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O cinema em 2010

3 jan

Cada um comemora o ano novo de maneira diferente. Tem quem prefira passar com a família, vestir-se de branco, ir à praia assistir aos fogos de artifício, encaminhar-se lentamente até a beirada do mar com um buquê de rosas brancas nas mãos e fazer sua oferenda à Iemanjá, a rainha do mar. Também tem quem prefira passar o reveillon com os amigos, vestir-se de vermelho, beber todas a noite inteira e só terminar de comemorar a chegada do ano novo ao amanhecer do primeiro dia de janeiro. Conversando com um bom e velho amigo cinéfilo, descobri uma outra forma de se celebrar o reveillon: sentado em seu sofá, tomando uma taça de vinho tinto com todas as luzes da sala apagadas e somente a tela da televisão ligada. Nela, o melhor filme do ano. Claro que cada um tem o seu, mas é justamente ai que reside o maior prazer que um cinéfilo de verdade pode encontrar. Ao invés da barulheira dos fogos de artifício que pintam o céu das mais diversas cores ou da mesa de ano novo farta de carnes, tortas e bolos, aquele filme que mais lhe chamou a atenção durante todo o ano que está terminando.

O filme, no caso deste meu amigo, é Vencer, do diretor italiano Marco Bellocchio. Considerado por ele, por mim e por vários outros críticos internacionais como o melhor filme de 2010, Vincere é muito provavelmente a obra mais completa e magnífica de toda a carreira do cineasta Bellocchio. Este, que já foi responsável por verdadeiras obras-de-arte como “De Punhos Cerrados”, “A China Está Próxima”, “A Hora da Religião”, “Bom Dia, Noite” e “O Casamento”, realiza aqui um trabalho grandioso, que retrata com perfeição o relacionamento entre Ida Dalser (interpretada pela maravilhosa Giovanna Mezzogiorno) e o até então futuro ditador italiano Benito Mussolini (o ótimo Filippo Timi) e todo o seu desenrolar dramático, político e chocante. Dono de enquadramentos perfeitos e da mais linda trilha sonora, Vincere possui pelo menos uma dúzia de momentos que devem entrar para sempre na história do cinema italiano, como a cena do choro de Ida ao ver Charles Chaplin chorar.

Ainda que seja um programa perfeito para o ano novo, uma vez que “Vencer” é sem dúvida nenhuma uma obra extremamente relevante tanto no sentido histórico quanto dentro da estética cinematográfica, não seria nada ruim passar a virada do ano na companhia de Christopher Nolan e suas maravilhosas e delirantes sequências de sonhos em A Origem, um marco do cinema comercial norte-americano. Sendo um dos últimos filmes a serem lançados na primeira década do século XXI, Inception surpreendeu o mundo com a agilidade e criatividade com as quais Nolan contou uma história mirabolante e nada falha de sonhos. Fazendo a cabeça do espectador girar com sequências nada menos que brilhantes (a cena sem gravidade é uma das mais sensacionais vistas no ano de 2010, por exemplo), Nolan cria camadas e mais camadas de enredo misturando mitologia, arquitetura e muita, mas muita ação. Para quem já tinha provado do seu calibre em Batman – O Cavaleiro das Trevas, a obra-prima definitiva das adaptações de HQ’s, assistir ao desenrolar crônico de “A Origem”, onde Nolan brinca com o tempo e com o inconsciente humano foi, sem sombra de dúvida, uma das experiências mais marcantes do cinema em 2010. Até hoje as pessoas se perguntam: afinal, o totem parou ou não de girar? Ora, se realmente importa, nem o próprio Christopher Nolan deve saber a resposta.

Mas para quem pensa que já tinha visto de tudo em outros filmes filmados dentro de um presídio, não tinha assistido a O Profeta ainda. O novo trabalho do cineasta francês Jacques Audiard, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, é nada mais do que a obra-prima francesa do ano que terminou semana passada. E dizer isso quando se tem como concorrente o ativo e genial Alain Resnais e seu Ervas Daninhas é um tanto quanto astuto de minha parte. Un Prophète é um daqueles filmes que a gente assiste e simplesmente não quer que acabe. Dono de um roteiro nada menos que perfeito, e com atuações e direção de mestre, o longa conta a história de como o analfabeto Malik El Djebena, meio árabe, meio córsico, conseguiu tornar-se um verdadeiro líder da principal facção criminosa atuante dentro dos presídios da França. A forma como Audiard desenvolve a narrativa é digna dos maiores elogios e o próprio protagonista, o inexperiente Tahar Rahim, acabou abocanhando diversos troféus ao redor do mundo por sua interpretação de primeiríssima qualidade.

Mas não pense que só cineastas de fora são capazes de filmar e finalizar obras-primas. Neste ano que passou, mais de 10 milhões de brasileiros puderam conferir nos cinemas aquele que talvez seja a obra nacional mais importante do século até aqui. Tropa de Elite 2, sequência do fenômeno de público – e pirataria – que acabou levando o Leão de Ouro em Berlim, tornou-se recentemente o filme mais visto no Brasil de todos os tempos. Essa marca já havia sido batida no próprio ano de 2010, quando Avatar chegou “chegando” e arrastou milhões de pessoas aos cinemas para ver o que havia de novo na tecnologia 3D. “Tropa de Elite 2” ficou a cargo mais uma vez do diretor José Padilha, que conseguiu superar-se mais uma vez e entregou uma obra gigante, chocante e muitíssimo bem filmada. “Tropa 2”, dizem alguns por aí, é o filme que todo brasileiro precisava assistir. E, cá pra nós, em pleno ano de eleição, assistir a essa verdadeira depressão política não era lá uma ideia muito animadora. Extremamente realista, o longa mostra o quão jogo é o sistema político no Brasil e mostra que a triste realidade está longe de acabar. O lendário Capitão Nascimento, que pouco tempo depois de chegar aos cinemas com o primeiro Tropa de Elite já caiu na boca do povo, aqui torna-se um herói brasileiro. E Wagner Moura, mais uma vez responsável pela interpretação do personagem, não deixou barato e entregou mais uma atuação brilhante. Eu poderia ficar dias aqui escrevendo o quanto “Tropa de Elite 2” representa para o cinema nacional, mas tudo já foi dito. Eis um filme de relevância absurda, que figura entre os melhores filmes do ano e não à toa, merece o sucesso que tem.

E por falar em sucesso, ainda que bem menor do que o justo, Quentin Tarantino é atualmente um dos diretores mais procurados pelo público. Depois do sucesso e das oito indicações de Bastardos Inglórios no Oscar 2010, chegou aos cinemas brasileiros – com três anos de atraso – um dos filmes menos conhecidos do cineasta americano. À Prova de Morte, parte do projeto Grindhouse desenvolvido também por Robert Rodriguez, é mais um dos típicos filmes de Tarantino, com as boas e velhas tarantinices que fazem valer o gênero tarantinesco de seus trabalhos. Traduzindo, Death Proof é mais uma obra sensacional que entrou para a filmografia de QT em 2007 e só pôde ser conferida na tela gigante ano passado. Longos diálogos, personagens femininas marcantes, violência explícita e exacerbada e todos os outros maneirismos típicos do cinema de Tarantino estão aqui presentes mais uma vez. “À Prova de Morte”, na realidade, aparenta ser sua obra mais sincera, e não por acaso, a mais do estilo “ame-o ou deixe-o”. “Death Proof” é um daqueles filmes cujos admiradores são poucos, mas cuja qualidade salta aos olhos daqueles que de fato gostam do cinema sujo e delirante de Quentin Tarantino. O lap dance, a perseguição, o acidente de carro, as cores fortes no contraste com o preto no branco, a trilha sonora ousada e contagiante e o final são somente alguns dos momentos que fazem a espera de três anos valer e muito a pena.

Mas se existe satisfação maior para um cinéfilo do que ver um Martin Scorsese, no auge do seus 68 anos de idade, aventurar-se por mares nunca dante navegados, eu não conheço. A empreitada do consagrado cineasta dos filmes de máfia, como Os Bons Companheiros, Os Infiltrados, Cassino e também de outras eternas obras-primas como Taxi Driver e Touro Indomável no mundo do suspense não poderia ser melhor. Ilha do Medo estreou no início de 2010 e mesmo assim sobreviveu aos mais diversos lançamentos e manteve-se firme na lista dos melhores filmes do ano. Contando com uma pitada bastante sinuosa do cinema de Stanley Kubrick em O Iluminado e também da presença marcante de Alfred Hitchcock em todas as suas contribuições para o suspense no cinema, Scorsese brinca com o espectador de forma instigante e revela um filme de sequências magníficas e muito bem sitiadas por uma atuação de mestre de Leonardo DiCaprio. Apesar das críticas à previbilidade da trama, um final alternativo não deve ser descartado e o espectador, que julga-se muito sagaz, pode acabar se surpreendendo com a própria ingenuidade. Shutter Island é um filme interessantíssimo, superior inclusive a “Os Infiltrados”, que deu o Oscar à Scorsese, e que prima pela beleza técnica e por um trabalho de direção nada menos que ótimo. Imperdível, por todos esses e outros motivos.

