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O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?

31 out

Nessa segunda parte de nossa série de entrevistas, Alexandre Koball nos trará sua opinião a respeito do encanto e do poder do cinema na vida das pessoas. Koball é editor e fundador do site Cineplayers, e declara-se apaixonado por cinema há pelo menos uma década. Desde que o site começou suas atividades, em 2003, ele já criticou mais de 300 filmes, usando sempre sua visão afiada na hora de estabelecer um “veredito”. Ao longo dos anos veio conquistando fãs e admiradores por meio da paixão pela sétima arte.

Confira abaixo a entrevista:

Sindicato – Alexandre, você diz que se apaixonou pelo cinema há mais de uma década. Sendo assim, como você descreveria o cinema do seu ponto de vista?

Koball – Sim, é verdade. O cinema começou como um hobby (antes, eram os games) e virou uma paixão, uma forma de conhecer e me aprofundar sobre a vida, sentir emoções que somente através dele poderia sentir ou, esporadicamente, entreter-me.

Sindicato – Algum filme em especial pode ser considerado como o responsável por essa paixão pelo cinema?

Koball – A nova versão de Star Wars, apesar de hoje vê-la como filmes inferiores à trilogia original, me despertou esse sentimento. O tom épico que foi dado aos filmes em 1999 e 2002, a expectativa, a ansiedade, tudo isso contribuiu. Depois veio a trilogia O Senhor dos Anéis, que pegou tudo isso e jogou a níveis exponenciais. A partir daí vieram Trier, Kurosawa, Scorsese, e a lista segue…

Sindicato – Seu gosto pelo cinema o levou a fundar um site sobre o tema juntamente com outros cinéfilos. O que envolveu a criação desse site, desde os primeiros passos até a popularidade alcançada por ele hoje?

Koball – O que envolveu foi essa paixão crescente, a necessidade de ir além de assistir filmes. Sozinho, fazer algo assim era muito difícil, mas ao juntar quatro amigos de Internet com o mesmo sentimento, não apenas foi fácil (apesar dos desafios), como ajudou e muito a aumentar o conhecimento e a paixão sobre cinema. Desde o começo tudo que diz respeito ao site foi conquistado com nosso próprio trabalho, não ganhamos nada, jamais, e isso de certa forma nos motivou. A partir de 2003 foi um crescimento constante. Naquela época já existiam sites de cinema e não prevíamos que iria dar tão certo (era apenas um sonho), mas com a resposta dos leitores, a motivação para insistir e prosperar foi constante e aí vieram a segunda e a terceira versões. Pretendemos dar continuidade a tudo isso enquanto houver paixão.

Sindicato – Hoje a popularidade e a qualidade do site se devem a o quê?

Koball – Tentamos fazer o que os leitores gostam, na medida do possível. Temos milhares deles, apaixonados por cinema, e direcionamos o conteúdo do site e suas seções e funcionalidades ao que eles querem. Antes não era assim, a gente fazia o que achava que era melhor. Felizmente deu certo pois somos cinéfilos também e se a gente gostava então a maioria dos cinéfilos gostariam também, digo, com relação aos tops, críticas de clássicos, estilo dos fóruns. Mas hoje, até pela concorrência, estamos direcionando nossos esforços, mais do que nunca, a atender aos pedidos dos leitores. Por isso tantas promoções, cadastros direcionados aos leitores, implementação de funcionalidades que os leitores gostariam de ver. Misturamos isso ao que existe desde o começo do site, não queremos perder nossa essência também, e fazer algo seguindo a moda (no caso, mídias sociais), pois a moda sempre muda, já o cinema, acreditamos, é eterno.

Sindicato – Você nunca cursou nada a respeito de cinema ou a respeito de escrita. Então de onde vem essa habilidade incrível em criticar os filmes com um aspecto tão profissional?

Koball – Não me considero tudo isso, nem de longe. Como o site é muito popular, é fácil encontrar quem goste, na mesma proporção de quem critica negativamente. É o que acontece quando você se expõe publicamente. Mas, se há qualidades, acredito que elas venham de três coisas: paixão pelo cinema, pela leitura e pela escrita. Qualquer um que tenha isso dentro de si não precisa de formação acadêmica, nesse caso.

Sindicato – Sua postura indica que você tem uma opinião bem formada sobre todas as facetas do cinema. Então, com sinceridade, quais são os defeitos existentes nesse ramo?

