Insônia (2002)

26 out

Um filme que não surpreende em quase nada, cria alguns bons momentos, mas que porém acabam por se perder num caminho sem objetivo, a não ser o da boa atuação de Al Pacino. Já é bom avisar aos desavisados que o filme só é dirigido por Christopher Nolan, portanto não pertence a ele, aliás, até a direção, por vezes, parece estar em outras mãos que não do diretor. Tendo George Clooney como um dos produtores a obra não chega nem a ser ruim, mas também não passa da mediocridade, é boa, e só. O filme não é atrativo, a não ser pelo misteriozinho que inseri a trama só para que nós não adormeçamos. Tá, o filme só existe por causa dos crimes que levam ao mistério e por ai vai, mas convenhamos, o argumento para tudo isso é inexistente, o que deixa a obra arrastada e quase que tortuosa para quem vê. Mas alguns momentos são salvos com cenas bem filmadas e uma tensão sem pretensões maiores. A maioria dos personagens não existe, no sentido existencial da palavra, pois a identidade de cada um se perde, para que nós só foquemos no personagem de Pacino, o que nem é muito ruim, porém, alguns personagens ganham um destaque maior, como o da Hilary Swank e do vilão da obra, interpretado por Robin Williams.

O filme começa trazendo dois detetives de Los Angels para uma cidade isolada no Alaska, onde a noite é dia e as pessoas acham normal. Porém, é uma cidadezinha pequena como qualquer outra de interior, pessoas honestas e simpáticas, simplórias e amigáveis e fáceis de impressionar. E os dois detetives só vão parar ali por causa do assassinato de uma garota que estudava o colegial, e que tinha relações suspeitas com alguma pessoa misteriosa. O assassinato choca a cidade e os policiais medíocres da mesma, porém uma oficial do distrito tem ambições maiores e começa a entrar mais a fundo no caso, junto com os outros dois detetives forasteiros. Ao aramarem uma cilada mal sucedida e o provável assassino escapar, o Detetive Will Dormer acaba acertando seu parceiro sem intenção, o que ocasiona a morte do mesmo. Só que o provável assassino vê o que Dormer fez e começa a chantageá-lo. A morte do parceiro faz com que o detetive de L.A perca o sono por não saber se atirou por querer ou não, pois na noite anterior ao disparo, o mesmo discutiu com o parceiro sobre este entregá-lo às autoridades de sua cidade por uma possível armação feita por Dormer. Dai com muita insônia na veia, o detetive começa um ciclo de alucinações e “piscico-imagens” que o atrapalham nas investigações, e não bastasse isso, o possível assassino não desgruda do seu pé, levando-nos, a um final tenso e provável.

E o filme não é maravilhoso, mas em cenas como o já citado final, as coisas melhoram e te atraem, o argumento não colabora muito, mas o decorrer da trama solta e sem um pré-requisito até que diverte, mas não anima por total. Serve como “obra-complemento” para que conheçamos mais a fundo e por completo o cinema de Nolan, que dispara ai como um diretor promissor, mas fora isso, é apenas um bom filme, com uma boa trama, sem grandes momentos e sem muitas falhas, redondo e básico, o que pra mim não basta, tem que ser sempre um máximo!

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A Última Música (2010)

22 out

Miley Cyrus, a tão famosa e querida pelas adolescentes Hannah Montana, se tornou mais uma daquelas atrizes que tentam provar que possuem algum talento, quando na verdade, deveriam permanecer em seus seriados televisivos e gravação de videoclipes (Béyonce, Jennifer Lopez…). Não que haja problema em tentar papéis diferentes, mas o fato é que, para todos nós, existem limitações, e Cyrus prova isso neste A Última Música, adaptação do romance do escritor água-com-açúcar Nicholas Sparks (autor de Um Amor para Recordar e Diário de uma Paixão, além do recente Querido John), e onde a atriz teen tenta seu primeiro papel sério.

Na história, Miley Cyrus é Ronnie, uma adolescente com alguns problemas que, junto de seu irmão, vai passar o verão com o pai; este, divorciado da mãe dos garotos. Lá, ela precisa redescobrir os seus valores e “aturar” o amor de um pai que se arrepende amargamente de tê-los deixado.