Outra produção que merece todo destaque é Toy Story 3, a mais recente obra-prima da Pixar. Segundo o site Rotten Tomatoes, 99% da crítica mundial aprovou o terceiro filme da série de brinquedos animados que conquista crianças e adultos há mais de 15 anos. A mesma equipe que se uniu para criar a primeira animação totalmente digitalizada da história do cinema, que no caso é o primeiro Toy Story, reuniu-se mais uma vez para trazer ao mundo a segunda sequência da história de Woody e Buzz Lightyear. Apresentando temas importantes como o crescimento e os velhos conceitos de amizade e união, “Toy Story 3” levou plateias às lágrimas ao trazer à tona a nostalgia que muitas “crianças crescidas” sentem ao lembrar da infância. Sem dúvidas, é um trabalho de animação de primeira qualidade que funciona perfeitamente tanto com crianças, ao apresentar sequências divertidas dentro da creche, por exemplo, quanto por adultos, que sentem a mensagem que o filme passa com maior naturalidade. Um dos filmes mais lindos e queridos do ano, que entrou para a história não só pela relevância trazida ao mundo cinematográfico, mas também por ter se tornado a primeira animação a ultrapassar a marca do 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais.

Recentemente acusado de um antigo crime de abuso sexual contra uma menina de 13 anos, o cineasta francês Roman Polanski não deixa de ser rei. Mesmo longe, o diretor trouxe aos cinemas seu mais recente trabalho, um thriller de suspense genial, cujas incontáveis qualidades contribuem para a formação de uma obra-prima moderna, rica em detalhes e muito, mas muito interessante. O Escritor Fantasma é um filme repleto de belas nuances e cheio dos requintes típicos do cinema de Polanski. Bem desenvolvido, com uma direção segura e boas atuações – especialmente de Olivia Williams – The Ghost Writer é um daqueles longas que vale acompanhar até o fim somente para ter o prazer de assistir a um dos planos-sequência mais brilhantes do ano, que compõe justamente o seu ato final. Lindo do início ao fim, contando ainda com o sempre competente trabalho do compositor Alexandre Desplat na trilha sonora, “O Escritor Fantasma” é a comprovação da majestade de Roman Polanski.

Não é fácil destacar-se perto de “Toy Story 3”, ainda mais quando se é uma animação feita de argila. Pois é, Adam Elliot mostra que o talento mostrado em Harvey Krumpet não foi somente um espasmo de criatividade e competência apresentado pelo cineasta. Ele lança no mundo mais uma animação de primeiríssima linha, simples em sua composição, mas extremamente rica de conteúdo. Mary & Max – Uma Amizade Diferente é uma mistura deliciosa de gêneros, que apresenta temas adultos como a obesidade, solidão, abandono, suicídio e velhice, mas que os mostra de forma sutil, inquietante e, por vezes, muito divertida. O relacionamento de uma menina ignorante e largada na Austrália com um homem solitário de Nova York comoveu e fez rir plateias no mundo inteiro e com certeza merece ser visto por você, caro leitor. Uma animação agridoce e muito rica.

Um dos destaques do Oscar, Amor sem Escalas é outro exemplo de filme que, mesmo tendo sido lançado no início em janeiro do ano passado, permaneceu na lista de melhores filmes de 2010. Dirigido de forma intensa por Jason Reitman, premiado em diversas ocasiões pelo trabalho realizado aqui, Up in the Air é um interessante retrato dos Estados Unidos em meio à crise que se alastrou mundo afora. Distanciando-se um pouco dos grandes aglomerados urbanos, tais como Los Angeles, Washington D.C. e Nova York, o filme concentra-se em cidades menores, onde a passagem da crise é exibida de forma diferenciada. “Amor sem Escalas” conta com uma montagem bastante ágil e músicas de extremo bom gosto, mas o destaque mesmo fica por conta do elenco. Desde um frio e distante George Clooney, que entrega aqui sua melhor interpretação, até a veterana e pouco requisitada Vera Farmiga, o longa passa inclusive por um rosto revelado na Saga Crepúsculo. Anna Kendrick mostra que, quando encontra um papel decente para trabalhar em cima, é capaz de grandes feitos.

Enfim, 2010 foi um ano e tanto. Foi o ano em que pelo menos três filmes ultrapassaram a barreira do 1 bilhão de dólares nas bilheterias. Fora “Toy Story 3”, o novo filme de Tim Burton Alice no País das Maravilhas, e o que se tornou hoje a maior bilheteria da história do cinema, o gigasucesso “Avatar” (quebrando inclusive a marca dos 2 bilhões de dólares arrecadados), foram os outros dois novos bilionários do ano. 2010 foi marcado também pela estreia de outros grandes blockbusters. A sequência Homem de Ferro 2 e o fenômeno de público A Saga Crepúsculo: Eclipse foram dois dos maiores sucessos do ano que terminou e. mais tarde, Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I, que ainda está em cartaz nos cinemas, estreou e ajudou a quebrar outros recordes. Foi também a vez de o terceiro filme de Nárnia chegar aos cinemas, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, da competente animação da Dreamworks divertir pais e filhos com voos rasantes em Como Treinar seu Dragão e da refilmagem do clássico do terror A Hora do Pesadelo chegar aos cinemas e incomodar os cinéfilos. Passou por aqui também as aventuras mitológicas Fúria de Titãs e Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, os filmes de ação nonsense Esquadrão Classe-A e Os Mercenários, os de temática homossexual Eu Matei Minha Mãe e Patrick 1.5, os sucessos nacionais menores que “Tropa de Elite 2”, Chico Xavier e Nosso Lar e também os indicados ao Oscar 2010: Guerra ao Terror, o grande campeão do ano, vencedor de seis estatuetas, deu o Oscar de Melhor Direção à primeira mulher na história da sétima arte.

Foi um repleto de lançamentos, e para conferir a lista completa dos filmes que chegaram aos cinemas em 2010, é só clicar aqui.

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O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?

31 out

Nessa segunda parte de nossa série de entrevistas, Alexandre Koball nos trará sua opinião a respeito do encanto e do poder do cinema na vida das pessoas. Koball é editor e fundador do site Cineplayers, e declara-se apaixonado por cinema há pelo menos uma década. Desde que o site começou suas atividades, em 2003, ele já criticou mais de 300 filmes, usando sempre sua visão afiada na hora de estabelecer um “veredito”. Ao longo dos anos veio conquistando fãs e admiradores por meio da paixão pela sétima arte.

Confira abaixo a entrevista:

Sindicato – Alexandre, você diz que se apaixonou pelo cinema há mais de uma década. Sendo assim, como você descreveria o cinema do seu ponto de vista?

Koball – Sim, é verdade. O cinema começou como um hobby (antes, eram os games) e virou uma paixão, uma forma de conhecer e me aprofundar sobre a vida, sentir emoções que somente através dele poderia sentir ou, esporadicamente, entreter-me.

Sindicato – Algum filme em especial pode ser considerado como o responsável por essa paixão pelo cinema?

Koball – A nova versão de Star Wars, apesar de hoje vê-la como filmes inferiores à trilogia original, me despertou esse sentimento. O tom épico que foi dado aos filmes em 1999 e 2002, a expectativa, a ansiedade, tudo isso contribuiu. Depois veio a trilogia O Senhor dos Anéis, que pegou tudo isso e jogou a níveis exponenciais. A partir daí vieram Trier, Kurosawa, Scorsese, e a lista segue…

Sindicato – Seu gosto pelo cinema o levou a fundar um site sobre o tema juntamente com outros cinéfilos. O que envolveu a criação desse site, desde os primeiros passos até a popularidade alcançada por ele hoje?

Koball – O que envolveu foi essa paixão crescente, a necessidade de ir além de assistir filmes. Sozinho, fazer algo assim era muito difícil, mas ao juntar quatro amigos de Internet com o mesmo sentimento, não apenas foi fácil (apesar dos desafios), como ajudou e muito a aumentar o conhecimento e a paixão sobre cinema. Desde o começo tudo que diz respeito ao site foi conquistado com nosso próprio trabalho, não ganhamos nada, jamais, e isso de certa forma nos motivou. A partir de 2003 foi um crescimento constante. Naquela época já existiam sites de cinema e não prevíamos que iria dar tão certo (era apenas um sonho), mas com a resposta dos leitores, a motivação para insistir e prosperar foi constante e aí vieram a segunda e a terceira versões. Pretendemos dar continuidade a tudo isso enquanto houver paixão.

Sindicato – Hoje a popularidade e a qualidade do site se devem a o quê?

Koball – Tentamos fazer o que os leitores gostam, na medida do possível. Temos milhares deles, apaixonados por cinema, e direcionamos o conteúdo do site e suas seções e funcionalidades ao que eles querem. Antes não era assim, a gente fazia o que achava que era melhor. Felizmente deu certo pois somos cinéfilos também e se a gente gostava então a maioria dos cinéfilos gostariam também, digo, com relação aos tops, críticas de clássicos, estilo dos fóruns. Mas hoje, até pela concorrência, estamos direcionando nossos esforços, mais do que nunca, a atender aos pedidos dos leitores. Por isso tantas promoções, cadastros direcionados aos leitores, implementação de funcionalidades que os leitores gostariam de ver. Misturamos isso ao que existe desde o começo do site, não queremos perder nossa essência também, e fazer algo seguindo a moda (no caso, mídias sociais), pois a moda sempre muda, já o cinema, acreditamos, é eterno.

Sindicato – Você nunca cursou nada a respeito de cinema ou a respeito de escrita. Então de onde vem essa habilidade incrível em criticar os filmes com um aspecto tão profissional?

Koball – Não me considero tudo isso, nem de longe. Como o site é muito popular, é fácil encontrar quem goste, na mesma proporção de quem critica negativamente. É o que acontece quando você se expõe publicamente. Mas, se há qualidades, acredito que elas venham de três coisas: paixão pelo cinema, pela leitura e pela escrita. Qualquer um que tenha isso dentro de si não precisa de formação acadêmica, nesse caso.

