2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano (2005)

18 set

Era difícil acreditar, na época, que pudesse sair algo bom de um filme sobre a vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. O cinema brasileiro já havia lançado milhares de histórias de vida similares, o que apontava que este seria apenas mais um dentre o mar de produções sobre a superação de vida.

Ao estrear, 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano bateu recordes de bilheteria, feito que aconteceu graças aos fãs da dupla. Pronto, estava armado o cenário para a crítica cair matando em cima do filme, reduzindo-o a apenas mais um lixo brasileiro feito para arrecada milhões aos estúdios e para a dupla de cantores.

E se existe uma coisa que eu sempre admirei na arte da crítica, é que este oficio exige sinceridade completa de quem está avaliando. É preciso deixar de lado qualquer preconceito que você tenha (seja pelos atores ou pelo diretor), e avaliar a obra como ela é. E é com felicidade que digo que a crítica conseguiu enxergar o que 2 Filhos de Francisco é, na verdade: um filme muito bom, tocante, divertido, e acima de tudo, emocionante.

Sim! O longa do estreante Breno Silveira, apesar de alguns deslizes bobos, é uma produção surpreendentemente agradável, que supera até outras cinebiografias brasileiras que prometiam muito mais em termos de qualidade.

Mencionar a sinopse aqui é algo desnecessário, visto que todos já conhecem a trajetória de vida da dupla, que apesar de já ter sido vista e revista inúmeras vezes, não deixa de ser real. Mérito de Breno Silveira, que não se deixou levar pela tentação melodramática, e realizou uma obra sincera, que não apenas mostra, mas também denuncia a pobreza dos sertões.

A primeira parte do filme, que foca a história de Seu Francisco (Ângelo Antonio), Mirosmar (Dabliu Moreira) e Emival (Marco Henrique), é, de longe, o que a produção possui de melhor. Tudo é muito bem desenvolvido, e o espectador consegue entender as ações do pai (que, diga-se de passagem, são absurdas) e seu gosto pela música. O humor nordestino também está presente, sem soar escrachado ou forçado. Nesta primeira parte, a parte técnica exala uma beleza encantadora, seja pela fotografia de André Horta e Paulo Souza, que usa e abusa dos tons verdes e marrons do sertão, seja pela trilha sonora escolhida a dedo por Caetano Veloso, que casa perfeitamente com cada cena, ou então pela edição de Vicente Kubrusly.

É quando chegamos à segunda parte, mais especificamente quando começa a jornada de Mirosmar e Luciano (Thiago Mendonça), que o filme apresenta algumas quedas. O ritmo se torna mais apressado, a música surge de maneira exagerada, os clichês se tornam incômodos, o clima fica sério demais (conseqüentemente, o humor se perde), e etc. Resultado: é uma segunda parte cansativa, irregular, que não faz jus a excelência do primeiro ato.

Felizmente, o longa ainda possui qualidades suficientes para se sobrepor a todos estes defeitos. Entre estes méritos, destacam-se as atuações, onde quase todo o elenco se mostra bastante a vontade em seus papes. Ângelo Antonio e Dira Paes, que interpretam os pais da dupla, possuem presenças enérgicas, que nos fazem torcer por eles e pelo sucesso de sua família. Dabliu Moreira e Marco Henrique, intérpretes dos “Sabias do Sertão”, roubam a cena, apresentando um grande nível de carisma e simpatia.

Entre os pontos negativos do elenco, temos Marcio Kierling, que possui grande semelhança física com Mirosmar, mas apenas isso. Thiago Mendonça apenas faz o dever de casa, enquanto que Paloma Duarte surge fria e sem vida como Zilu, esposa de Mirosmar.

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