Tempos Modernos (1936)

24 set

Seja pela comédia irreverente, seja pela feroz crítica ao capitalismo em ascensão, ou até mesmo pelo mero prazer de ver Carlitos “em ação”, Tempos Modernos traz o melhor do melhor personagem da carreira do grande Charles Chaplin. Poucas comédias conseguem aproveitar tão bem os momentos certos para trazer uma piada acompanhada de grandes significados. Afinal, as melhores comédias são aquelas que têm algo a dizer ou a expor. Sendo assim, esse filme é nota 10 em todos os temas que aborda.

O que podemos dizer de Tempos Modernos? Ele traz mais do mesmo da maior parte da filmografia de Chaplin, e isso é o seu maior atributo. Por mais que se pareça em muitos momentos a outros filmes do diretor, esse ainda consegue ir um pouco além ao que diz respeito a uma sátira ácida contra a sociedade. O título do filme já indica que a modernidade é o alvo das tiradas de humor, assim como consegue ser seriamente criticada em meio a tantas cenas cômicas. Dessa vez vemos Carlitos sendo explorado numa fábrica, onde trabalha feito escravo e acaba ficando louco, indo para um manicômio, sendo confundido como um comunista e por aí vai.

A forma como o filme aborda o dia a dia de uma fábrica repleta de trabalhadores explorados é de extrema precisão. Tudo, obviamente, é maquiado pelas trapalhadas cometidas por Carlitos o tempo todo. E toda essa comédia ganha muito mais intensidade e humor quando se consegue captar a essência do que ela deseja passar (e desta vez o diretor não usou de muita sutileza). O capitalismo é severamente insultado, principalmente quando o filme mostra o contraste entre a situação precária dos trabalhadores e a situação cômoda e confortável do dono da fábrica, que enriquece a cada minuto que se passa em cima da exploração de seus empregados. Depois de ficar louco de tanto trabalhar, Carlitos ainda é tratado como o culpado de tudo pela sociedade, que repudia suas lamentações.

De uma forma um tanto precisa e estrategicamente planejada, podemos ver uma abordagem corajosa sobre o comunismo. Na época em que esse filme foi lançado havia uma enorme tensão entre comunistas e capitalistas, e pelo fato de EUA ser um país capitalista, era comum haver censuras a pessoas que pensassem diferente das teorias desse sistema. Na própria Hollywood havia uma séria tensão, onde ocorreu a famosa “caça às bruxas”, onde os próprios diretores dedavam seus colegas que pensassem de uma maneira mais puxada ao socialismo. Sendo assim, era necessária muita coragem em realizar um filme tão revelador como Tempos Modernos, que mostrava sem pestanejar que seres humanos eram mais importantes do que as máquinas e seus lucros.

Ignorando as censuras e se atrevendo a criar uma obra tão ousada, Chaplin provou que seus ideais eram mais importantes do que fazer um filme dentro dos padrões aceitáveis em Hollywood. Mais do que um insulto ao cinema americano, esse filme foi uma provocação ao governo da época. E mesmo sendo tão polêmico, conseguiu conquistar uma multidão de fãs por todo o mundo, provando que Chaplin não era o único a pensar daquele jeito. Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de um filme comunista, mas sim de um trabalho corajoso o suficiente para se colocar contra o capitalismo compulsivo e destruidor. Infelizmente, muitos não viram suas reais intenções, e Chaplin foi taxado como comunista, assim como seu personagem é confundido como um durante determinado momento da trama.

Mas para aqueles que não se interessam por política ou por contextos históricos, Tempos Modernos continua valendo como uma deliciosa comédia. Cada cena que se passa consegue ser mais divertida que a anterior, e Carlitos transborda carisma e inteligência em cada movimento seu. Dessa forma, esse filme consegue atingir a todos, uns mais profundamente e outros de forma mais superficial, mas sempre com êxito em divertir e se infiltrar em nossa memória. Por isso é esse clássico tão inesquecível que permaneceu tão famoso diante da passagem de tempo, e com certeza prevalecerá como uma das maiores comédias de todos os tempos.

3 Respostas to “Tempos Modernos (1936)”

  1. luis otavio 24/09/2010 às 10:24 PM #

    tão, mais tão genial.
    o final é triste, engraçado, critico, enfim, chorei não nego haha.

    ótimo texto!

  2. Rafael Oliveira 25/09/2010 às 7:45 PM #

    Está no meu TOP ;)

  3. Renan Marino 30/09/2010 às 12:19 AM #

    Vi uma vez no colégio. É perfeito!

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