, Guaranis e Xetás, espremidos no meio de uma briga litigiosa entre o Grupo Slaviero, a Funai e o Governo do estado do Paraná. Expulsos de sua reserva, são obrigados à trabalhar no corte e extração de madeira de sua própria reserva, numa madereira criada pela Funai. Nem mesmo o próprio cineasta escapa da denúncia: a cena em que o cacique guarani pergunta ao diretor “quanto dinheiro ele ganha” pra filmar os índios pode ser considerada uma das mais emblemáticas do cinema brasileiro.

Em 1999, foi lançado o seu filme mais conhecido, Cronicamente Inviável, que aborda o caos social em diversas regiões e classes sociais do Brasil.

Finalmente, em 2004, dirigiu Quanto vale ou é por quilo? que traça um paralelo entre a situação do negro no Brasil, antes e após a escravidão e mostra que muito pouco mudou.

Em novembro de 2006, o cineasta retornou à sua cidade natal, onde foi homenageado com uma Mostra de seus filmes, pela primeira vez exibidos ao público conterrâneo.

Filmografia

  1. Os Inquilinos (Os incomodados que se Mudem) (2009)
  2. Quanto Vale Ou É Por Quilo? (2005)
  3. Cronicamente Inviável (2000)
  4. A Causa Secreta (1994)
  5. Romance (1988)
  6. Did I Kill Them? (1982)
  7. Maldita Coincidência (1979)

Fernando Meirelles

Seu pai é médico gastroenterologista e viajava com razoável freqüência para a Ásia e a América do Norte, entre outras regiões do mundo, o que fez com que Fernando Meirelles mantivesse contato com diferentes culturas e locais, acompanhando o pai. Aos 12 anos de idade, foi presenteado com uma câmera de filmar, e esse passatempo nunca mais foi abandonado.

Cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo durante a década de 1980. Elaborou seu trabalho de graduação na forma de um filme, diferentemente dos tradicionais projetos preparados por outros graduandos: viajou ao Japão e comprou um equipamento de vídeo profissional para preparar o trabalho. Apresentou-o e recebeu a nota mínima para graduar-se.

Junto com quatro amigos (Paulo Morelli, Marcelo Machado, Dário Vizeu e Beto Salatini), Meirelles iniciou sua carreira com filmes experimentais. Com o tempo, fundaram uma produtora independente, Olhar Eletrônico. Posteriormente, novos amigos se uniram ao grupo: Renato Barbiere, Agilson Araújo, Toniko e Marcelo Tas. Em 1982, a produtora levou ao ar programas de televisão sobre atualidades, assim como a série infantil Rá-Tim-Bum, com 180 episódios. Além de obterem uma alta popularidade, também introduziram nos noticiários uma informalidade humorística renovadora.

Nos fins da década de 1980, foi-se interessando cada vez mais pelo mercado publicitário. Em 1990, Meirelles e amigos fecharam a “Olhar Eletrônico”, abrindo uma empresa de propaganda, a O2 Filmes. Uma década foi o suficiente para que Meirelles se tornasse um importante e dos mais procurados produtores publicitários.

Em 1997, Meirelles leu o livro Cidade de Deus, de Paulo Lins e decidiu adaptá-lo para o cinema, o que se concretizou em 2002. Os atores foram selecionados entre os habitantes de favelas. De 400 crianças, 200 chegaram à etapa final e trabalharam no filme. A filmagem foi feita com técnicos profissionais. O filme teve sucesso nacional e internacional. Em 2004, Meirelles concorreu ao Oscar de melhor diretor com esse filme, mas não foi premiado.

Em 2006, recebeu quatro nomeações no Festival de Cannes: Melhor Diretor (Fernando Meirelles) – Melhor Argumento Adaptado – Melhor Fotografia – Melhor Montagem.

Como diretor do filme O Jardineiro Fiel, Meirelles fez questão de que a trilha sonora fosse baseada na música de países africanos, e grande parte das filmagens foi feita no Quênia. Esse foi o primeiro filme de Meirelles em língua inglesa.

Em maio de 2008, Blindness foi o filme de abertura do Festival de Cannes.

Em 2009, fez o video de candidatura do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos.

Filmografia

  1. Janis Joplin: Get It While You Can (2012) (pré-produção)
  2. Brazucas (2011) (série de tv)
  3. Som e Fúria – O Filme (2009)
  4. Som e Fúria (4 episódios, 2009) – série de tv
  5. Ensaio sobre a Cegueira (2008)
  6. “Cidade dos Homens” (4 episódios, 2002-2005) – série de tv
  7. O Jardineiro Fiel (2005)
  8. Cidade de Deus (2002)
  9. Domésticas – O Filme (2001)
  10. Palace II (2000)
  11. Menino Maluquinho 2: A Aventura (1998)
  12. E no meio passa um trem (1998)
  13. A Comédia da Vida Privada (1 episódio, 1997) – série de tv
  14. Castelo Rá-Tim-Bum”(30 episódios, 1989)  – série de tv
  15. Olhar Eletrônico (1986)
  16. Brasília (1983)
  17. Marly Normal (1983)

Bruno Barreto

Começou a tomar gosto pelo universo cinematográfico em casa, filho de Lucy e Luiz Carlos Barreto, fundadores da Produtora LC Barreto, responsável pela produção e co-produção de filmes de grande sucesso nacional e internacional já há mais de 40 anos em atividade no país. Dessa forma desde pequeno já demonstrava intimidade com a câmera ao realizar diversos curtas-metragens.

Sua atuação como diretor veio aos 19 anos, quando dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos, com Sônia Braga ao lado de José Wilker e Mauro Mendonça.

Ao combinar humor e sensualidade com doses certas, contou a história baseada no romance de Jorge Amado, e como resultado foi um grande sucesso nacional e reconhecido pela crítica, e com essa obra o diretor ganhou o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado de 1977. Lançado em 1976, Dona Flor se transformou no maior sucesso nacional de público com doze milhões de espectadores, só perdendo a liderança na década de 90 com o lançamento do longa-metragem Titanic, observe-se que apesar de um grande número de público a arrecadação não atingiu 10% do faturamento do filme Titanic.

Morou por nove anos nos Estados Unidos, estreou como diretor em Assassinato Sob Duas Bandeiras em 1990, estrelado por Amy Irving, sua esposa na época. Em seguida, dirigiu O Coração da Justiça em 1992. Três anos mais tarde ele trabalhou novamente com Amy Irving no drama romântico Atos de Amor.

Em 1998, filmou Entre o Dever e a Amizade, com Stephen Balwin.

Em 1996, volta para o Brasil para dirigir O Que é Isso Companheiro?, com grande elenco formado por Fernanda Torres e Pedro Cardoso, entre outros. Foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Ao retornar à cidade natal filmou e dirigiu a comédia romântica Bossa Nova em 2000, tendo o Rio e a música popular brasileira dos anos 60 como elementos centrais da história e contando com talentos como Amy Irving, Antônio Fagundes, Drica Moraes e Débora Bloch. O longa-metragem representou o Brasil como “Hors Concurs” no Festival de Berlim no ano 2000.

Filmografia

  1. Última Parada 174 (2008)
  2. Caixa Dois (2007)
  3. O Casamento de Romeu e Julieta (2005)
  4. Voando Alto (2003)
  5. Bossa Nova (2000)
  6. One Tough Cop (1998)
  7. O Que É Isso, Companheiro? (1997)
  8. Carried Away (1996)
  9. The Heart of Justice (1992) (TV)
  10. A Show of Force (1990)
  11. Romance da Empregada (1987)
  12. Além da Paixão (1985)
  13. Gabriela, Cravo e Canela (1983)
  14. O Beijo No Asfalto (1981)
  15. Amor Bandido (1979)
  16. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)
  17. A Estrela Sobe (1974)
  18. Tati, A Garota (1973)
  19. Emboscada (1971)
  20. Este Silêncio Pode Significar Muita Coisa (1970)

Hector Babenco

Hector Eduardo Babenco nasceu em Mar del Plata, no dia 7 de fevereiro de 1946. É um cineasta argentino-brasileiro de ascendência judaico-ucraniana. Nasceu na Argentina e radicou-se no Brasil aos dezenove anos de idade. É naturalizado brasileiro desde 1977.

Trabalhou como figurante em filmes dos diretores espanhóis Sergio Corbucci, Giorgio Ferroni e Mario Camus.

Foi indicado ao Oscar em 1985 pelo seu trabalho no filme “O Beijo da Mulher Aranha”.

Filmografia

  1. O Passado (2007)
  2. Carandiru, Outras Histórias (2 episódios) – série de tv
  3. Carandiru (2003)
  4. Coração Iluminado (1996)
  5. Brincando nos Campos do Senhor (1991)
  6. Ironweed (1987)
  7. O Beijo da Mulher Aranha(1985)
  8. A Terra é Redonda Como uma Laranja (1984)
  9. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1977)
  10. Lúcio Flávio – OPassageiro da Agonia (1977)
  11. O Rei da Noite (1975)

Todos os textos foram extraídos da Wikipédia (com pequenas adaptações e alterações) e as filmografias, do IMDB.

6 Respostas to “O Clube dos Cinco”

  1. heitoromero 05/09/2010 às 1:41 PM #

    Excelente Artigo! O Brasil tem grandes chances de crescer cada vez mais com esses caras. Meu preferido é o Meirelles!

  2. Mateus Silva 05/09/2010 às 6:30 PM #

    Cadê o Sganzerla?
    tsc tsc tsc

    Meirelles?
    tsc tsc tsc [2]
    tenho um pé atrás quanto a ele só por causa de Cidade de Deus, que é o único que vi dele.

    • Vinícius De Vita 05/09/2010 às 6:39 PM #

      Cara, o Babenco nem brasileiro é. Tá meio fraca essa seleção ae. Falta Walter Salles, Fábio Barreto, o próprio Sganzerla. Mas enfim…

      • Vinícius De Vita 05/09/2010 às 6:41 PM #

        Ah, fiz essa seleção ae pra um trabalho mesmo…pra quem não sabe.

  3. Mateus Silva 05/09/2010 às 6:46 PM #

    Pessoal do Anglo, coloquem o Sganzerla em seus trabalhos.

  4. luis otavio 05/09/2010 às 6:47 PM #

    eu gosto do Bruno Barreto . ^^

    Ok, não.

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