Caminhos Perigosos (1973)

18 set

Uma obra visceral, a primeira parceria de Scorcese com De Niro e um dos melhores finais que o diretor já nos proporcionou até hoje. A abertura, em off, por si só já é uma das melhores que Scocese já produziu, o decorrer da obra é maravilhoso e o final é realmente o ápice que engrandece tudo a que assistimos durante aquela hora e meia.

Caminhos Perigosos narra os acontecimentos diários de quatro amigos nada “certinhos” que vivem entre apostas, boates, tráfico e a máfia. Dois deles são o centro da trama, Charlie (Harvey Keitel) e Johnny Boy (Robert De Niro). Charlie é o gângster ascendente, o cara que quer fazer parte da “família” ser um cara fodão como o tio. Johnny Boy é apenas um perdido, endividado e maluco (literalmente) que arrisca tudo por nada. Ambos são os melhores amigos, só que Charlie precisa crescer e para crescer precisa “eliminar’ os maus elementos de seu caminho, e Johnny Boy é um dos maiores. E pra completar, Charlie é apaixonado pela prima de Johnny, que tem epilepsia e causa preconceitos ignorantes em seu tio (provável chefão de máfia). Portanto, Charlie se vê em um beco sem saída, onde para se tornar o que quer tem que perder todos os amigos e amantes, e se quiser ficar com eles nunca será o que almeja.

Scorcese, no comecinho (mesmo) de sua carreira trata deste filme como o próprio vivera sua infância em Little Italy, de forma o mais próxima do real possível (o que traria pro resto de sua carreira). A câmera está “na mão” durante provavelmente 85% do filme, o ar documental não é soberano, mas faz com que o filme se desenvolva de forma o mais natural possível. O modo com que o diretor conduz os acontecimentos quebra qualquer barreira narrativa (já que não é um filme muito “corrido”), deixando a lentidão das cenas algo imperceptível, pela riqueza das mesmas. O ultra-realismos alcançado pelo “baixinho” diretor impressionam, pelo fato de estar apenas começando, e deste ser seu primeiro filme “sarjeta”. Em cenas onde De Niro e Keitel dão porrada em um monte de gente ou se esbofeteiam, parece que agente está ali do lado, ou presenciando Charlie bater na cara de Johnny ou dando porrada numa galera junto com eles.

A trama se desenrola como se desenrolam nossas vidas, de forma instantânea, sem que agente preveja muita coisa a não ser o óbvio. E aqui, o óbvio está explicitamente mostrado em todos os atos que Johnny Boy pratica e de todas as ações que Charlie omite de seu tio. Está também, nos claros avisos pronunciados por seu tio, homem sábio e arcaico, e que Charlie insisti em não ouvir. E é num conjunto de obviedades que toda a trama corre para seu não muito óbvio fim, até porque, agente pode prever o que nossas ações podem causar no futuro, mas não podemos prever como o futuro reagirá a elas. E é nesse conjunto de ações erradas e caminhos perigosos (a-há,eu tinha que usar o título do filme neste texto mermo) que os personagem se encaminham para seu destino provável, porém incerto. E como ninguém no filme é super herói ou sabe todas as artes marciais ou anda com 200 kg de armamento, o fim nada mais é do que algo palpável e bonito, tanto para história como para estética. E com um lindo banho de sangue natural e espantador, Scorcese encerra seu primeiro filme, que não é uma obra-prima mas chega a beirar tal status.

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