Sindicato – Sua postura indica que você tem uma opinião bem formada sobre todas as facetas do cinema. Então, com sinceridade, quais são os defeitos existentes nesse ramo?

Koball – O maior defeito, infelizmente, é o que faz ele ir em frente. É a questão comercial, fazer os filmes pelo dinheiro, atropelando o amor, ignorando a qualidade. Isso existe há décadas mas está muito forte hoje, mais do que nunca quase tudo é negócio, necessidade de faturamento. Mas, sem dinheiro, não dá para fazer os filmes verdadeiramente bons, a não ser com recursos particulares, e nesse caso seriam pouquíssimos os cineastas envolvidos na construção de obras-primas.

Sindicato – Quais são suas preferências no cinema? Diretores, atores, gêneros…

Koball – Amo o cinema de terror ou suspense, aquele que faz arrepiar a espinha, por isso sou apaixonado por Hitchcock, Polanski, e através do próprio site e dos próprios leitores e outros editores, pude experimentar muitas coisas novas nesse gênero. Mas também amo os épicos, por isso minha admiração por Ben-Hur, Senhor dos Anéis, etc. No fim das contas, fica impossível definir minhas preferências.

Sindicato – Qual sua opinião a respeito do cinema nacional?

Koball – Está decolando, finalmente. Ganhando variedade e grande público. Precisaria se desvencilhar do monopólio da Globo Filmes, ter um segundo nome com sua força, aí sim, seria questão de tempo até ele atingir as alturas.

Sindicato – Se você pudesse escolher, qual filme levaria o prêmio na próxima cerimônia do Oscar, e por quê?

Koball – É muito cedo para dizer, A Origem é o grande blockbuster do ano mas um filme assim não tem chance. Talvez A Rede Social, de Fincher, que deve ser fenomenal. Mas os grandes candidatos ainda virão, como The King’s Speech, 127 Hours e a refilmagem de Bravura Indômita, dos Coen. Vai ser interessante.

Sindicato – Em linhas gerais, como o cinema afeta sua vida?

Koball – Ele faz parte do dia-a-dia, sem exceções. Ele ajuda a definir minha personalidade (pois tiro coisas importantes de grande parte dos filmes) e conhecimento. Somos bem ligados.

Sindicato – Para terminar, gostaria que você citasse uma frase de algum filme que tenha um valor especial para você.

Koball – Não uma frase, mas todos os grandes diálogos de 12 Homens e uma Sentença. São arrepiantes sempre que revisito o filme.

Especial: O Poderoso Chefão – Parte I

5 out

Ficha Completa:

Diretor: Francis Ford Coppola

Roteirista: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em romance de Mario Puzo

Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire e John Cazale.

Diretor de Fotografia: Gordon Willis

Produtor: Albert S. Ruddy

Trilha Sonora: Nino Rota

Edição: Peter Zinner, William Reynolds

Desenhista de Produção: Dean Tavoularis

Direção de Arte: Warren Clymer

Figurino: Anna Hill Johnstone

Maquiagem: Dick Smith

Prêmios e Indicações:

Globo de Ouro:

Indicado para Melhor Ator Coadjuvante (James Caan), Melhor Ator – Drama (Al Pacino), e vencedor de Melhor Ator – Drama (Marlon Brando), Melhor Filme – Drama, Melhor Trilha Sonora (Nino Rota), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola) e Melhor Roteiro (Francis Ford Coppola, Mario Puzo).

Oscar:

Vencedor nas categorias de Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. Indicado também nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (James Caan, Robert Duvall, Al Pacino), Melhor Figurino (Anna Hill Johnstone), Melhor Diretor (Francis Ford Coppola), Melhor Montagem (Peter Zinner, William Reynolds), Melhor Som (Charles Grenzbach, Richard Portman, Christopher Newman) e Melhor Trilha Sonora Original (Nino Rota).

Critica:

Existe uma linha tênue que separa o subestimado do superestimado. Certos filmes sofrem injustiças. Outros acabam recebendo mais atenção do que merecem. O fato é que, no cinema de antigamente, era fácil vermos o nascimento de clássicos e obras-primas, já que nesta época, o cinema era visto como deveria ser visto: não apenas um veiculo capitalista, e sim como um meio de transmitir algo, seja uma simples experiência, seja para levar alguma mensagem para quem assiste.

Alguns filmes envelhecem, e acabam perdendo seu impacto com o passar do tempo. Outros conseguem o feito de manter sua magnitude e preservar sua força até os dias de hoje. Por isso, não é a toa que, quando mencionamos O Poderoso Chefão, muitos cinéfilos, especialmente os mais nostálgicos, se emocionem ao lembrar-se da importância deste para a historia do cinema. Produções como esta não permanecem anos a fio com seu status por mero acaso.

Antes, quero fazer uma pequena introdução sobre o elenco. Atualmente, é difícil vermos um filme contando com um elenco de encher os olhos como este. Para se ter uma idéia, o protagonista do filme é interpretado pelo grandioso Marlon Brando, que foi considerado pela Paramount como não-ideal para o papel-título. Outro grande nome presente é Al Pacino, na época um ator ainda desconhecido, que passou a perna em vários atores para ficar com o papel de Michael Corleone. Detalhe: os produtores desejavam que este personagem fosse uma típica estrela de cinema, com pinta de galã e cabelos loiros. Outros nomes de luxo (conseguidos graças à teimosia de Coppola) são Robert Duvall, James Caan, Martin Sheen, Diane Keaton, Talia Shire… Enfim, um elenco grandiosos para um filme igualmente majestoso.

Baseado no livro de Mario Puzo (que também assinou o roteiro, e cujas vendas explodiram após o lançamento do filme), o filme narra a história da família Corleone. Mas especificamente, o filme põe seu foco nos personagens Don Vito Corleone (Brando) e Michael Corleone (Pacino). A família Corleone é uma das famílias mafiosas dos EUA, fato comprovado logo na abertura do filme, quando vemos um homem se ajoelhando diante de Vito Corleone, pedindo-lhe um favor que envolve honra e justiça, e logo depois lhe beijando a mão. Enquanto que Vito Corleone administra os negócios da família, Michael Corleone surge como aquele pretende ser o “fator diferencial” da família. Seu desejo não é seguir os passos do pai, mas sim ter sua própria vida, uma vida normal.

Coppola realmente soube como definir cada personagem da película. O espectador sabe quem é quem, sabe como aquela pessoa pode agir, sabe como pode ser a atitude da pessoa dependendo da situação. Todos ali, desde os protagonistas até o maior dos coadjuvantes, possuem um papel importante, uma função significativa dentro da trama.

Não é apenas o elenco e seu desenvolvimento que impressionam. A equipe técnica, formada por grandes nomes, realiza um trabalho fenomenal. O diretor de fotografia Gordon Willis realiza um trabalho impecável na composição das luzes, utilizando tons dourados misturados com uma entonação mais escura, que conseguiram transmitir perfeitamente a atmosfera pesada que cerca a família Corleone. O trabalho é tão magnífico que Willis recebeu o apelido de “Príncipe das Sombras” titulo que lhe acompanhou durante todo o restante de sua carreira.

A trilha sonora, composta por Nino Rota se tornou referencia para todos os filmes de gangsteres que foram surgindo em seguida. Trata-se de uma composição forte, marcante, reconhecível mesmo aos ouvidos daqueles que nunca viram o filme. A montagem de Peter Zinner faz com que os 175 minutos de filme passem voando, tamanho o nível de atenção que o filme arranca do espectador. Destaque também para o figurino desenhados por Anna Hill Jonhstone e a estupenda direção de arte de Warren Clymer.

Mas não são estes acertos técnicos que fizeram O Poderoso Chefão ser o que é. O filme apresenta uma sucessão de cenas marcantes, cada uma mais impressionante do que a outra. Isso mostra o quão Coppola foi firme na condução de seu filme: cada momento, cada cena, cada frame é como se fosse o clímax do filme. O nível de tensão é enorme, e cada momento surge como algo espetacular, divino, inesquecível como um todo. Isto sim fez este filme ser o que é: sua capacidade de enraizar cada momento na mente de quem assiste.

Quanto às atuações, o cinema nunca viu algo de tão majestoso. Elogios a Marlon Brando e Al Pacino são dispensáveis, já que os dois apresentaram aquelas que talvez sejam as maiores performances que o cinema já viu. Impressionante é a composição do personagem Brando, desde sua voz rouco, mas determinante, até sua postura e modo de olhar. Brando torna Vito Corleone um vilão intimidador, mas também alguém pelo qual é impossível não torcer. O mesmo vale para Pacino, cujo bem-estar no papel é bastante visível. Todo o restante do elenco também se mostra perfeitos em seus papéis, destacando Robert Duvall e Diane Keaton.

O que mais dizer pode ser dito sobre O Poderoso Chefão? Muita coisa, mas nada que seja capaz de esclarecer a magnitude desta inigualável obra-prima do cinema. Inesquecível.

O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?

22 set

Nada melhor do que discutir cinema com outras pessoas, conhecer opiniões alheias e saber como esse tipo de mídia atinge cada um de uma forma diferente. Começo essa reportagem com uma série de entrevistas com pessoas comuns do nosso dia a dia, as quais têm o cinema como grande fonte de entretenimento. A escolhida para iniciar o especial é a querida Josiane Kleinschmidt, mais conhecida como Josi por todos os seus fãs. Josi é uma das colaboradoras do site Cineplayers e é fã de cinema desde a adolescência. Segue abaixo a minha entrevista com ela:

Sindicato – Josi, você se diz uma amante do cinema. Mas o que é cinema para você? Como você o descreveria?

Josi – Em primeiro lugar, sou sim uma pessoa que ama o cinema em sua totalidade. Tanto que dei um “jeito” de estar ligada a ele em quase todos os momentos do meu dia. Trabalho em uma videolocadora e também faço parte do site www.cineplayers.com, onde sou estagiária e ajudo nos cadastros de fichas de filmes e perfis. E descreveria o cinema como algo que me faz viajar em pouco mais de uma hora por vários lugares, mesmo sentada na poltrona de casa ou na sala escura. Também o descreveria como uma maneira de vivenciar algo novo a cada projeção, vendo a vida sob vários pontos de vista.

Sindicato – Tem algum filme em especial que fez você se apaixonar pelo cinema?

Josi – Pode parecer brincadeira, mas o que me fez abrir os olhos para a arte do cinema foi “Lua de Cristal”.

Sindicato – Muitas pessoas dizem gostar de cinema, mas são poucas as que realmente fazem dele um passatempo prioritário. Você se considera apenas uma admiradora saudável dessa arte ou uma verdadeira cinéfila de plantão?

Josi – Para que algo seja bom e duradouro, não pode ser exagerado. Então procuro manter a minha paixão pelo cinema dentro de um nível, o qual ele não extrapole o limite da paixão, nem vire prioridade. Pois a vida é feita de prioridades muito mais importantes, como a família. Mas o cinema é algo que acrescenta em minha vida.

Sindicato – Um cinéfilo de respeito é aquele que conhece todos o filmes, desde os clássicos até os mais desconhecidos?

Josi – Para mim um cinéfilo, ou qualquer pessoa em qualquer ramo que queira ser de “respeito”, é alguém que acima de tudo, procura a excelência no que faz e está sempre atualizado.

Sindicato – Qualquer pessoa pode ser considerada amante de cinema? Qual é o perfil básico de um fã desse tipo de mídia, na sua opinião?

Josi – Como o cinema é algo acessível para qualquer pessoa, acho que basta querer para ser um amante.

Sindicato – Você poderia descrever alguma cena ou sequencia de um filme que tenha te marcado?

Josi – A cena em “Dogville”, onde Grace, a personagem de Nicole Kidman, ordena a chacina de todos na vila onde ela havia se refugiado, não poupando nem as crianças.

Sindicato – Quais são suas preferências no cinema? Diretores, atores, gêneros…

Josi – Diretores: Lars Von Trier. Atores: George Clooney; Jason Statham. Atrizes: Nicole Kidman; Julia Roberts. Gêneros: não há um gênero específico. Eu procuro ver filmes bons, acima de tudo com algum conteúdo a me oferecer.

Sindicato – Há algo no cinema que te desagrade?

Josi – A falta de criatividade atual, o que faz o cinema ser inundado de adaptações, refilmagens e continuações. Ainda bem que tem pessoas (poucas) que ainda salvam.

Sindicato – Qual sua opinião a respeito do cinema nacional?

Josi – Ultimamente o cinema nacional está evoluindo bastante. Os roteiristas escrevem histórias mais fortes e parece que os envolvidos nas produções estão achando finalmente o caminho.

Sindicato – Se você pudesse escolher, qual filme levaria o prêmio na próxima cerimônia do Oscar, e por quê?

Josi – A Origem, de Christopher Nolan, pois é um filme muito inventivo. Se tratando de inovações e elementos diferenciados, pode ser não só um dos melhores do ano como um dos melhores de uns tempos para cá. Por enquanto, dos que eu vi até hoje, é o que mais tem cara de Oscar.

Sindicato – Por fim, Josi, em linhas gerais, como o cinema atinge sua vida?

Josi – O cinema atingiu e continua atingindo a minha vida principalmente no lado cultural. Através do cinema, podemos aprender várias culturas, palavras, idiomas e isso atinge diretamente o nosso dia a dia e a nossa convivência com a sociedade.

Sindicato – Para terminar, gostaria que você citasse uma frase de algum filme que tenha um valor especial para você.

Josi – “Um homem pode mudar tudo. Sua face, sua casa, sua família, sua namorada, sua religião, seu deus. Mas há uma coisa que ele não pode mudar. Ele não pode mudar sua paixão…”. De O Segredo dos Seus Olhos.

Megeras (In)domadas: Uma análise resumida das personagens mais intragáveis do cinema!

6 set

Avisem a Doris Day e a Sandra Dee para correrem! Não se esqueçam de advertir a sonhadora Sandy Olsson, de “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” (Grease, 1978), a fugir dessa matéria, pois não sobrará uma mocinha ou heroína capaz de fazer valer o ditado “o bem vence o mal” com tantas megeras reunidas em um só artigo. Sim, será difícil dormir de noite com os pesadelos causados por essas personagens amaldiçoadas que já passaram pela história dos filmes. Apesar de todas suas maldades e capetagens, é impossível não se encantar por essas grandes mulheres, que fizeram história com suas mentes pérfidas e cheias de planos mirabolantes.

Para abrir essa matéria com classe e elegância já vou citar uma das personagens mais marcantes de todos os tempos: Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), uma anti-heroína de um dos maiores clássicos do cinema, “… E o Vento Levou” (Gone With the Wind, 1939). Apesar de ser a protagonista desse épico, Scarlett é uma tremenda megera, capaz de passar por cima de quem for para alcançar seus objetivos. Sua juventude sofrida, juntamente com o amor doentio que sente pelo atraente Ashley Wilkes (Leslie Howard), fez dela uma mulher forte e até mesmo insensível, que só achará alguém à sua altura quando conhecer o igualmente determinado Rhett Butler (Clark Gable). Num cenário de guerra civil, Scarlett consegue ser o elemento mais forte de todo o filme, fazendo de tudo para ter dinheiro e posses. Mas apesar de sua “casca” de mulher durona, essa personagem sabe ser boa e consegue encantar o espectador, tornado-se menos odiosa.

Vivien Leigh, como Scarlett O'Hara, em "...E o Vento Levou" (1939)

Outra mulher durona que só necessita de um pouquinho de atenção (e um montão de dinheiro) é Norma Desmond (Gloria Swanson), uma milionária atriz em decadência que fará de gato e sapato o roteirista Joe Gillis (William Holden) até que este termine de escrever um roteiro capaz de trazê-la de volta ao estrelato. Enquanto Gillis não realiza essa difícil tarefa, Norma se infiltrará em sua vida de tal forma que fará o roteirista beirar a loucura. Tem coisa pior que uma mulher no seu pé o dia inteiro apressando seu trabalho?

A atriz Gloria Swanson interpreta a estrela decadente Norma Desmond em "Crepúsculo dos Deuses" (1950)

Mas pior que Norma, no ramo do show business, é a inescrupulosa Eve Harrington (Anne Baxter) de “A Malvada” (All About Eve, 1950), uma terrível usurpadora que fará um inferno da vida de Margo Channing (Bette Davis). Margo é uma estrela da Broadway que contrata Eve como sua secretária, sem nem imaginar que essa moça de modos doces e agradáveis tentará de tudo para afundar sua carreira e tomar seu posto como atriz. Com seu jeitinho sonso e escorregadio, Eve tomará sem dó alguma todo o sucesso adquirido na vida de Margo, e o único que poderá detê-la é Addison DeWitt (George Sanders), um sábio crítico que saca de cara as intenções reais de Eve.

Anne Baxter, como a dissimulada Eve Harrington de "A Malvada" (1950)

Pensando bem, talvez Margo merecesse essas investidas mirabolantes de Eve, já que sua intérprete, Bette Davis, é expert em encarnar vilãs nos filmes de Hollywood. Não há como se esquecer da terrível Regina Giddens, personagem maléfica de “Pérfida” (The Little Foxes, 1941), que manipula sem dó todos os membros de sua família, abusando de seu cargo como matriarca. A safada é tão maldosa que usa sua pequena filha como artimanha na hora enganar seu marido ingênuo, adquirindo cada vez mais dinheiro e poder. Nada pior que uma mãe ou esposa dessas!

No entanto, se tratando do assunto “Vilã”, a maior profissional da atualidade é a atriz Glenn Close, que já esteve na pele de grandes megeras, das quais citarei apenas três. Em “Atração Fatal” (Fatal Attraction, 1987), Glenn interpreta a terrível Alex Forrest, o maior pesadelo de todo marido infiel. De início se portando como uma boa amante para seu colega de trabalho Dan Gallagher (Michael Douglas), Alex passa a se mostrar desequilibrada e psicótica, capaz das maiores atrocidades na hora de tentar acabar com o casamento de seu amante. Deixando Alex no chinelo, Close também foi a responsável pela composição da maior vilã da época da Revolução Francesa, a temida Marquesa de Merteuil, de “Ligações Perigosas” (Dangerous Liaisons, 1988). Entediada e rica, essa aristocrata gosta de passar seu tempo observando e manipulando as pessoas ao seu redor, usando sempre de inteligência e requinte, ao lado de seu amigo Visconde de Valmont. Juntos, esses dois desocupados bolam um intrigante plano de luxúria e pecados envolvendo a mais alta corte. Igualmente cruel e impetuosa é Cruela De Vil, a vilã da obra infantil “101 Dálmatas – O Filme” (101 Dalmatians, 1996), que tem como maior objetivo arrancar a pele de adoráveis cachorrinhos com o objetivo de fazer um ostensivo casaco de pele. Ou seja, uma grande violadora do direito dos animais, que com certeza assustará em especial o público infantil.