Desta breve sinopse, podemos perceber que o problema central do filme está na própria obra literária de Nicholas Sparks. Novamente utilizando uma trama básica e completamente previsível, foi difícil para a diretora estreante Julie Anne Robinson conseguir escapar das armadilhas maniqueístas do roteiro, que possui inúmeras situações premeditadas, feitas com o único objetivo de emocionar a quem assiste. Tudo o que se passa na tela é mais do que óbvio: a protagonista é uma adolescente irritante, enquanto que o pai tem como único objetivo recuperar o amor de sua filha. Não poderia faltar, é claro, o irmãozinho inocente e metido a adulto e, o essencial, o galã bonitinho e sarado, em cuja primeira cena já surge suadinho e sem camisa, pronto para fazer a protagonista suspirar e, evidentemente, as adolescentes de 13 anos, fãs de Miley Cyrus, que estarão assistindo a esta montanha de clichês.

Falta para Sparks a sutileza para esconder toda essa previsibilidade, afinal, é possível utilizar os clichês ao seu favor. Todos os conflitos possuem conclusões apressadas, e por vezes, inverossímeis. O que dizer, por exemplo, da cena em que o pai vai até a praia onde a filha está protegendo ovos de tartaruga apenas para afastar o interesse amoroso da garota de perto dela? Algumas cenas depois, já vemos o pai feliz da vida pelo fato de sua filha ter beijado o rapaz! Nada menos que constrangedor.

Do mesmo jeito que Sparks é isento de sutileza, a diretora Robinson não apresenta a mínima força de vontade para criar algo interessante no que diz respeito ao andamento da trama. A diretora apenas leva a história adiante, não mostrando nenhuma força de vontade em tornar a história menos cansativa ou arrastada. A diretora não cria nenhum momento genuinamente bom, dando para cada cena o seu toque forçado e irritante.

E como já dito, Miley Cyrus prova que é uma atriz (ainda) cheia de limitações. Ora, para alguém que, até ontem, só participava de um seriado meia-boca da Disney, uma boa atuação não era de se esperar, certo? Dito e feito: Cyrus não apresenta a mínima segurança em cena, devendo principalmente nas cenas mais duras, quando não consegue transmitir nenhuma emoção realmente verdadeira. Pelo menos, a atriz admitiu publicamente que precisa tomar aulas de atuação, o que já é um ótimo pontapé inicial.

Liam Hemsworth, que interpreta o par romântico de Cyrus, não passa de um modelo em cena, que só faz exibir seu rosto bonito e corpo bem definido. Bobby Coleman, que já havia realizado um interessante trabalho em Ensinando a Viver, aqui possui pouco espaço como o irmão da protagonista, soando completamente desperdiçado, e por vezes insuportável. O único ponto forte do elenco é Greg Kinnear, que surge bastante à vontade em cena como o pai da protagonista.

Ao final, A Última Música não passa disso: um trabalho insosso e preguiçoso, feito com o único objetivo de levar o espectador as lagrimas a todo custo e passar a imagem de que Miley Cyrus está se tornando uma atriz séria. Será preciso um exemplo bem melhor…

Cinema Paradiso (1988)

22 out

Singela homenagem ao cinema e a todos os seus atributos, Cinema Paradiso é um filme sem grandes pretensões, mas que consegue tocar o coração de qualquer apaixonado pela Sétima Arte. Com sua simplicidade e doçura, esse filme conseguiu ir longe, no sentido de realizar um dos mais verdadeiros retratos da importância que o cinema tinha no passado e a importância que ele adquiriu depois do lançamento da televisão. Mesmo com o passar dos anos, todas as idéias desse filme ainda permanecem vivas e válidas quanto aos assuntos que a obra aborda.

Através do pequeno Salvatore, ou Totó, conheceremos a vida dos moradores de um pequeno vilarejo italiano na época da 2ª Guerra Mundial. Totó é um menininho esperto e cheio de vida, que ama mais que tudo em sua vida passar as tarde no cinema Paradiso, ao lado do projecionista Alfredo. Aos poucos, Alfredo e Totó desenvolvem uma amizade inestimável, onde Alfredo ensinará ao pequeno garoto como conhecer melhor a essência dos filmes.

Entramos então num delicioso universo de filme e magia, onde vemos como o cinema tinha um poder grande sobre as pessoas daquela época. Sendo a maior diversão da cidadezinha, o Cinema Paradiso vivia lotado, cheio de adultos e crianças brigando por um ingresso para ver algum filme de Cary Grant ou Brigitte Bardot. Seja como for, mesmo entre as confusões causadas pelos excessivamente animados moradores daquele lugar, uma coisa fica bem clara: o poder que o cinema tinha em suas primeiras décadas de vida, e como ele conseguia marcar a vida das pessoas. A infância inteira de Totó foi marcada apenas pelas suas tardes nesse cinema, já que sua família passava dificuldades depois do desaparecimento de seu pai durante a guerra.

O Cinema Paradiso é na verdade uma analogia que descreve a vida de milhares de pessoas que viviam naquela época sofrida tanto para a Europa quanto para a América, em que a guerra não deixava nada além de desgraças de sofrimento. A única forma de se distrair um pouco era através das telonas repletas de filmes emocionantes, dando ao cinema um significado mais precioso para todos os que viveram nesses tempos turbulentos.

O filme também retrata a forma como o cinema foi perdendo vida com o surgimento da televisão, de forma que toda aquela magia encantadora que ele exercera antes naqueles moradores, foi se apagando à medida que a televisão ganhava popularidade. De fato, hoje em dia o cinema é uma diversão opcional em relação à televisão, mas isso fez com que muitos perdessem aquele sentimento bom e verdadeiro que somente essa forma de arte pode proporcionar. Nos dias atuais, são poucos que enxergam o cinema com a mesma intensidade e seriedade daquelas pessoas que viviam no vilarejo italiano e iam todas as noites assistir um filme no cinema Paradiso.

Além do cinema em si, o filme aborda também outros temas profundos, como o crescimento e a amizade. Usando mais uma vez o cinema como pano de fundo, nós acompanhamos o amadurecimento de Totó com o passar dos anos, assim como o crescimento de sua amizade com Alfredo. E a grande responsável pela serenidade e beleza dessas passagens é a trilha sonora inesquecível de Ennio Morricone (nada melhor do que um italiano para criar uma trilha sonora tão envolvente num filme como esse). Simples, porém profunda, essa trilha sonora tem o poder de arrebatar e fechar com chave de ouro cada sequencia emocionante da trama.

As decisões que Totó toma na vida à medida que cresce são bastante drásticas, de forma que muita coisa acontece ao personagem e também aos moradores do vilarejo. Mas uma coisa não muda: as lembranças daquele cinema que sempre fez parte da vida de todos, que foi se deteriorando com a cruel passagem dos anos, mas que continuava intacto na memória de cada um deles. No nosso caso não é diferente, pois a vida é cheia de idas e vindas e não podemos ter certeza de muita coisa, mas serve de consolo saber que sempre haverá uma sessão de cinema em algum lugar da cidade, pronta para nos levar a outro universo e capaz de fazer-nos esquecer todos os problemas que um dia nos afligiram.

Tropa de Elite 2 (2010)

22 out

Filme pessimista, direto, frio e pré-apocalíptico. Simples assim, nada mais pra acrescentar nas definições desta obra-prima que é o segundo Tropa de Elite, um filme longo, porém rápido e que atrai multidões sem esforços maiores, afinal, o primeiro filme ficou encarregado desse trabalho. E arrecadando milhões em canário nacional, esta segunda parte do filme tido como fascista e praticamente todas as vezes sendo controverso à visões elitistas esfrega na cara do público com o que é que todos nós estamos lidando. O filme não é inovador em sua narrativa, tanto é, que homenageia todo o antecessor nesse quesito. O filme não traz denúncias novas, mas expõe todas as velhas de forma aberta e legível para qualquer pessoa. Os tapas e socos do original são substituídos por documentos e politicagem. Capitão Nascimento já não é mais capitão e opera na inteligência do Estado. Matias não foi o substituto que Nascimento sempre sonhou e Fábio continua o mesmo.

O filme narra uma sequência de fatos que denunciam as terríveis e reais obras magníficas de corrupção dentro do Rio de Janeiro (também conhecido como Brasil). E é basicamente isso, corrupção,e dessa vez não só na polícia, mas busca o pessoal maior, os políticos, os chefões de tudo. E o filme, como em Cassino, de Martin Scorcese serve como agente denunciador ou apenas “visor” para que nós fiquemos ciente do que ocorre e sempre ocorreu. O filme é ficcional como os créditos iniciais avisam de cara, porém trás toda verdade consigo. E em momento algum se torna uma sequência desnecessária, até porque, serve de complemento para justificativa do primeiro. Pois na primeira obra os vilões que tem todo o foco são traficantes, playboys e policiais, neste segundo, o enfoque não desgruda dos Governadores, Deputados e família, deixando a dinâmica da narrativa que já era boa no primeiro, magnífica aqui. É um dinamismo que lembra a montagem de Os Infiltrados (outra obra de Scorcese) que com sua alternância simultânea de cenas para acontecimentos deixa a obra toda rápida e gostosa de se ver, o que acontece só que sem o verbo “gostar” e sim “pesar”, pois o peso que a obra ganhou nessa sequência é algo assustador. Num determinado momento, observamos em um PG a câmera se aproximar lentamente de dois homens q terminam de queimar dois corpos, um ajeitando uma carcaça e o outro arrancando dente por dente de um crânio chamuscado. E daí eu volto a narrativa, que segue dinâmica, porém pesadíssima.

O filme, em homenagem ao primeiro, começa com o meio, e na metade do filme agente descobre como esse “meio” aconteceu de verdade. E é um “meio” muito mais magnífico que o do primeiro filme, onde este servia apenas para nos mostrar como Matias e Neto entrariam para o Bope, aqui, serve para nossos nervos explodirem e nos levarem a melhor cena da obra. E é nesta cena que toda nossa fúria é descarregada, todas as nossas angústias e descontentamentos esvoaçam junto com os punhos de Nascimentos. Como disse anteriormente, a obra não tem tapas e socos como o anterior e isso serve para criar um nível de angústia maravilhoso que, quando o escape estoura, qualquer um sabe que toda a raiva terá um canal satisfatório para ir, o mesmo acontece em Taxi Driver (Scorcese novamente), pois o protagonista do filme não ataca nunca, porém, nos últimos momentos da obra nos deliciamos com uma carnificina que nos tranquliza e coloca nossos nervos de volta a caixa da pressão. Aqui, a porrada é nula também, diante de tanta desordem e bagunça, mas por alguns segundos, tudo é descarregado em uma pessoa da alta classe, uma pessoa que não contribui com nada a não ser a contínua falta de avanço do país, uma pessoa que está no poder para ajudar e que apenas “se ajuda”. E é com apenas alguns socos que Tropa de Elite 2 mostra que o cinema brasileiro pode ser feito não só de palavrões e favelas, e sim de denúncias e arte!

Os Excêntricos Tenenbaums (2001)

22 out

Filmes sobre família existem aos montes. Principalmente sobre famílas desajustadas cujos membros tetanm se entender, mas vivem lavando roupa suja. Por isso, um filme que, em sua sinopse, apresenta alguma menção aos termos supra-citados podem ou não ser mera repetição de tema dissociada de talento. Felizmente, no cinema desta década, temos exemplares do primeiro caso. Diretores como Jonathan Dayton e Valerie Falls, que entregaram ao público Pequena Miss Sunshine, e Noah Baumbach, que oferece A Lula e a Baleia aos espectadores, fazem crer que é, sim, possível ultrapassar a barreira do óbvio e do convencional, guardadas as devidas proporções em cada um dos filmes citados.

Os Excêntricos Tenenbaums reforça essa lista de filmes sobre família com conteúdo interesante e abordagem idem, que conquista pela conjugação de vários elementos: elenco, trilha sonora, roteiro e direção, principalmente. A câmera de Wes Anderson (Três é demais) captura a história do clã que dá título ao longa. O enredo nos é apresentado sob a forma de um livro, com direito a um prólogo que situa muito bem o espectador na trama.

Os Tenembaums não são uma família comum, como fica evidente nessa introdução. Royal (Gene Hackman), o patriarca e Etheline (Anjelica Houston, num papel perfeito) se casaram e tiveram três filhos: Chas, Margot e Richie. Cada um deles se destacou desde muito pequeno em alguma área. Enquanto Chas e Richie apresentavam um tino incomum para os negócios e o esporte, respectivamente, Margot sempre demonstrou uma extraordinária capacidade para a dramaturgia, escrevendo peças excelentes já nos tempos do colégio. Royal, porém, deixou-os ainda pequenos, cabendo a Etheline todos os cuidados com o trio improvável.

Vinte e dois anos transcorrem e, adultos, os irmãos são vividos por Ben Stiller, Luke Wilson e Gwyneth Paltrow, nessa ordem. Os três mantêm um comportamento e uma maneira de ser estranhas, mas já não conseguiram se firmar fazendo aquilo que sabiam quando crianças. E é nessa condução estranha aos olhos mais habituados a banalidades que reside o charme e o interesse do filme de Anderson. O diretor faz um cinema de comédia, mas nunca voltado para arrancar risadas gratuitas. Como já definiu muito bem um crítico certa vez, ele é um observador contumaz da realidade, e leva para os seus filmes esse olhar tão particular sobre o homem e suas pequenas loucuras. Certamente há alguma partícula de identificação para cada um de nós, ainda que o viés usado seja o do absurdo.

Anderson coleciona sutis digressões sobre a família através dessa história. Voltando a ela, aliás, é depois dessas duas décadas que Royal decide voltar para a mulher e os filhos, forjando, para tal, uma doença terminal. Exatamente quando Etheline está prestes a se casar com um velho conhecido, vivido por Danny Glover. O retorno ao lar não será nada simples, e faz emergir feridas que ainda não cicatrizaram. Aqui, porém, não há espaço para melodrama – sem qualquer tom pejorativo – mas sim para uma sarcástica visão das relações familiares, rendendo momentos memoráveis.

É importante ressaltar que todos os atores rendem mais que a média, e constroem personagens que envolvem e despertam risos sinceros por uma identificação atravessada pela bagagem pessoal de cada espectador. A atmosfera é algo bizarra, e não deixa impassível a quem a assiste. Significa dizer que é um filme para amar ou detestar, pois Anderson não fica no meio termo. Mas é assim mesmo que vale: posicionar-se contra ou a favor de um filme, com uma opinião formada.

O conselho a ser dado é se deixar envolver por essa fábula de esquisitices, ancorada num jeito de encarar a vida com um humor refinado, mostransdo que é possível rir de si mesmo e das aberrações de cada dia. Os Excêntricos Tenenbaums também é a prova de que se pode sempre dizer a mesma coisa, mas cada vez de um jeito novo.

Adam (2009)

22 out

Nestes últimos anos, o cinema independente vem ganhando cada vez mais espaço e atenção entre premiações, festivais, etc. Pequena Miss Sunshine e Juno são grandes exemplos de como estes filmes de baixo orçamento vem conquistando a afeição de muitos críticos pelo mundo. Adam, filme do estreante Max Mayer, recebeu o prêmio Alfred P. Alohan no festival de Sundance, solidificando assim, a notoriedade que as produções mais “tímidas”, se assim pode-se dizer, vem adquirindo ultimamente.

Adam é um filme que fala de amor. Indo mais a fundo, vemos que ele também fala sobre a aceitação (neste caso, uma pessoa com a síndrome de Arpenger) e de superação (as limitações que a doença impõe sobre a vida da pessoa). De primeira vista, não é uma abordagem realmente interessante, já que filmes como Uma Lição de Amor, Uma Mente Brilhante e Forrest Gump, só para citar exemplos, já haviam utilizado o mesmo ponto de partida: mostrar uma pessoa com problemas e como ela convive no meio da sociedade. Se o roteiro (também assinado por Meyer) peca neste ponto, merece aplausos, ou até mesmo reverência, por conseguir um resultado tão agradável e surpreendente diante de um material precocemente limitado.

Claro, o filme não apresenta grandes sinais de inovação em sua narrativa, que por sinal, é bem convencional. Mayer se limita apenas em contar a história, nada mais, nada menos. Neste sentido, o filme ganha pontos por sua simplicidade e pelo modo como consegue evitar os clichês. Construindo belos diálogos e situações delicadas, Mayer nos presenteia com um leque de cenas emocionantes, que equilibram muito bem o tom dramático com o clima cômico. Sim, o drama e a comédia andam lado a lado, sem se sobreporem um ao outro, mas complementando o ritmo leve e encantador. Não há como não rir e, ao mesmo tempo se emocionar, quando vemos Adam vestido de astronauta, pendurado no lado de fora da janela de sua vizinha apenas para limpar a poeira da vidraça.

Se Mayer, como estreante, surpreende na cadeira de diretor, muito mais pode ser dito sobre a presença de Hugh Dancy (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom). Sendo um dos jovens atores mais promissores da atualidade (o ator iniciou sua carreira no cinema em 2001 com o filme Falcão Negro em Perigo, mas somente agora está se tornando mais conhecido), era de se esperar, pelo menos para mim, que Dancy fizesse um bom trabalho. E devo dizer, fiquei totalmente surpreendido com a brilhante interpretação de Dancy na pele do protagonista. Equilibrando perfeitamente o jeito desajeitado e tímido de seu personagem, o ator entrega uma atuação digna de uma indicação ao Oscar. Não há como negar, o ator caiu como uma luva! Quanto a Rose Byrne (Presságio), que interpreta a vizinha de Adam, Beth Buchwald, ela até faz um bom trabalho, mas fica devendo quando se põe ao lado de Dancy. Felizmente, a química entre os dois funciona muito bem, tornando a relação daqueles dois estranhos bem mais natural e realista.

