Especial: O Poderoso Chefão – Parte I

5 out

Ficha Completa:

Diretor: Francis Ford Coppola

Roteirista: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em romance de Mario Puzo

Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire e John Cazale.

Diretor de Fotografia: Gordon Willis

Produtor: Albert S. Ruddy

Trilha Sonora: Nino Rota

Edição: Peter Zinner, William Reynolds

Desenhista de Produção: Dean Tavoularis

Direção de Arte: Warren Clymer

Figurino: Anna Hill Johnstone

Maquiagem: Dick Smith

Prêmios e Indicações:

Globo de Ouro:

Indicado para Melhor Ator Coadjuvante (James Caan), Melhor Ator – Drama (Al Pacino), e vencedor de Melhor Ator – Drama (Marlon Brando), Melhor Filme – Drama, Melhor Trilha Sonora (Nino Rota), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola) e Melhor Roteiro (Francis Ford Coppola, Mario Puzo).

Oscar:

Vencedor nas categorias de Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. Indicado também nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (James Caan, Robert Duvall, Al Pacino), Melhor Figurino (Anna Hill Johnstone), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola), Melhor Montagem (Peter Zinner, William Reynolds), Melhor Som (Charles Grenzbach, Richard Portman, Christopher Newman) e Melhor Trilha Sonora Original (Nino Rota).

Critica:

Existe uma linha tênue que separa o subestimado do superestimado. Certos filmes sofrem injustiças. Outros acabam recebendo mais atenção do que merecem. O fato é que, no cinema de antigamente, era fácil vermos o nascimento de clássicos e obras-primas, já que nesta época, o cinema era visto como deveria ser visto: não apenas um veiculo capitalista, e sim como um meio de transmitir algo, seja uma simples experiência, seja para levar alguma mensagem para quem assiste.

Alguns filmes envelhecem, e acabam perdendo seu impacto com o passar do tempo. Outros conseguem o feito de manter sua magnitude e preservar sua força até os dias de hoje. Por isso, não é a toa que, quando mencionamos O Poderoso Chefão, muitos cinéfilos, especialmente os mais nostálgicos, se emocionem ao lembrar-se da importância deste para a historia do cinema. Produções como esta não permanecem anos a fio com seu status por mero acaso.

Antes, quero fazer uma pequena introdução sobre o elenco. Atualmente, é difícil vermos um filme contando com um elenco de encher os olhos como este. Para se ter uma idéia, o protagonista do filme é interpretado pelo grandioso Marlon Brando, que foi considerado pela Paramount como não-ideal para o papel-título. Outro grande nome presente é Al Pacino, na época um ator ainda desconhecido, que passou a perna em vários atores para ficar com o papel de Michael Corleone. Detalhe: os produtores desejavam que este personagem fosse uma típica estrela de cinema, com pinta de galã e cabelos loiros. Outros nomes de luxo (conseguidos graças à teimosia de Coppola) são Robert Duvall, James Caan, Martin Sheen, Diane Keaton, Talia Shire… Enfim, um elenco grandiosos para um filme igualmente majestoso.

Baseado no livro de Mario Puzo (que também assinou o roteiro, e cujas vendas explodiram após o lançamento do filme), o filme narra a história da família Corleone. Mas especificamente, o filme põe seu foco nos personagens Don Vito Corleone (Brando) e Michael Corleone (Pacino). A família Corleone é uma das famílias mafiosas dos EUA, fato comprovado logo na abertura do filme, quando vemos um homem se ajoelhando diante de Vito Corleone, pedindo-lhe um favor que envolve honra e justiça, e logo depois lhe beijando a mão. Enquanto que Vito Corleone administra os negócios da família, Michael Corleone surge como aquele pretende ser o “fator diferencial” da família. Seu desejo não é seguir os passos do pai, mas sim ter sua própria vida, uma vida normal.

Coppola realmente soube como definir cada personagem da película. O espectador sabe quem é quem, sabe como aquela pessoa pode agir, sabe como pode ser a atitude da pessoa dependendo da situação. Todos ali, desde os protagonistas até o maior dos coadjuvantes, possuem um papel importante, uma função significativa dentro da trama.

Não é apenas o elenco e seu desenvolvimento que impressionam. A equipe técnica, formada por grandes nomes, realiza um trabalho fenomenal. O diretor de fotografia Gordon Willis realiza um trabalho impecável na composição das luzes, utilizando tons dourados misturados com uma entonação mais escura, que conseguiram transmitir perfeitamente a atmosfera pesada que cerca a família Corleone. O trabalho é tão magnífico que Willis recebeu o apelido de “Príncipe das Sombras” titulo que lhe acompanhou durante todo o restante de sua carreira.

A trilha sonora, composta por Nino Rota se tornou referencia para todos os filmes de gangsteres que foram surgindo em seguida. Trata-se de uma composição forte, marcante, reconhecível mesmo aos ouvidos daqueles que nunca viram o filme. A montagem de Peter Zinner faz com que os 175 minutos de filme passem voando, tamanho o nível de atenção que o filme arranca do espectador. Destaque também para o figurino desenhados por Anna Hill Jonhstone e a estupenda direção de arte de Warren Clymer.

Mas não são estes acertos técnicos que fizeram O Poderoso Chefão ser o que é. O filme apresenta uma sucessão de cenas marcantes, cada uma mais impressionante do que a outra. Isso mostra o quão Coppola foi firme na condução de seu filme: cada momento, cada cena, cada frame é como se fosse o clímax do filme. O nível de tensão é enorme, e cada momento surge como algo espetacular, divino, inesquecível como um todo. Isto sim fez este filme ser o que é: sua capacidade de enraizar cada momento na mente de quem assiste.

Quanto às atuações, o cinema nunca viu algo de tão majestoso. Elogios a Marlon Brando e Al Pacino são dispensáveis, já que os dois apresentaram aquelas que talvez sejam as maiores performances que o cinema já viu. Impressionante é a composição do personagem Brando, desde sua voz rouco, mas determinante, até sua postura e modo de olhar. Brando torna Vito Corleone um vilão intimidador, mas também alguém pelo qual é impossível não torcer. O mesmo vale para Pacino, cujo bem-estar no papel é bastante visível. Todo o restante do elenco também se mostra perfeitos em seus papéis, destacando Robert Duvall e Diane Keaton.

O que mais dizer pode ser dito sobre O Poderoso Chefão? Muita coisa, mas nada que seja capaz de esclarecer a magnitude desta inigualável obra-prima do cinema. Inesquecível.

5 Respostas to “Especial: O Poderoso Chefão – Parte I”

  1. heitoromero 05/10/2010 às 11:01 PM #

    Rafaeeeel! De onde surgiu essa inspiração divina pra fazer um especial tão avassalador???? Tão grandioso qto o filme foi seu especial! Parabéns!

  2. Rafael Oliveira 05/10/2010 às 11:24 PM #

    Nossa, até me emocionei agora. Muito obrigado, Heitor! Mas duvido que meu texto possa ser igualado a este majestoso filme. Simplesmente divino.

  3. Renan Marino 06/10/2010 às 2:19 AM #

    De fato, é dificil traduzir a importância deste filme para a história do cinema. E é impressionante como, até hoje, ele permanece como um dos maiores clássicos que o cinema já fez.

    Belissimo texto, Rafael!

  4. Edward Kollisiom 08/10/2010 às 1:35 AM #

    Uma autêntica pérola da sétima arte. Absurdamente imortal.

  5. luis otavio 06/11/2010 às 11:33 PM #

    e a parte 2? hahaha

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: