Dia de Treinamento (2001)

19 set

O filme que deu o Oscar pra Denzel Washington e só. Aparentemente esse foi o único motivo pelo qual as pessoas decidirão e até hoje decidem ver esse filme. Eu não dou bola pra Oscar nenhum, então estava me f*dendo e tals. Mas ai me pego a noite, com o jogo horrível do meu time e decido mudar de canal, ai chego até um (sem jabá aqui, certo?) que está exibindo Dia de Treinamento bem no comecinho. “Vou ver, quem sabe não tenha algo mais do que uma atuação oscarizada”, penso eu. E, mermão, tem muito mais que uma simples atuação de Oscar. “Training Day” é um filme que ultrapassa tudo isso, um filme que demonstra solidez até o ultimo frame, assustadoramente realista que te arrasta pra junto daquele cotidiano, mesmo você nunca tendo vivido nada parecido. É um trabalho competente, que se inspira num estilo quase documental de filmar, não com câmera na mão, mas no realismo visual, com cenários, pessoas e a tão necessária ação. Junto com tudo isso, “Dia de Treinamento” torna-se uma produção extremamente real. E baseando-se na proximidade dos personagens para com o espectador, o diretor Antoine Fuqua cria um rito de passagem quase que inspirado diretamente em A Morte Pede Carona: começa bem e termina super f*da.

Alonzo é um cara filho da p*ta. Um policial corrupto até os dentes, escroto no modo de agir, andar, falar, etc. Jake é um cara legal, aparentemente incorruptível, que apenas quer se tornar detetive. A vida de Jake cruza com a de Alonzo em um dia comum que acaba virando o “dia de treinamento”. Daí pra frente, passamos e convivemos um dia inteiro com ambos os policiais (o filme se passa em tempo real, ou quase). E com o passar da película, crimes acontecem, corrupções viram coisas normais e sangue e porrada são o que há.

O único estudo do filme são só dois personagens centrais, Jake (Ethan Hawke) e Alonzo (Denzel Washington), mais nada. O mesmo ocorre com A Morte Pede Carona, onde só os dois personagens principais importam. Fora eles, pessoas morrem, crimes são cometidos, mulheres gritam e você (espectador) só quer saber do destino dos dois caras que apareceram primeiro. O mesmo acontece aqui: pessoas apanham, gritam, são abusadas e o que achamos? Nada. Queremos saber é de Jake e Alonzo. Se eles se sairão bem, se ficarão vivos, se baterão devagar ou forte, e é isso que deixa a dinâmica do filme maravilhosa. A todo o momento alternamos de um ponto de vista a outro. Alonzo é mau e não esconde, força Jake a fazer coisas que ele não quer, apresenta-lhe a maconha, aponta-lhe a arma e transforma sua vida num inferno escroto. Jake é um cara legal que quer subir na vida e que não sabe se o que Alonzo faz é realmente certo por causa da “lei das ruas” ou se é tudo uma corrupção f*da e que ele está ali por engano. Jake concede a Alonzo o benefício da dúvida e quando chegamos ao clímax do filme, ele e todos nós (acredito que todos que assistem, também estão apenas achando que Alonzo é um cara mau mas que faz aquilo pelo bem) ficamos boquiabertos (ou não) e descobrimos que não há lei de rua no mundo que faça Jake se virar contra o que é certo.

Após o clímax que nos faz acordar pra o que realmente está acontecendo, a sucessão de eventos é o que deixa o filme a um passo de ser uma obra-prima. O ritmo inicial continua, mas com um nível de tensão ainda maior, e em alguns momentos cenas maravilhosas deixam tudo a beira da perfeição. Como a cena da mesa de pôquer ou a própria luta final. O longa acaba se tornando porradeiro, com 100% de testosterona e com uma lição de moral como brinde. Mas é uma moral natural, a “ética”. Jake não entrega a sua, ele se corrompe, como todos nós o fazemos dia após dia, mas não vende nem se livra de uma moral tão necessária para o ser humano e que acabou sendo esquecida nesses últimos séculos por ele. Enfim, sem muitos maneirismos, o filme é muito bom, não é uma obra prima, até porque a simplicidade da produção acaba não o deixando traçar caminhos maiores e, portanto, acaba propondo algo e só cumpre esse algo, sem nada de mais grandioso a acrescentar. Mas pra quem quer ligar testosterona a momentos inteligentes, Dia de Treinamento é uma boa pedida. Eu adorei e recomendo, não só por causa de um Oscar ganho e outro perdido (ator coadjuvante), e sim, pelo que cerca todas as duas grandiosas atuações.

Uma resposta to “Dia de Treinamento (2001)”

  1. paola 12/04/2011 às 9:59 PM #

    ola se puder me ajudar faço curso de ingles e preciso entregar p sabado uma redaçao dizendo quais palavroes ou taboo language sao usados neste filme dia de treinamento me mande um email se souber, obrigado, abçs.

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