Koball – O maior defeito, infelizmente, é o que faz ele ir em frente. É a questão comercial, fazer os filmes pelo dinheiro, atropelando o amor, ignorando a qualidade. Isso existe há décadas mas está muito forte hoje, mais do que nunca quase tudo é negócio, necessidade de faturamento. Mas, sem dinheiro, não dá para fazer os filmes verdadeiramente bons, a não ser com recursos particulares, e nesse caso seriam pouquíssimos os cineastas envolvidos na construção de obras-primas.

Sindicato – Quais são suas preferências no cinema? Diretores, atores, gêneros…

Koball – Amo o cinema de terror ou suspense, aquele que faz arrepiar a espinha, por isso sou apaixonado por Hitchcock, Polanski, e através do próprio site e dos próprios leitores e outros editores, pude experimentar muitas coisas novas nesse gênero. Mas também amo os épicos, por isso minha admiração por Ben-Hur, Senhor dos Anéis, etc. No fim das contas, fica impossível definir minhas preferências.

Sindicato – Qual sua opinião a respeito do cinema nacional?

Koball – Está decolando, finalmente. Ganhando variedade e grande público. Precisaria se desvencilhar do monopólio da Globo Filmes, ter um segundo nome com sua força, aí sim, seria questão de tempo até ele atingir as alturas.

Sindicato – Se você pudesse escolher, qual filme levaria o prêmio na próxima cerimônia do Oscar, e por quê?

Koball – É muito cedo para dizer, A Origem é o grande blockbuster do ano mas um filme assim não tem chance. Talvez A Rede Social, de Fincher, que deve ser fenomenal. Mas os grandes candidatos ainda virão, como The King’s Speech, 127 Hours e a refilmagem de Bravura Indômita, dos Coen. Vai ser interessante.

Sindicato – Em linhas gerais, como o cinema afeta sua vida?

Koball – Ele faz parte do dia-a-dia, sem exceções. Ele ajuda a definir minha personalidade (pois tiro coisas importantes de grande parte dos filmes) e conhecimento. Somos bem ligados.

Sindicato – Para terminar, gostaria que você citasse uma frase de algum filme que tenha um valor especial para você.

Koball – Não uma frase, mas todos os grandes diálogos de 12 Homens e uma Sentença. São arrepiantes sempre que revisito o filme.

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Michelle Williams como Marilyn Monroe

9 out


Tony Curtis: Um dos figurões da Era de Ouro em Hollywood

2 out

No dia 30 de setembro de 2010, o cinema americano perdeu um de seus maiores nomes, o ator Tony Curtis. Famoso nas produções hollywoodianas principalmente nas décadas de 1950 e 1960, esse astro era até pouco tempo uma das maiores lendas vivas da glamorosa Era de Ouro. Seu par de olhos claros e seu topete estrategicamente posicionado na cabeça fizeram dele um dos maiores galãs arrasadores de corações das jovenzinhas de sua época, sendo até hoje considerado um dos atores de maior beleza que já passaram por Hollywood. No entanto, toda essa beleza acabou sendo um empecilho em sua carreira, impedindo que fosse levado a sério como um artista de talento. Hoje sabemos que ele foi um dos mais talentosos nomes de sua época, mas naquele tempo as produtoras só queriam mesmo saber da bilheteria que sua beleza invejável arrecadava.

Seu nome real é Bernard Schwartz, nascido no dia 5 de Junho de 1925, no Bronx, um pouco respeitado bairro de Nova York na época. Filho de um pobre alfaiate, e cheio de problemas de família, chegou a passar um tempo morando num orfanato com seu irmão. Cresceu num ambiente pouco agradável e chegou a se envolver com gangues na sua pré-adolescência. Ainda jovem se alistou na Marinha e foi para a Segunda Guerra Mundial, onde viveu situações dignas de filme lá para os lados do Japão. Ao voltar para a América, usou todo o resto de seus recursos para pagar aulas de interpretação. Não foi preciso muito para se fazer notar depois de alguns papéis pequenos em teatros, chamando atenção de produtores da Universal, conseguindo em seguida um contrato de sete anos com a produtora.

Apesar de ser um dos protegidos da produtora, demorou um pouco até Curtis conseguir um papel bom num filme, o que lhe deu tempo de sobra para ir aperfeiçoando suas habilidades em artes cênicas, esgrima e montaria. Depois de algumas produções pequenas que só visavam atrair o público jovem ao cinema, Curtis recebeu um convite de Burt Lancaster para atuar ao seu lado em Trapézio (Trapeze, 1956) e A Embriaguez do Sucesso (Sweet Smell of Success, 1957), conseguindo finalmente ganhar um reconhecimento maior. Uma coisa levou a outra e logo recebeu uma indicação ao Oscar pelo seu trabalho em Acorrentados (The Defiant Ones, 1958), seguido por uma participação grande e mega famosa na comédia de Billy Wilder, Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959), num papel arriscado e muito bem sucedido.

Papéis mais respeitados vieram em filmes grandes como Spartacus (Spartacus, 1960), de Stanley Kubrick, e O Homem que Odiava as Mulheres (The Boston Strangler, 1968), interpretando neste último um serial killer inescrupuloso. Apesar dessas grandes oportunidades, nunca quis deixar a comédia de lado, estrelando também bons filmes do gênero, como Boeing Boeing (Boeing Boeing, 1965) ao lado de Jerry Lewis.

A década seguinte foi mais calma para a carreira cinematográfica do ator, onde se focou mais em trabalhos na televisão e teatro, aparecendo vez ou outra nas telonas. Suas atuações mais conhecidas dessa época foram nos filmes O Último Magnata (The Last Tycoon, 1975), de Elia Kazan, e Malícia Atômica (Insignificance, 1985). Na metade final da década de 1980, foi se dedicando mais a outros tipos de arte, como pintura e música.

Sua vida pessoal era um tanto movimentada, sendo casado nada menos que seis vezes, uma delas com a atriz Janet Leigh, famosa por sua participação em “Psicose” (Psycho, 1960), com quem teve a única filha que seguiu a carreira artística do pai, Jamie Lee Curtis.  A mais recente, Jill Vandenbergh Curtis, é 42 anos mais nova, e o total de filhos que teve foram seis. Um de seus filhos já morreu, ainda jovem, trazendo um grande momento de depressão para o ator.

Nos palcos da Broadway teve o prazer participar na versão musical de Quanto Mais Quente Melhor, interpretando o papel de Osgood Fielding III, em 2002. Claro que nesse momento ele já não desfrutava de um sucesso avassalador, podendo aproveitar melhor seu fim devida. Curtis nunca fez questão de esconder o seu desagrado com a vida pública e com o assédio que levava na época de seu estrelato, dizendo certa vez que tinha duas profissões: uma como ator e outra como famoso.

Andava meio sumido de teatros, filmes e televisão nos últimos anos, com a saúde bastante debilitada também. Na noite de quarta-feira do dia 29 de Setembro de 2010, teve uma parada cardíaca e acabou levando óbito horas mais tarde, aos 85 anos. Sua filha Jamie Lee Curtis anunciou sua morte no dia seguinte, frisando que Hollywood perdia ali um de seus grandes nomes.

Por um lado ficamos tristes por essa grande perda sofrida no cinema, mas como consolo sabemos que uma das vantagens desse tipo de arte é o poder de imortalizar seus artistas. Por isso Tony Curtis será sempre lembrado por todos que já tiveram o enorme prazer de vê-lo em cena, conferindo de perto seu grande talento e carisma. Desde sua inesquecível atuação travestida em ‘Quanto Mais Quente Melhor’, ao lado de Jack Lemmon e Marilyn Monroe, até seus papéis mais sérios e cultuados. Tudo pode ser considerado um primor na carreira desse grande intérprete, que soube usar sua vida em dedicação à arte, nos possibilitando assim de checá-lo sempre que possível em seus grandes trabalhos.

Morre o ator Tony Curtis

30 set

O ator americano Tony Curtis, de 85 anos faleceu hoje, por volta da meia-noite, vítima de um ataque cardíaco.

Curtis ficou conhecido como um dos homens mais bonitos de seu tempo, além como um dos atores mais carismáticos que o cinema já viu. Tendo sido eleito o homem mais belo de todo o planeta, Curtis ainda namorou beldades como Marilyn Monroe e Natalie Wood.

Um de seus papeis mais marcantes no cinema foi no longa Quanto Mais Quente Melhor de Billy Wilder, considerado até hoje como a melhor comédia de todos os tempos.