As megeras de Glenn Close. Como Alex Forrester em "Atração Fatal (1987)", Marquesa Isabelle de Merteuil em "Ligações Perigosas" (1988) e como Cruella de Vil em "102 Dálmatas (2000)".

E o que fazer quando nossa vilã é de outro mundo?! Nada como uma aberração sobrenatural para espantar qualquer cético no assunto, como é o caso da vingativa Carrie White (Sissy Spacek), a adolescente reprimida de “Carrie – A Estranha” (Carrie, 1976), que usará de todas suas habilidades paranormais para retribuir as chacotas vindas de seus colegas de escola. Para tais colegas só resta rezar para Deus, pois não há nada a fazer diante de uma criaturinha tão vingativa e poderosa.

Igualmente medonhas são aquelas que possuem grande desequilíbrio mental, verdadeiras assassinas descontroladas. Se você for um escritor feliz com algum sucesso literário de sua autoria, tenha cuidado com a perigosa Annie Wilkes (Kathy Bates), que deixou sua obsessão tomar conta de seu corpo ao sequestrar seu escritor favorito em “Louca Obsessão” (Misery, 1990). As atrocidades cometidas por essa verdadeira insana levam sua vítima ao extremo da loucura e da dor, apenas com o intuito de obrigá-lo a mudar o final de seu último livro. Mas se você não é um escritor e não se preocupa com esse tipo de gente, é preciso atenção também com as “profissionais da noite”, prostitutas infelizes com suas vidas imorais que resolvem descontar a raiva em você. Esse é o caso real de Aileen (Charlize Theron), uma monstrenga serial killer que não poupa nenhum de seus clientes no filme “Monster – Desejo Assassino” (Monster, 2003). Depois de realizar todos os pedidos de seus fregueses, Aileen simplesmente os mata sem nenhuma piedade.

Tanto Kathy Bates quanto Charlize Theron foram premiadas com o Oscar por suas respectivas interpretações nos filmes "Louca Obsessão (1990)" e "Monster - Desejo Assassino (2003)".

Não são apenas as profissionais desse “ramo” que são perigosas, se é isso que você está pensando. Até as mais inocentes das profissões podem trazer profissionais um tanto perigosas, como no caso das babás. Como confiar em alguém os cuidados de seus filhos? Claire Bartel (Annabella Sciorra) não foi prudente ao confiar na bela babá Peyton Flanders (Rebecca De Mornay), no assustador “A Mão Que Balança o Berço” (The Hand that Rocks the Cradle, 1992). A doida da babá, na verdade, só tinha a intenção de acabar com Claire e roubar sua família, virando todos contra a matriarca. No entanto, essa obrigatoriedade de proteger seus filhos pode ser uma via de mão dupla, já que muitas vezes a própria filha pode ser o grande problema. Em “A Órfã” (The Orphan, 2009), o casal Coleman passa por poucas e boas depois de decidir adotar da aparentemente adorável Esther (Isabelle Fuhrman), uma menininha endiabrada que tem como objetivo matar todos os membros daquela família, independente de sua idade ou tamanho.

A menina Esther (Isabelle Fuhrman), de "A Órfã" (2009).

Mas o que fazer quando as megeras surgem em nosso próprio meio de trabalho? Pior, quando temos de acatar ordens delas? Andy Sachs (Anne Hathaway) sentiu na pele o que é ter uma chefe mala no filme “O Diabo Veste Prada” (The Devil Wears Prada, 2006), onde tem de se submeter à pior megera do ramo jornalístico, a poderosa Miranda Priestly (Meryl Streep). Arrogante e impiedosa, Miranda não aceita nada que seja menor do que perfeito entre seus funcionários, exigindo de Andy uma devoção quase exclusiva, deixando a moça praticamente doida de tanto trabalhar. Andrew Paxton (Ryan Reynolds), personagem do filme “A Proposta” (The Proposal, 2009), também teve de enfrentar uma chefe insuportável, Margaret Tate (Sandra Bullock), quando esta lhe propõe casamento em troca de uma promoção atrativa.

Meryl Streep viver a intragável Miranda Preasley em "O Diabo Veste Prada (2006)".

Dentro de casa, para aqueles que pensam que estão livres dessas megeras, também pode haver perigo. Afinal, ninguém quer uma mãe inoportuna e intrometida, como é o caso de Tutti Bomowski (Estelle Getty), uma velhinha ativa que só sabe atrapalhar seu filho policial em “Pare! Se Não Mamãe Atira” (Stop! Our My Mom Will Shoot, 1992). As irmãs mais velhas também podem ser grande fonte de irritação, como no caso da invejosa Jeanie Bueller (Jennifer Grey), que é um verdadeiro empecilho na vida boemia de Ferris, em “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off, 1986). Ex-esposas também podem dar boas dores de cabeça, principalmente na divisão de bens, tendo como exemplo a ambiciosa Marilyn Rexroth (Catherine Zeta-Jones) em “O Amor Custa Caro” (Intolerable Cruelty, 2003). E, acima de tudo no que diz respeito à família, sempre existirão as terríveis sogras, verdadeiras megeras que nunca trazem nada de bom, o que nos faz lembrar de Viola Fields (Jane Fonda), em “A Sogra” (Monster-in-Law, 2005).

Jane Fonda infernizou a vida da nora Jennifer Lopez em "A Sogra (2005)".

Seja como for: dentro de casa, no trabalho, entre amigos ou até em família, sempre há uma megera a assombrar nossos heróis e heroínas na maioria dos filmes.  A grande verdade é que, apesar de serem tão malditas para nossos protagonistas, causam verdadeiro deleite ao espectador. Ver grandes atrizes na pele de grandes vilãs sempre causa reações positivas em cada um de nós. Nem precisam ser necessariamente vilãs, desde que sejam chatas, irritantes, fofoqueiras, etc. Por piores que sejam, são essas mulheres que dão tempero aos filmes, trazendo grandes momentos à memória do cinema. Nessa análise ficaram muitas de fora, assim como ainda virão novas megeras a nos atormentar com o passar do tempo, mas a faço como forma de representar todas essas personagens no geral.

Antipáticas ou simpáticas, más ou boas, legais ou chatas, belas ou horrorosas, uma coisa todas tem em comum: são mulheres. E são essas mulheres fortes que fazem do cinema um entretenimento tão delicioso e saudável. Capazes de nos fazer ir do riso ao choro em questão de minutos (até segundos), são essas personalidades que entram na memória e nunca mais saem, acrescentando muito ao cinema e muito a cada um de nós, que tem o privilégio de vê-las em ação sempre que der vontade.

O Clube dos Cinco

4 set

O Brasil é um país muito conhecido pelo futebol, pelo samba, pelas mulatas, pela beleza natural e pela economia em constante evolução. Entretanto, muitos julgam o cinema nacional como “fraco”, sem nem ao menos conhecer os principais nomes que ajudaram a construir a nossa identidade cinematográfica.

O objetivo deste post não é mostrar às pessoas a história do nosso cinema, mas sim apresentar pelo menos cinco cineastas de grande importância. São eles: Glauber Rocha, Sérgio Bianchi, Fernando Meirelles, Bruno Barreto e Hector Babenco.

Glauber Rocha

Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia.

Foi criado na religião da mãe, que era protestante, membro da Igreja Presbiteriana por ação de missionários americanos da Missão Brasil Central.

Alfabetizado pela mãe, estudou no Colégio do Padre Palmeira – instituição transplantada pelo padre Luís Soares Palmeira de Caetité (então o principal núcleo cultural do interior do Estado).

Em 1947 mudou-se com a família para Salvador, onde seguiu os estudos no Colégio 2 de Julho, dirigido pela Missão Presbiteriana, ainda hoje uma das principais escolas da cidade.

Ali, escrevendo e atuando numa peça, seu talento e vocação foram revelados para as artes performativas. Participou em programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, e até do movimento estudantil, curiosamente ligado ao Integralismo.

Começou a realizar filmagens (seu filme Pátio, de 1959, ao mesmo tempo em que ingressou na Faculdade de Direito da Bahia (hoje da Universidade Federal da Bahia, entre 1959 a 1961), que logo abandonou para iniciar uma breve carreira jornalística, em que o foco era sempre sua paixão pelo cinema. Da faculdade foi o seu namoro e casamento com uma colega, Helena Ignez.

Sempre controvertido, escreveu e pensou cinema. Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Era visto pela ditadura militar que se instalou no país, em1964, como um elemento subversivo.

No livro 1968 – O ano que não terminou, Zuenir Ventura registra como foi a primeira vez que Glauber fez uso da maconha, bem como o fato de, segundo Glauber, esta droga ter seu consumo introduzido na juventude como parte dos trabalhos da CIA (Agência Americana de Inteligência) no Brasil.

Em 1971, com a radicalização do regime, Glauber partiu para o exílio, de onde nunca retornou totalmente. Em 1977, viveu seu maior trauma: a morte da irmã, a atriz Anecy Rocha, que, aos 34 anos, caiu em um fosso de elevador. Antes, outra irmã dele morreu, aos 11 anos, de leucemia.

Glauber faleceu vítima de septicemia, ou como foi declarado no atestado de óbito, de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês, na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro, depois de ter sido transferido de um hospital de Lisboa, capital de Portugal, onde permaneceu 18 dias internado. Residia há meses em Sintra, cidade de veraneio portuguesa, e se preparava para fazer um filme, quando começou a passar mal.

Antes de estrear na realização de uma longa metragem (Barravento, 1962), Glauber Rocha realizou vários curtas-metragens, ao mesmo tempo que se dedicava ao cineclubismo e fundava uma produtora cinematográfica.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) são três filmes paradigmáticos, nos quais uma crítica social feroz se alia a uma forma de filmar que pretendia cortar radicalmente com o estilo importado dos Estados Unidos da América. Essa pretensão era compartilhada pelos outros cineastas do Cinema Novo, corrente artística nacional liderada principalmente por Rocha e grandemente influenciada pelo movimento francês Nouvelle Vague.

Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse seu temor. Para o poeta Ferreira Gullar, “Glauber se consumiu em seu próprio fogo”.

Com Barravento ele foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Tchecoslováquia em 1963. Um ano depois, com ‘Deus e o diabo na terra do sol, ele conquistou o Grande Prêmio no Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco.

Foi com Terra em Transe que tornou-se reconhecido, conquistando o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel na Espanha e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro. Outro filme premiado de Glauber foi O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel na Espanha.

Filmografia

  1. A Idade da Terra (1980)
  2. Jorge Amado no Cinema (1979)
  3. Di Cavalcanti (1977)
  4. Claro (1975)
  5. História do Brasil (1973)
  6. Câncer (1972)
  7. Der Leone Have Sept Cabeças (1971)
  8. Cabeças Cortadas (1970)
  9. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)
  10. Terra em Transe (1967)
  11. Maranhão 66 (1966)
  12. Amazonas, Amazonas (1965)
  13. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
  14. Barravento (1962)
  15. A Cruz na Praça (1959)
  16. Pátio (1959)

Sérgio Bianchi

Neto de Luís Bianchi, filho de Rauly Bianchi e irmão de Raul Bianchi, todos fotógrafos, cuja produção ao longo de um século foi responsável pela constituição de um dos mais importantes acervos fotográficos do Brasil, com cerca de 40 mil imagens em vidro.

Sérgio estudou cinema em Curitiba e posteriormente em São Paulo, onde se formou na Escola de Comunicações e Artes da USP, em 1972.

Em 1979, estreou seu primeiro filme longa-metragem comercial: Maldita Coincidência. O filme é uma experiência cinematográfica de baixo-orçamento, filmada integralmente num casarão em São Paulo. A idéia do filme surgiu quando Bianchi viveu em uma casa ocupada em Londres. Com ele, moravam pessoas de todas as tribos: desde hippies, punks, imigrados de várias partes do mundo, junkies, artistas e homossexuais. A prefeitura de Londres permitia a moradia, mas não recolhia o lixo, que se acumulava no entorno da casa. O filme de Bianchi retrata esse momento, e o traz para a São Paulo do final dos anos 1970, auge da ditadura militar, em que a única opção do “underground” era o desbunde.

Em 1982, Bianchi realizaria o filme que o tornaria célebre como um cineasta de crítica mordaz à burocracia, à burrice institucional, às mazelas da sociedade brasileira: Mato Eles?. Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Gramado e do Grande Prêmio do Festival de Cinema da Cidade do México, em 1985, o filme é uma denúncia da situação dos índios Xavante, Guaranis e Xetás, espremidos no meio de uma briga litigiosa entre o Grupo Slaviero, a Funai e o Governo do estado do Paraná. Expulsos de sua reserva, são obrigados à trabalhar no corte e extração de madeira de sua própria reserva, numa madereira criada pela Funai. Nem mesmo o próprio cineasta escapa da denúncia: a cena em que o cacique guarani pergunta ao diretor “quanto dinheiro ele ganha” pra filmar os índios pode ser considerada uma das mais emblemáticas do cinema brasileiro.

Em 1999, foi lançado o seu filme mais conhecido, Cronicamente Inviável, que aborda o caos social em diversas regiões e classes sociais do Brasil.

Finalmente, em 2004, dirigiu Quanto vale ou é por quilo? que traça um paralelo entre a situação do negro no Brasil, antes e após a escravidão e mostra que muito pouco mudou.

Em novembro de 2006, o cineasta retornou à sua cidade natal, onde foi homenageado com uma Mostra de seus filmes, pela primeira vez exibidos ao público conterrâneo.

Filmografia

  1. Os Inquilinos (Os incomodados que se Mudem) (2009)
  2. Quanto Vale Ou É Por Quilo? (2005)
  3. Cronicamente Inviável (2000)
  4. A Causa Secreta (1994)
  5. Romance (1988)
  6. Did I Kill Them? (1982)
  7. Maldita Coincidência (1979)

Fernando Meirelles

Seu pai é médico gastroenterologista e viajava com razoável freqüência para a Ásia e a América do Norte, entre outras regiões do mundo, o que fez com que Fernando Meirelles mantivesse contato com diferentes culturas e locais, acompanhando o pai. Aos 12 anos de idade, foi presenteado com uma câmera de filmar, e esse passatempo nunca mais foi abandonado.

Cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo durante a década de 1980. Elaborou seu trabalho de graduação na forma de um filme, diferentemente dos tradicionais projetos preparados por outros graduandos: viajou ao Japão e comprou um equipamento de vídeo profissional para preparar o trabalho. Apresentou-o e recebeu a nota mínima para graduar-se.

Junto com quatro amigos (Paulo Morelli, Marcelo Machado, Dário Vizeu e Beto Salatini), Meirelles iniciou sua carreira com filmes experimentais. Com o tempo, fundaram uma produtora independente, Olhar Eletrônico. Posteriormente, novos amigos se uniram ao grupo: Renato Barbiere, Agilson Araújo, Toniko e Marcelo Tas. Em 1982, a produtora levou ao ar programas de televisão sobre atualidades, assim como a série infantil Rá-Tim-Bum, com 180 episódios. Além de obterem uma alta popularidade, também introduziram nos noticiários uma informalidade humorística renovadora.

Nos fins da década de 1980, foi-se interessando cada vez mais pelo mercado publicitário. Em 1990, Meirelles e amigos fecharam a “Olhar Eletrônico”, abrindo uma empresa de propaganda, a O2 Filmes. Uma década foi o suficiente para que Meirelles se tornasse um importante e dos mais procurados produtores publicitários.

Em 1997, Meirelles leu o livro Cidade de Deus, de Paulo Lins e decidiu adaptá-lo para o cinema, o que se concretizou em 2002. Os atores foram selecionados entre os habitantes de favelas. De 400 crianças, 200 chegaram à etapa final e trabalharam no filme. A filmagem foi feita com técnicos profissionais. O filme teve sucesso nacional e internacional. Em 2004, Meirelles concorreu ao Oscar de melhor diretor com esse filme, mas não foi premiado.

Em 2006, recebeu quatro nomeações no Festival de Cannes: Melhor Diretor (Fernando Meirelles) – Melhor Argumento Adaptado – Melhor Fotografia – Melhor Montagem.

Como diretor do filme O Jardineiro Fiel, Meirelles fez questão de que a trilha sonora fosse baseada na música de países africanos, e grande parte das filmagens foi feita no Quênia. Esse foi o primeiro filme de Meirelles em língua inglesa.

Em maio de 2008, Blindness foi o filme de abertura do Festival de Cannes.

Em 2009, fez o video de candidatura do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos.

Filmografia

  1. Janis Joplin: Get It While You Can (2012) (pré-produção)
  2. Brazucas (2011) (série de tv)
  3. Som e Fúria – O Filme (2009)
  4. Som e Fúria (4 episódios, 2009) – série de tv
  5. Ensaio sobre a Cegueira (2008)
  6. “Cidade dos Homens” (4 episódios, 2002-2005) – série de tv
  7. O Jardineiro Fiel (2005)
  8. Cidade de Deus (2002)
  9. Domésticas – O Filme (2001)
  10. Palace II (2000)
  11. Menino Maluquinho 2: A Aventura (1998)
  12. E no meio passa um trem (1998)
  13. A Comédia da Vida Privada (1 episódio, 1997) – série de tv
  14. Castelo Rá-Tim-Bum”(30 episódios, 1989)  – série de tv
  15. Olhar Eletrônico (1986)
  16. Brasília (1983)
  17. Marly Normal (1983)

Bruno Barreto

Começou a tomar gosto pelo universo cinematográfico em casa, filho de Lucy e Luiz Carlos Barreto, fundadores da Produtora LC Barreto, responsável pela produção e co-produção de filmes de grande sucesso nacional e internacional já há mais de 40 anos em atividade no país. Dessa forma desde pequeno já demonstrava intimidade com a câmera ao realizar diversos curtas-metragens.

Sua atuação como diretor veio aos 19 anos, quando dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos, com Sônia Braga ao lado de José Wilker e Mauro Mendonça.

Ao combinar humor e sensualidade com doses certas, contou a história baseada no romance de Jorge Amado, e como resultado foi um grande sucesso nacional e reconhecido pela crítica, e com essa obra o diretor ganhou o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado de 1977. Lançado em 1976, Dona Flor se transformou no maior sucesso nacional de público com doze milhões de espectadores, só perdendo a liderança na década de 90 com o lançamento do longa-metragem Titanic, observe-se que apesar de um grande número de público a arrecadação não atingiu 10% do faturamento do filme Titanic.

Morou por nove anos nos Estados Unidos, estreou como diretor em Assassinato Sob Duas Bandeiras em 1990, estrelado por Amy Irving, sua esposa na época. Em seguida, dirigiu O Coração da Justiça em 1992. Três anos mais tarde ele trabalhou novamente com Amy Irving no drama romântico Atos de Amor.

Em 1998, filmou Entre o Dever e a Amizade, com Stephen Balwin.

Em 1996, volta para o Brasil para dirigir O Que é Isso Companheiro?, com grande elenco formado por Fernanda Torres e Pedro Cardoso, entre outros. Foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Ao retornar à cidade natal filmou e dirigiu a comédia romântica Bossa Nova em 2000, tendo o Rio e a música popular brasileira dos anos 60 como elementos centrais da história e contando com talentos como Amy Irving, Antônio Fagundes, Drica Moraes e Débora Bloch. O longa-metragem representou o Brasil como “Hors Concurs” no Festival de Berlim no ano 2000.

Filmografia

  1. Última Parada 174 (2008)
  2. Caixa Dois (2007)
  3. O Casamento de Romeu e Julieta (2005)
  4. Voando Alto (2003)
  5. Bossa Nova (2000)
  6. One Tough Cop (1998)
  7. O Que É Isso, Companheiro? (1997)
  8. Carried Away (1996)
  9. The Heart of Justice (1992) (TV)
  10. A Show of Force (1990)
  11. Romance da Empregada (1987)
  12. Além da Paixão (1985)
  13. Gabriela, Cravo e Canela (1983)
  14. O Beijo No Asfalto (1981)
  15. Amor Bandido (1979)
  16. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)
  17. A Estrela Sobe (1974)
  18. Tati, A Garota (1973)
  19. Emboscada (1971)
  20. Este Silêncio Pode Significar Muita Coisa (1970)

Hector Babenco

Hector Eduardo Babenco nasceu em Mar del Plata, no dia 7 de fevereiro de 1946. É um cineasta argentino-brasileiro de ascendência judaico-ucraniana. Nasceu na Argentina e radicou-se no Brasil aos dezenove anos de idade. É naturalizado brasileiro desde 1977.

Trabalhou como figurante em filmes dos diretores espanhóis Sergio Corbucci, Giorgio Ferroni e Mario Camus.

Foi indicado ao Oscar em 1985 pelo seu trabalho no filme “O Beijo da Mulher Aranha”.

Filmografia

  1. O Passado (2007)
  2. Carandiru, Outras Histórias (2 episódios) – série de tv
  3. Carandiru (2003)
  4. Coração Iluminado (1996)
  5. Brincando nos Campos do Senhor (1991)
  6. Ironweed (1987)
  7. O Beijo da Mulher Aranha(1985)
  8. A Terra é Redonda Como uma Laranja (1984)
  9. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1977)
  10. Lúcio Flávio – OPassageiro da Agonia (1977)
  11. O Rei da Noite (1975)

Todos os textos foram extraídos da Wikipédia (com pequenas adaptações e alterações) e as filmografias, do IMDB.

Audrey Hepburn: Talento e Elegância

21 ago

Muitos não sabem, mas Audrey Hepburn, uma das mais prestigiadas profissionais do cinema, teve uma vida digna de um roteiro de filme. Certa vez ela própria comparou sua vida a um conto de fadas. Tão grande quanto sua carreira foi sua jornada pessoal e hoje ela encabeça a lista das mulheres mais bonitas do século XX, deixando para sempre um legado de talento e finura.

Audrey Kathleen Ruston nasceu na capital belga, Bruxelas, em 4 de maio de 1929, indo estudar ainda nova num colégio interno, após a separação de seus pais. Alguns anos mais tarde, já em época de guerra, Audrey fugiu para a Holanda com sua mãe. Foi o começo de uma das épocas mais difíceis da vida da futura atriz. Nesse meio tempo em que se refugiava das tropas nazistas e passava necessidades ao lado de sua família, ela começou a estudar balé e a desenvolver interesse pela importância de usar sua beleza em prol de algo maior. Seus familiares participavam da Resistência e Audrey perdeu muitos entes queridos nessa época. Mas nada que a impedisse de dançar em eventos secretos com o objetivo de arrecadar fundos para atividades anti-guerra.

As condições foram piorando com a invasão da Alemanha na Holanda e a família de Audrey chegou a passar fome. Quando a guerra acabou ela se mudou para Londres para aprimorar suas habilidades em balé e começou a estudar interpretação, assumindo o sobrenome de sua avó materna, Hepburn, e trabalhando como modelo fotográfica. Foi aí que a bela desenvolveu a ambição de se tornar atriz, para, assim, poder ajudar melhor sua família. Começou a filmar pequenas participações em filmes de pouca importância a partir do ano de 1948. Depois de fazer pontas em peças de teatro e uma no filme O Mistério da Torre (The Lavender Hill Mob, 1951), Audrey foi premiada pela primeira vez ao interpretar a personagem título de Gigi nos palcos da Broadway.

A grande chance da atriz nas telonas surgiu nos testes para o filme A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953), do consagrado diretor William Wyler. Ele ficou tão impressionado com o talento de Audrey que deu a ela o papel que deveria ser de Elizabeth Taylor. O filme transformou a atriz numa celebridade instantânea e, de quebra, a fez ganhar o Oscar de Melhor Atriz e um bem sucedido contrato com a Paramount. Algumas semanas depois ela foi novamente premiada no teatro com o Tony, mais uma vez na categoria de Melhor Atriz Principal por sua participação na peça Ondine. Foi nos bastidores desta peça que Audrey conheceu seu futuro marido, o ator Mel Ferrer. Logo após o turbilhão de premiações, a atriz foi escalada para o papel principal no filme Sabrina (Sabrina, 1954) de outro diretor conceituado, Billy Wilder, ao lado dos famosos Humphrey Bogart e William Holden.

Durante sua ascensão no cinema, Audrey também foi se tornando uma referência no mundo da moda e da alta costura. Suas medidas invejáveis e sua delicada beleza são até hoje imbatíveis, assim como sua compostura natural e seu charme peculiar. Durante as filmagens de Sabrina, a atriz foi vestida pelo poderoso nome da moda, Hubert de Givenchy, de quem se tornou grande amiga. Outros grandes nomes da moda também se tornaram presenças constantes na vida de Hepburn. Ela teve a honra de vestir os mais elegantes figurinos dos mais importantes estilistas de sua época.

Mas ainda faltava algo para que a atriz virasse um ícone eterno, algo como uma personagem que a eternizasse no cinema mesmo depois de sua morte. Essa chance única veio com a personagem Holly Golightly no filme Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, 1961), de Blake Edwards. Talvez esse tenha sido o maior desafio de sua carreira, uma vez que Audrey era assumidamente introvertida e devia interpretar uma garota de programa pra lá de extrovertida e esperta. Como todos sabem, ela conseguiu vencer muitíssimo bem esse desafio e se tornou um dos rostos mais conhecidos e admirados do cinema após o lançamento do filme. A canção que embala o filme, Moon River, foi composta por Henry Mancini, que admite te-la escrito exclusivamente para Hepburn.

Depois de Bonequinha de Luxo ainda vieram grandes clássicos protagonizados pela atriz. É o caso de Charada (Charade, 1963), ao lado de Cary Grant; Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964) com Rex Harrison; e o aclamado Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark, 1967), onde ela teve a oportunidade de interpretar uma cega perseguida por um impiedoso assassino.

Terminando a década de 1960, Audrey começou a rarear no cinema, dando uma desacelerada nos ritmos de gravação, também por estar passando por um divórcio com o marido Mel Ferrer. Após sua separação, ela casou-se novamente com um psiquiatra e teve seu segundo filho. Agora mais dedicada à família, participou de algumas poucas produções. Sua última aparição foi num filme de Steven Spielberg, Além da Eternidade (Always, 1989), no qual interpreta um anjo.

Uma carreira humanitária se iniciou após sua saída do cinema. Audrey, na verdade, foi indicada Embaixadora da Boa Vontade do Unicef. Mas isso não era algo inédito na vida da atriz, que já tinha assinado participações em outras instituições da ONU. Agora ela podia dedicar todo seu tempo nisso, talvez em memória de tudo o que havia passado na infância. Depois de diversos prêmios arrecadados nessa nova carreira, Audrey veio a falecer devido ao câncer, com apenas 63 anos de idade. Ganhou o póstumo Prêmio Humanitário Jean Hersholt (1993) na cerimônia do Oscar, que foi recebido por seu filho.

Alguns anos já se passaram desde sua morte, mas Hepburn continua viva no cinema, dando um perfeito exemplo de que talento e beleza podem muito bem andar de mãos dadas. Seja por seu rosto indiscutivelmente belo, seja por seu talento ou até mesmo pela sua vida pessoal altamente respeitável, Audrey Hepburn é uma das mulheres mais fortes e significativas do século XX. Todo esse poder continuará a ecoar pela memória do cinema, e jamais esvanecerá.

Veja a galeria de fotos de Audrey Hepburn!

At Tiffany’s

Top da Década by Luís Otávio

22 jul

1.Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)


2.Amantes (James Gray, 2008)


3.Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)


4.Kill Bill Vol. 1 e Vol. 2 (Quentin Tarantino, 2003 e 2004)


5.Embriagado de Amor (Paul Thomas Anderson, 2002)


6.Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009)


7..Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)


8.Amor à Flor da Pele (Wong Kar-wai, 2000)


9.Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)


10.Corpo Fechado (M. Nigth Shyamalan, 2000)

Feliz Dia do Amigo!

