O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?

31 out

Nessa segunda parte de nossa série de entrevistas, Alexandre Koball nos trará sua opinião a respeito do encanto e do poder do cinema na vida das pessoas. Koball é editor e fundador do site Cineplayers, e declara-se apaixonado por cinema há pelo menos uma década. Desde que o site começou suas atividades, em 2003, ele já criticou mais de 300 filmes, usando sempre sua visão afiada na hora de estabelecer um “veredito”. Ao longo dos anos veio conquistando fãs e admiradores por meio da paixão pela sétima arte.

Confira abaixo a entrevista:

Sindicato – Alexandre, você diz que se apaixonou pelo cinema há mais de uma década. Sendo assim, como você descreveria o cinema do seu ponto de vista?

Koball – Sim, é verdade. O cinema começou como um hobby (antes, eram os games) e virou uma paixão, uma forma de conhecer e me aprofundar sobre a vida, sentir emoções que somente através dele poderia sentir ou, esporadicamente, entreter-me.

Sindicato – Algum filme em especial pode ser considerado como o responsável por essa paixão pelo cinema?

Koball – A nova versão de Star Wars, apesar de hoje vê-la como filmes inferiores à trilogia original, me despertou esse sentimento. O tom épico que foi dado aos filmes em 1999 e 2002, a expectativa, a ansiedade, tudo isso contribuiu. Depois veio a trilogia O Senhor dos Anéis, que pegou tudo isso e jogou a níveis exponenciais. A partir daí vieram Trier, Kurosawa, Scorsese, e a lista segue…

Sindicato – Seu gosto pelo cinema o levou a fundar um site sobre o tema juntamente com outros cinéfilos. O que envolveu a criação desse site, desde os primeiros passos até a popularidade alcançada por ele hoje?

Koball – O que envolveu foi essa paixão crescente, a necessidade de ir além de assistir filmes. Sozinho, fazer algo assim era muito difícil, mas ao juntar quatro amigos de Internet com o mesmo sentimento, não apenas foi fácil (apesar dos desafios), como ajudou e muito a aumentar o conhecimento e a paixão sobre cinema. Desde o começo tudo que diz respeito ao site foi conquistado com nosso próprio trabalho, não ganhamos nada, jamais, e isso de certa forma nos motivou. A partir de 2003 foi um crescimento constante. Naquela época já existiam sites de cinema e não prevíamos que iria dar tão certo (era apenas um sonho), mas com a resposta dos leitores, a motivação para insistir e prosperar foi constante e aí vieram a segunda e a terceira versões. Pretendemos dar continuidade a tudo isso enquanto houver paixão.

Sindicato – Hoje a popularidade e a qualidade do site se devem a o quê?

Koball – Tentamos fazer o que os leitores gostam, na medida do possível. Temos milhares deles, apaixonados por cinema, e direcionamos o conteúdo do site e suas seções e funcionalidades ao que eles querem. Antes não era assim, a gente fazia o que achava que era melhor. Felizmente deu certo pois somos cinéfilos também e se a gente gostava então a maioria dos cinéfilos gostariam também, digo, com relação aos tops, críticas de clássicos, estilo dos fóruns. Mas hoje, até pela concorrência, estamos direcionando nossos esforços, mais do que nunca, a atender aos pedidos dos leitores. Por isso tantas promoções, cadastros direcionados aos leitores, implementação de funcionalidades que os leitores gostariam de ver. Misturamos isso ao que existe desde o começo do site, não queremos perder nossa essência também, e fazer algo seguindo a moda (no caso, mídias sociais), pois a moda sempre muda, já o cinema, acreditamos, é eterno.

Sindicato – Você nunca cursou nada a respeito de cinema ou a respeito de escrita. Então de onde vem essa habilidade incrível em criticar os filmes com um aspecto tão profissional?

Koball – Não me considero tudo isso, nem de longe. Como o site é muito popular, é fácil encontrar quem goste, na mesma proporção de quem critica negativamente. É o que acontece quando você se expõe publicamente. Mas, se há qualidades, acredito que elas venham de três coisas: paixão pelo cinema, pela leitura e pela escrita. Qualquer um que tenha isso dentro de si não precisa de formação acadêmica, nesse caso.

Sindicato – Sua postura indica que você tem uma opinião bem formada sobre todas as facetas do cinema. Então, com sinceridade, quais são os defeitos existentes nesse ramo?

Koball – O maior defeito, infelizmente, é o que faz ele ir em frente. É a questão comercial, fazer os filmes pelo dinheiro, atropelando o amor, ignorando a qualidade. Isso existe há décadas mas está muito forte hoje, mais do que nunca quase tudo é negócio, necessidade de faturamento. Mas, sem dinheiro, não dá para fazer os filmes verdadeiramente bons, a não ser com recursos particulares, e nesse caso seriam pouquíssimos os cineastas envolvidos na construção de obras-primas.

Sindicato – Quais são suas preferências no cinema? Diretores, atores, gêneros…

Koball – Amo o cinema de terror ou suspense, aquele que faz arrepiar a espinha, por isso sou apaixonado por Hitchcock, Polanski, e através do próprio site e dos próprios leitores e outros editores, pude experimentar muitas coisas novas nesse gênero. Mas também amo os épicos, por isso minha admiração por Ben-Hur, Senhor dos Anéis, etc. No fim das contas, fica impossível definir minhas preferências.

Sindicato – Qual sua opinião a respeito do cinema nacional?

Koball – Está decolando, finalmente. Ganhando variedade e grande público. Precisaria se desvencilhar do monopólio da Globo Filmes, ter um segundo nome com sua força, aí sim, seria questão de tempo até ele atingir as alturas.

Sindicato – Se você pudesse escolher, qual filme levaria o prêmio na próxima cerimônia do Oscar, e por quê?

Koball – É muito cedo para dizer, A Origem é o grande blockbuster do ano mas um filme assim não tem chance. Talvez A Rede Social, de Fincher, que deve ser fenomenal. Mas os grandes candidatos ainda virão, como The King’s Speech, 127 Hours e a refilmagem de Bravura Indômita, dos Coen. Vai ser interessante.

Sindicato – Em linhas gerais, como o cinema afeta sua vida?

Koball – Ele faz parte do dia-a-dia, sem exceções. Ele ajuda a definir minha personalidade (pois tiro coisas importantes de grande parte dos filmes) e conhecimento. Somos bem ligados.

Sindicato – Para terminar, gostaria que você citasse uma frase de algum filme que tenha um valor especial para você.

Koball – Não uma frase, mas todos os grandes diálogos de 12 Homens e uma Sentença. São arrepiantes sempre que revisito o filme.

2 Respostas to “O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?”

  1. Danilo 01/11/2010 às 1:51 PM #

    O cabelo do Koball sempre foi um enigma pra mim.
    Podemos deixar pedidos?
    Obrigado: Entrevista com o Demetrius, please!

  2. Rafael Oliveira 02/11/2010 às 10:42 PM #

    Acho meio dificil conseguirmos uma entrevista com o Demetrius. Eu tinha bastante contato com ele, mas acabamos nos afastando. Mas quem sabe? Até uma entrevista com o Rubens Ewald Filho é possivel…

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