Em 1959, Tony Curtis foi indicado ao Oscar por sua atuação em Acorrentados, de Stanley Kramer.

Morre o cineasta Arthur Penn

30 set

O diretor de cinema Arthur Penn, de 88 anos, faleceu na noite de ontem, devido a uma parada cardiorrespiratória. Penn, que ficou conhecido como o cineasta que trouxe para as telas a história dos bandidos Bonnie e Clyde, no filme Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas, morreu na sua casa em Manhattan. Segundo sua filha Molly, o diretor estava doente havia um ano.

Nascido na Filadélfia, Arthur Penn foi responsável pela direção de grandes obras cinematográficas, dentre as quais estão as produções O Milagre de Anne Sullivan e Pequeno Grande Homem. Ele foi indicado três vezes para o Oscar, mas nunca ganhou.

Gloria Stuart morre aos 100 anos

27 set

A atriz americana Gloria Stuart, que ficou conhecida por interpretar Rose idosa em Titanic, morreu hoje aos 100 anos de idade em sua casa, na cidade de Los Angeles. Ela vinha lutando contra um câncer no pulmão há cinco anos.

Gloria começou sua carreira no cinema em 1932, mas desistiu do cinema para se dedicar à pintura. Seu retorno só aconteceu na década de 80, quando participou do filme My Favorite Year.

Em 1997, aos 86 anos, Gloria teria o principal papel de sua carreira no cinema. Como Rose idosa na megaprodução Titanic, de James Cameron, a atriz recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Ela é, até hoje, a mulher mais velha a ser nomeada para a premiação.

O Encanto do Cinema: Como a Sétima Arte Atinge sua Vida?

22 set

Nada melhor do que discutir cinema com outras pessoas, conhecer opiniões alheias e saber como esse tipo de mídia atinge cada um de uma forma diferente. Começo essa reportagem com uma série de entrevistas com pessoas comuns do nosso dia a dia, as quais têm o cinema como grande fonte de entretenimento. A escolhida para iniciar o especial é a querida Josiane Kleinschmidt, mais conhecida como Josi por todos os seus fãs. Josi é uma das colaboradoras do site Cineplayers e é fã de cinema desde a adolescência. Segue abaixo a minha entrevista com ela:

Sindicato – Josi, você se diz uma amante do cinema. Mas o que é cinema para você? Como você o descreveria?

Josi – Em primeiro lugar, sou sim uma pessoa que ama o cinema em sua totalidade. Tanto que dei um “jeito” de estar ligada a ele em quase todos os momentos do meu dia. Trabalho em uma videolocadora e também faço parte do site www.cineplayers.com, onde sou estagiária e ajudo nos cadastros de fichas de filmes e perfis. E descreveria o cinema como algo que me faz viajar em pouco mais de uma hora por vários lugares, mesmo sentada na poltrona de casa ou na sala escura. Também o descreveria como uma maneira de vivenciar algo novo a cada projeção, vendo a vida sob vários pontos de vista.

Sindicato – Tem algum filme em especial que fez você se apaixonar pelo cinema?

Josi – Pode parecer brincadeira, mas o que me fez abrir os olhos para a arte do cinema foi “Lua de Cristal”.

Sindicato – Muitas pessoas dizem gostar de cinema, mas são poucas as que realmente fazem dele um passatempo prioritário. Você se considera apenas uma admiradora saudável dessa arte ou uma verdadeira cinéfila de plantão?

Josi – Para que algo seja bom e duradouro, não pode ser exagerado. Então procuro manter a minha paixão pelo cinema dentro de um nível, o qual ele não extrapole o limite da paixão, nem vire prioridade. Pois a vida é feita de prioridades muito mais importantes, como a família. Mas o cinema é algo que acrescenta em minha vida.

Sindicato – Um cinéfilo de respeito é aquele que conhece todos o filmes, desde os clássicos até os mais desconhecidos?

Josi – Para mim um cinéfilo, ou qualquer pessoa em qualquer ramo que queira ser de “respeito”, é alguém que acima de tudo, procura a excelência no que faz e está sempre atualizado.

Sindicato – Qualquer pessoa pode ser considerada amante de cinema? Qual é o perfil básico de um fã desse tipo de mídia, na sua opinião?

Josi – Como o cinema é algo acessível para qualquer pessoa, acho que basta querer para ser um amante.

Sindicato – Você poderia descrever alguma cena ou sequencia de um filme que tenha te marcado?

Josi – A cena em “Dogville”, onde Grace, a personagem de Nicole Kidman, ordena a chacina de todos na vila onde ela havia se refugiado, não poupando nem as crianças.

Sindicato – Quais são suas preferências no cinema? Diretores, atores, gêneros…

Josi – Diretores: Lars Von Trier. Atores: George Clooney; Jason Statham. Atrizes: Nicole Kidman; Julia Roberts. Gêneros: não há um gênero específico. Eu procuro ver filmes bons, acima de tudo com algum conteúdo a me oferecer.

Sindicato – Há algo no cinema que te desagrade?

Josi – A falta de criatividade atual, o que faz o cinema ser inundado de adaptações, refilmagens e continuações. Ainda bem que tem pessoas (poucas) que ainda salvam.

Sindicato – Qual sua opinião a respeito do cinema nacional?

Josi – Ultimamente o cinema nacional está evoluindo bastante. Os roteiristas escrevem histórias mais fortes e parece que os envolvidos nas produções estão achando finalmente o caminho.

Sindicato – Se você pudesse escolher, qual filme levaria o prêmio na próxima cerimônia do Oscar, e por quê?

Josi – A Origem, de Christopher Nolan, pois é um filme muito inventivo. Se tratando de inovações e elementos diferenciados, pode ser não só um dos melhores do ano como um dos melhores de uns tempos para cá. Por enquanto, dos que eu vi até hoje, é o que mais tem cara de Oscar.

Sindicato – Por fim, Josi, em linhas gerais, como o cinema atinge sua vida?

Josi – O cinema atingiu e continua atingindo a minha vida principalmente no lado cultural. Através do cinema, podemos aprender várias culturas, palavras, idiomas e isso atinge diretamente o nosso dia a dia e a nossa convivência com a sociedade.

Sindicato – Para terminar, gostaria que você citasse uma frase de algum filme que tenha um valor especial para você.

Josi – “Um homem pode mudar tudo. Sua face, sua casa, sua família, sua namorada, sua religião, seu deus. Mas há uma coisa que ele não pode mudar. Ele não pode mudar sua paixão…”. De O Segredo dos Seus Olhos.

Dose dupla de Yann Tiersen

19 set

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Adeus, Lênin!

Quanto Mais Wilder Melhor: A Vida de um Mestre

29 ago

É fácil se perguntar qual a melhor obra de autoria do diretor e roteirista Billy Wilder. Mas fica difícil encontrar um merecedor desse reconhecimento diante da vasta e bem sucedida filmografia do cineasta. E a razão maior para tantas opiniões diversas é uma: Wilder foi mestre em todos os gêneros que abordou, de modo que agradou a todos os gostos em sua ampla carreira.

Apesar do nome americanizado, Wilder é austríaco e seu primeiro nome verdadeiro é Samuel. Nascido em 22 de junho de 1906, numa cidade pertencente ao hoje extinto Império Austro-Húngaro, Wilder assumiu o primeiro nome “Billy” devido ao apelido dado por sua mãe na infância. E também desde pequeno que cultivava grande admiração e interesse pela cultura americana.

Depois de grande, morando em Viena, largou a faculdade de direito para seguir uma carreira jornalística. Uma coisa levou a outra e de jornalista passou a roteirista em Berlim. Seu primeiro projeto cinematográfico foi Homens no Domingo (Menschen am Sonntag, 1930), dirigido por Robert Siodmak e Edgar Ulmer, filme que marcou o início do aclamado realismo alemão. Tal produção abriu portas essenciais para Wilder, que então passou a integrar a UFA, o principal estúdio de cinema alemão dos anos 1920. Já na década de 1930, roteirizou inúmeros filmes e fez grandes amizades no ramo. Mas com a ascensão de Hitler na Alemanha obrigou Wilder, que era judeu, a fugir para Paris em 1933, onde co-dirigiu Semente Ruim (Mauvaise Graine, 1933). Logo em seguida partiu para Nova York, num outro continente, sendo recebido por seu irmão que já morava lá há alguns anos. Começou então sua longa jornada em território americano, assim como começava um novo capítulo na história do cinema.

O inglês foi um grande problema para Wilder e para todos os outros artistas refugiados da Alemanha, como Fritz Lang e Douglas Sirk. Mas por isolar-se dessa comunidade de artistas, Wilder conseguiu aprender bem o inglês, possibilitando sua carreira como futuro roteirista (se naturalizando americano algum tempo depois).

