17 Outra Vez (2009)

14 set

Direto ao ponto: 17 Outra Vez não é um filme que preza pela originalidade. Dirigido pelo novato Burr Steers, este marketing do ator (!) Zac Efron é repleto de estereótipos e clichês, sua trama é chupada de outros filmes, e até mesmo a lição de moral já foi exaustivamente utilizada por Hollywood. Felizmente, o climão de Sessão da Tarde e o bom humor presentes garantem um entretenimento razoável para os menos exigentes.

Na trama, Efron é Mike O’Donnell, um garoto que, aos 17 anos, está no auge de sua vida. É o astro do time de basquete, popular, apaixonado e está prestes a conseguir uma bolsa em uma universidade, graças ao seu talento para o esporte. É durante o jogo que irá decidir seu futuro que Mike descobre a gravidez de sua namorada. Como é um bom menino (para o suspiro garantido das adolescentes da plateia), ele decide abandonar o basquete, a faculdade e, praticamente, seu futuro, para ficar com a garota que ama e dar início a uma família.

Vinte anos depois, Mike é vivido por Matthew Perry, um homem que, com quase 40 anos de idade, alcançou muito pouco em sua vida. A garota com quem se casou agora quer o divórcio e os dois filhos adolescentes do casal vivem suas vidas tentando ignorar a existência dos pais.

É nesse contexto que Mike volta a ter 17 anos. Um dia, após uma estranha conversa com o zelador de sua antiga escola, ele volta a sentir a vitalidade de um adolescente. A diferença aqui é que, ao invés de voltar ao passado, Mike tem 17 anos no presente e deve conviver com os próprios filhos enquanto estuda e tenta reconquistar o que perdeu quando era jovem.

O ponto de partida, como já foi dito, não possui um respingo de originalidade, tanto que já foi abordado em filmes como De Repente 30 (uma mancha na carreira de Jennifer Garner), Tal Pai, Tal Filho, Sexta-feira Muito Louca, etc. Excetuando o fato de ser mais pop que o comum, não é sentida nenhuma diferença se o espectador optasse por assistir qualquer uma destas produções ao invés deste 17 Outra Vez.

Zac Efron, mais conhecido pela série High School Musical, prova o quão apático consegue ser em cena. Novamente reprisando as caras e trejeitos de seu personagem na trilogia da Disney, o ator teen, tão amado pelas garotas juvenis, impressiona pela total isenção de carisma. Ele nada mais faz do que mostrar seu corpinho sarado e usar seu rosto bonito para se fingir de modelo. É a prova de que beleza não é suficiente. É preciso talento.

A salvação vem por conta do restante do elenco, destacando Leslie Mann, que possui uma ótima química com Perry/Efron. E por falar nele, é difícil não se lembrar de seu personagem da famosa série Friends. Mas diferente de Efron, o ator possui um excelente talento cômico, e se sai bem em seu pouco tempo em cena.

Thomas Lennon, que interpreta o nerd, é o principal responsável pelas boas risadas proporcionadas pelo filme. Suas tentativas de conquistar a diretora da escola de Mike, interpretada pela também ótima Melora Harding, estão entre as melhores coisas que o filme tem a oferecer. As homenagens a O Senhor dos Anéis protagonizadas pelos dois são outros momentos que merecem destaque no longa, principalmente pela comicidade com a qual é trabalhada.

Mas nem esse elenco talentoso (com exceção de Efron, claro) é capaz de salvar o fraco roteiro de Jason Filardi (do divertido A Casa Caiu), que não poupa o uso de estereótipos e clichês a fim de “encantar” o espectador. A direção leve e descontraída de Burr Steeers ajuda, dando ao longa um ritmo mais adequado, e que permite a nós aguentar a montanha de obviedades presentes. O diretor se sai bem em muitas cenas, tanto nas agitadas (a luta com os sabres de luz é ótima!) quanto nas mais sensíveis.

Outro grande acerto do filme é sua trilha sonora, que apresenta faixas agradabilíssimas, como Naive, da ótima banda The Kooks, The Greatest, interpretada por Cat Power, entre outras. Para o publico jovem (principal consumidor de produções deste estilo), é uma boa pedida.

17 Outra Vez é divertido, possui um bom nível de humor, mas a falta de originalidade e o uso excessivo de clichês, além da previsibilidade, acabam sendo um grande empecilho. Recomendado para uma tarde de chuva quando você não tiver nada para fazer.

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