20 jul

Filmes de 2010

17 jul

A seguir, meus rápidos comentários sobre os filmes produzidos em 2010 que eu já assisti. Atenção, não são filmes que chegaram aos cinemas este ano, mas sim aqueles que foram finalizados em 2010.

Alice no País das Maravilhas: 2/5

Tim Burton errou ao fazer mudanças drásticas na história original de Lewis Carroll. Apesar do visual colorido e hipnotizante, falta algo à Alice. Com Johnny Depp forçado, Anne Hathaway caricata e Mia Wasikowska sem nenhum carisma, o destaque fica por conta de Helena Bonham Carter e sua impagável Rainha Vermelha. Tem interessantes efeitos especiais e a direção de arte luxuosa de sempre. Pena que o roteiro seja tão equivocado.

Vale um adendo: se você assistiu em 3D, gastou dinheiro à toa. O uso da tecnologia se faz totalmente desnecessário.

Chico Xavier: 1/5

Ainda que possua uma boa interpretação de Nelson Xavier, o novo filme de Daniel Filho é esquisito e falho. Muito por culpa dele. O vai-e-vem da narrativa incomoda, o restante das atuações são ruins e algumas cenas são risíveis de tão mal filmadas. A única coisa que pode-se dizer à favor do diretor é que ele conseguiu aproximar muito o filme do espectador. Mexe de alguma forma com quem está assistindo, mas isso não salva “Chico Xavier”. Poderia ser bem melhor.

Eclipse: 1/5

Sem dúvidas, “Eclipse” é o melhor filme da Saga Crepúsculo até agora. Seu pior defeito é um que jamais poderá ser consertado: é adaptado de uma obra da Stephenie Meyer. A história, por si só, já consegue acabar com todas as possibilidades do filme ser bom, mas vá lá. Continua com os mesmos problemas, mas a direção de David Slade é mais competente que a dos dois encarregados anteriores. Kristen Stewart perdeu pouco do que tinha conquistado em “Lua Nova”, no entanto. Pattinson continua mostrando que não sabe fazer outra expressão na frente das câmeras. Salva-se Taylor Lautner e seu carisma. Talento ele não tem.

Bem mais suportável que os dois últimos. Os efeitos continuam péssimos.

Fúria de Titãs: 1/5

Um dos piores filmes do ano. Ação mitológica de dar sono. Sam Worthington é péssimo ator, o que ele aliás já havia provado em “Avatar”, mas aqui ele conseguiu se superar. Os efeitos especiais, ok. Nada demais.

É um filme que falha naquilo que se propõe: divertir. Bem abaixo do original, que já não é aquelas coisas.

High School Musical – O Desafio: 0/5

Uma bomba, pra não dizer outra coisa. Não vou perder meu tempo falando desse lixo. Só pare pra pensar: Wanessa Camargo dando aulas de canto. Pois é.

Homem de Ferro 2: 3/5

Tão bom quanto o primeiro filme, o que já é um ponto positivo. Robert Downey Jr. mostra que nasceu para interpretar Tony Stark. Seu carisma segura a superficialidade do personagem. Mickey Rourke dá um ótimo vilão, diga-se de passagem.

Mais divertido e agitado que o original, “Homem de Ferro 2” tem aquele típico problema de sequências cinematográficas: a falta de coerência do roteiro. São problemas cruciais, mas que não estragam o programa como um todo.

É um bom filme, com ótimos efeitos especiais e a trilha fantástica do AC/DC.

A Hora do Pesadelo: 2/5

Poderia ser muuuito pior. Não chega aos pés do filme original, mas não é um daqueles filmes de terror trash que conseguem até ser cômicos. Para quem não conhece a história, não é descartável. Para quem já viu, não precisa se dar ao trabalho de ver uma refilmagem inferior.

Tem as más atuações de sempre, mas Jackie Earle Haley mostra-se um bom Freddy Krueger. Razoável entretenimento, mas jamais essencial.

Idas e Vindas do Amor: 1/5

Comédia romântica bobinha, engraçadinha. Estrelas do cinema com atuações medíocres, situações previsíveis e um humor muito ralo. Serve como bom entretenimento ao lado do namorado(a), mas só.

Interessante por único motivo: mostra diversas facetas do amor, não só o tradicional. É o mínimo que se poderia fazer, mas não é um filme detestável de tão ruim.

Ilha do Medo: 4/5

Uma mistura excepcional de Martin Scorsese e Stanley Kubrick. “Ilha do Medo” lembra “O Iluminado”, principalmente na sensação de isolamento. A ótima trilha sonora deixa o clima de suspense ainda mais eficiente. Toda a estética do filme é muito boa, ainda mais a fotografia.

Não preciso dizer que Leonardo DiCaprio está excelente. O filme é dele, por assim dizer.

Pode ser até previsível, mas há quem pense em um final alternativo. Um grande filme de Martin Scorsese, que entra de vez para o gênero do suspense como um ícone (assistam ao ótimo “Cabo do Medo”). Desde já um dos melhores do ano.

O Livro de Eli: 3/5

Uma agradável surpresa. O destaque aqui fica por conta do visual impactante. A mensagem é transmitida de forma eficiente, mas talvez o único problema seja o excesso de panfletagem religiosa inserida no discurso.

Tem lá suas surpresas e revelações. Vale a pena conferir, principalmente porque por trás de toda a trama, existe um eficiente thriller de ação.

As Melhores Coisas do Mundo: 3/5

Uma outra ótima surpresa. É o melhor filme de Laís Bodanzky, com boas atuações do elenco adolescente. Tem uma mensagem muito interessante e é um dos poucos filmes que mostram a adolescência como ela é, sem as firulas de “Malhação”.

Um filme realmente bom, divertido e imperdível.

Uma Noite Fora de Série: 3/5

Não fosse por Tina Fey e Steve Carrell, não sei o que seria deste “Date Night”. Só vale por causa deles e do talento para a comédia que compartilham. Algumas sequências são fruto do improviso dos dois. Resultado: eles são o que o filme há de melhor.

A trama é fraca e clichê, mas a dupla seguras as pontas e, no final, serve como ótimo entretenimento.

Percy Jackson e o Ladrão de Raios: 3/5

Não deixa de ser um bom filme. É muito mais fácil gostar se você não tiver lido os livros, claro. É interessante, principalmente porque a história toca num ponto da mitologia que prende a atenção das pessoas.

Logan Lerman veio para fazer sucesso, embora seu talento denuncie sua origem. Ele ainda não é bom ator, mas tem tudo para ser se tiver uma ajuda.

Enfim, consegue divertir com algumas boas sequências de ação. Mas prepare o riso. Quando toca Lady Gaga na cena do cassino, é impossível deixar de dar risada do ridículo.

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo: 1/5

Se você é fã do jogo, pode começar a ficar puto. O filme é péssimo. Jake Gyllenhaal jamais conseguirá repetir a atuação de O Segredo de Brokeback Mountain. Só Ang Lee para conseguir tirar algo de um ator tão limitado. Outros atores com muito mais talento também são extremamente desperdiçados, como Ben Kingsley, Liam Neeson e Ralph Fiennes.

A trama é mal desenvolvida, a ação é cansativa e os efeitos especiais são muito fracos. O filme todo é muito fraco. Resumindo, passe longe.

Quincas Berro D’Água: 3/5

É uma boa adaptação da obra de Jorge Amado. O destaque aqui fica por conta das interpretações. O elenco está afiadíssimo, principalmente Paulo José, que mesmo morto no filme é capaz de uma boa atuação.

Um tanto exagerado, mas um bom exemplar de cinema brasileiro recente.

Robin Hood: 1/5

Ridley Scott comprova sua decadência no cinema. Mais um filme fraco para sua lista de fracassos. Russell Crowe completamente fora do tom aqui, onde o destaque das atuações é todo de Cate Blanchett e Max Von Sydow.

A trama do filme termina na origem da lenda de Robin Hood. Deus queira que Scott não invente de fazer uma sequência.

Como entretenimento, a longa duração é um fator que atrapalha, e muito.

Sex and the City 2: 2/5

Consegue ser melhor que o primeiro. É bastante divertido ver as quatro amigas andarem pra lá e pra cá no meio do deserto vestindo roupas extravagantes e impossíveis. Aliás, as quatro juntas fazem o filme valer a pena.

Algumas cenas quase colocam tudo a perder, como a versão “Single Ladies” de Liza Minelli. Mas Kim Catrall ganha destaque com sua interpretação. Com ela, as risadas são garantidas.

Shrek Para Sempre: 1/4

O pior de todos os “Shrek”. Não têm mais o que inventar, é essa a conclusão que chego. Espero que tenham parado por aí.

O pouco de diversão que havia no terceiro desaparece totalmente neste. A trama é clichê, previsível. É a mesma premissa de “A Felicidade Não se Compra”, mas Shrek não é um George Baley muito convincente.

Dispensável.

Toy Story 3: 5/5

O melhor de toda a trilogia. “Toy Story 3” é ainda mais belo e emocionante que os dois anteriores. O carisma dos brinquedos e a bela mensagem final fazem 15 anos de espera valer a pena.

Um filmaço. A mais nova obra-prima da Pixar.

Os adultos vão gostar mais que as crianças, pode contar com isso.

+ Dia & Noite: um curta belíssimo, com uma excelente utilização do 3D. A mensagem é maravilhosa.