Depois de aprender o novo idioma, Wilder conseguiu um emprego na Paramount, iniciando uma grande amizade e parceria com o famoso roteirista Charles Brackett. Escreveram juntos grandes obras para grandes diretores, inclusive Ernst Lubitsch, o ídolo de Wilder. Foram também responsáveis pelo roteiro de Ninotchka (Ninotchka,1939), o famoso filme em que Greta Garbo finalmente solta uma risada. Foi também através de Ninotchka que ambos receberam a primeira indicação ao Oscar.

Mas seu temperamento e indignação com o meio de trabalho em Hollywood o levaram a decidir dirigir seus próprios projetos, tendo a oportunidade de alcançar uma tão desejada liberdade de expressão, onde não haveria produtores editando seus textos e adaptando-os segundo seus próprios critérios. A Incrível Suzana (The Major and the Minor, 1942) marcou essa nova fase, e daí em diante ele não parou mais. Juntou-se ao célebre escritor Raymond Chandler no filme Pacto de Sangue (Double Idemnity, 1944), uma de suas obras mais famosas que, juntamente com Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, 1957), forma a dupla de filmes policiais mais clássicos do diretor.

Vieram então inúmeras obras-primas, como Farrapo Humano (The Lost Weekend, 1945), Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, 1951), Sabrina (Sabrina, 1954) e Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959), considerada a grande comédia americana pelo American Film Institute.

Interessante notar que Wilder usou cada obra pra se especializar num gênero diferente. Quanto Mais Quente Melhor lhe trouxe a consagração na comédia, Sabrina no romance, Testemunha de Acusação no suspense e por aí vai. Se Meu Apartamento Falasse (The Apartament, 1960) é um caso à parte, em que o diretor mistura com maestria diversos gêneros. Mas foi com o insuperável Crepúsculo dos Deuses que Wilder se firmou eternamente como lenda, trazendo um retrato cáustico do seu próprio meio de trabalho. Os resultados desse conjunto de obras foram 21 indicações ao Oscar e 6 estatuetas levadas para casa (entre elas o Oscar especial Irving G. Thalberg, em 1988, considerado o prêmio máximo na carreira de um artista do ramo do cinema).

Mais do que filmes bons, mais do que obras-primas consagradas, Wilder foi um mestre em abordar a profundidade do ser humano em cada diferente trabalho. Sua visão madura e por muitas vezes cáustica da vida lhe capacitou a transitar sem dificuldades nas abordagens sobre o ser humano, dando maior conteúdo à sua inteira filmografia. Infelizmente, essa genialidade única se foi em 27 de março de 2002, quando a pneumonia levou embora a vida desse mestre, que deixou um legado de sabedoria e talento sem igual no cinema.

Sendo Wilder um roteirista hábil, que soube tirar o melhor de todos os gêneros, termino essa biografia citando uma frase dita pelo próprio cineasta, que resume bem seu estilo de trabalho:

“Fiz de tudo: fui roteirista, diretor… mas fazer apenas um gênero de filme? Não como todo dia no mesmo restaurante”


O cinema de M. Night Shyamalan: uma análise sobre as obras do diretor

25 ago

O Sexto Sentido não foi somente um marco na trajetória do gênero suspense, mas foi aquele que apresentou ao cinema aquele que viria a ser considerado o novo mestre do gênero: trata-se de M. Night Shyamalan, um Indiano nascido em Mahé, Pondicherry, e que, com seu filme de estreia, alcançou o status de novo gênio do cinema. E assim foi sendo, o diretor vinha mostrando grande habilidade na condução de seus roteiros, mas ultimamente parece que este cineasta tão promissor vem perdendo a mão. Afinal, qual é o problema do cinema atual de Shyamalan?

Para tentar chegar a uma conclusão plausível, é preciso reavaliar inteiramente suas obras anteriores. Na realidade, houve uma produção do diretor anterior a O Sexto Sentido, intitulada Olhos Abertos, lançado no ano de 1998. Assim como seus filmes que viriam em seguida, o diretor já demonstrava gosto por discussões religiosas (o longa é, na realidade, uma obra quase autobiográfica). Foi uma produção pequena, de baixo orçamento e que pouco chamou a atenção do público, mas que abriu portas ao cineasta.

E foi em 1999 que Shyamalan explodiu nos cinemas com o clássico “The Sixth Sense”, que até hoje permanece como um ícone do suspense. Fazendo questão de escolher Bruce Willis para o papel principal, o diretor criou aquele que talvez seja a obra-prima máxima do suspense atual, não por criar sustos aos montes (coisa inexistente no filme), ou por mostrar baldes e mais baldes de sangue. Mas por ter realizado um filme profundo, que mesmo sendo uma ficção, possuía personagens reais, muito bem desenvolvidos e fáceis de identificar. A ótima recepção da crítica e do público foi mais do que justa, e o filme conseguiu arrecadar grandes números nas bilheterias. O sucesso do longa levou o nome do diretor ao topo, fazendo com este concorresse ao Oscar. “O Sexto Sentido” ainda seria indicados a outras cinco categorias, entre elas o de melhor filme.

Depois disso, muitos se precipitaram quando começaram a alegar que Shyamalan era “o novo Hitchcock”. Com isso, a exigência para o próximo filme de Shyamalan foi grande, e foi com estas expectativas errôneas que Corpo Fechado foi recebido em 2000. Trazendo novamente Bruce Willis como protagonista, o diretor criou mais uma grande obra, extremamente profunda e envolvente, mas com um final não tão surpreendente quanto o de O Sexto Sentido. E foi neste ponto que muitos erraram: The Sixth Sense é um filme, “Corpo Fechado” é outro. Comparar a força da reviravolta de cada filme foi algo realmente estúpido, uma vez que cada um narra uma trama diferente e as expectativas e alegações exageradas acabaram fazendo com que muitos não entendessem o objetivo do longa.

Com Sinais, o diretor recuperou boa parte do respeito e admiração que alcançou com O Sexto Sentido, e conseguiu novamente arrecadar uma boa quantia nas bilheterias. Neste filme, o teor religioso sempre abordado pelo diretor se torna mais forte, e nem mesmo a história boba ou o clímax um tanto decepcionante impediram-no de realizar mais um grande filme, que não propõe somente o que o gênero costuma apresentar, mas lança a proposta de fazer o espectador pensar e refletir sobre o que o se passa.

Em 2004, Shyamalan viria com aquele que, para muitos, seria o mote do declínio de sua carreira. A Vila foi mais um filme comercial do diretor, e que mesmo tendo alcançado um grande sucesso, desagradou boa parcela de seus admiradores. O filme, na verdade, é uma grande aula de como criar um clima angustiante e incômodo. Uma pena que poucos tenham entendido isso.

Mas foi em 2006, com o filme A Dama na Água, que o diretor viria a ser escrachado por 99% do público e crítica. Optando por uma abordagem diferenciada (o filme é mais uma fantasia do que um suspense propriamente dito), a arrogância do diretor acabou tomando conta de seu ego, e se transmitiu em quase toda a película (a presença e morte de um crítico no filme é uma prova incontestável disso), o que fez com que fosse rebaixado ao menor patamar possível. O filme foi tão mal recebido que recebeu indicações ao Framboesa de Ouro, tendo levado o de pior diretor e pior ator coadjuvante (já que Shyamalan também atua na produção).

Foi com a imagem ainda suja perante a crítica que, em 2008, o cineasta lançou Fim dos Tempos. Apesar de ser mais um suspense com a marca do diretor, este possui ares de filme “B”, tendo a proposta única de divertir. Mas fica a pergunta: será que foi certo realizar uma sátira diante de um assunto tão sério como o aquecimento global? Infelizmente, o filme acabou cometendo erros que nem mesmo um filme “B” aceitaria, e não foi mais nada do que um bom filme. A crítica, logicamente, desprezou o filme.

Este ano, Shyamalan chega com uma produção completamente diferente, O Último Mestre do Ar, baseado em um desenho japonês. É um filme que está sendo bem recebido por uns, mas desprezado por outros (principalmente pela crítica norte-americana). A questão é: o diretor conseguirá recuperar o prestígio e respeito que possuía antes?

Filmografia de M. Night Shyamalan

Olhos Abertos (1998)

O Sexto Sentido (1999)

Corpo Fechado (2000)

Sinais (2001)

A Vila (2004)

A Dama na Água (2006)

Fim dos Tempos (2008)

O Último Mestre do Ar (2010)