Delicioso, inteligente e, acima de tudo, inspirador, Adam se configura como um dos melhores drama/comédia da década passada, perdendo somente para o irresistível (500) Dias com Ela. É uma experiência divertida, agradável e emocionante. E também improvável!

Trailer de “Biutiful”

18 out

Trailer do novo filme de Alejandro González Iñárritu:

Homem de Ferro 2 (2010)

17 out

Mais fraco que o primeiro, segundo filme da franquia do Homem de Ferro peca em excessos e não consegue divertir tanto como seu antecessor. E o maior problema deste segundo filme é justamente esse: Não diverte como o primeiro. O legal do primeiro filme foi surpreender a todos que achavam que seria só mais um filme de super-herói vazio e que só teria efeitos especiais, porém após o termino do mesmo, todos se embasbacam com o poder que o filme tem, de ser tão simples, porém divertidíssimo e nada pretensioso. A não pretensão se encaixou perfeitamente ao filme original, causando simpatia em qualquer pessoa e deixando todos atentos a cada milímetro de cena. Tony Stark automaticamente foi eleito no imaginário coletivo de todos como sendo o personagem de HQs mais bem interpretado de todos os tempos! E tudo isso se deve ao talento de Robert Downey Jr. que de certa forma trapaceou, ao interpretar a si mesmo, o que tornou o personagem engraçado e natural, sem nenhuma forçada de barra. O resto do elenco até ficou pequeno diante de tanta devoção que Dawney Jr. concedeu ao personagem. O filme ainda era repleto de cenas de ação divertidas e dinâmicas e momentos cheios de gags maravilhosas e que ajudam a trama a correr sempre bem e de forma solta, o roteiro é um dos maiores culpados pelo sucesso, até porque é redondo. E depois de tudo isso, de fazer praticamente uma obra prima dos filmes de super-heróis, Jon Favreau tinha um peso enorme em suas mãos, o de fazer uma sequencia digna. E pra infelicidade de alguns fãs (como eu) o filme não foi tão bom e nem teve tanta força como o primeiro,o que faz deste segundo apenas mais um filme de super heróis só que com algumas gotas a mais de diversão (que nem chegam aos pés do anterior).

Esta segunda parte da franquia Homem De Ferro narra basicamente conflitos, seja entre super heróis e vilões, bêbados e mulheres, empregados e acionistas, enfim, narra conflitos, ou seja, impossibilita a alternativa de se contar uma história. E a trama narrativista sugerida aqui por Favreau começa quando o Homem de Ferro decide apagar todo o passado sujo de sua família (eram vendedores de armas) e manter a paz mundial. Ele se encontra como pessoa pública e, portanto, mais vulnerável. E começam os conflitos com o estado, pessoas vingativas e vendedores de armas. Basicamente isso que guia a timeline do filme, pessoas contra Stark, Stark contra Stark,etc.

Sem muitas surpresas, o filme segue em cima disso. Stark luta contra um vilão mau trabalhado (como personagem), porém divertido se visto de uma ótica “machona”, pois ver Mickey Rourke porradeiro maluco e com sotaque russo é coisa linda de Deus,o que não deixa o personagem mais interessante, porém, a atuação. Do outro lado do ringue temos outro vilão, já esse muito bem trabalhado, no entanto, mal interpretado. A impressão que fica é que Sam Rockwell não está a vontade no papel e que apenas decorou as falas e tentou ser cínico, o que capengou mais para o lado caricato que bem feito. Um vilão bom e regular é o Senador Stern, que é magistralmente interpretado por Garry Shandling, cínico, político, etc. Bem trabalhado e interpretado, embora seja o que menos apareça. Dos mocinhos, o destaque maior vai para Dawney Jr. que ainda mantém o nível de antes, porém com algumas “faltas”. Falta de tempo em tela, Falta de coerência do personagem, Falta de simplicidade… E todos são culpa de terceiros e não do ator, que apenas cumpri com a demanda. Os demais estão apenas bem e tudo mais, fora Samuel L. Jackson que interpreta um Nick Fury tão bom quanto qualquer papel seu. Saindo dessas questões de interpretações e passando para a parte técnica, que é quase toda impecável, tenho que admitir que os efeitos continuam tão bons quanto o primeiro, na verdade aqui estão melhores, o problema técnico se define em roteiro e direção. Nada continua com o ritmo do primeiro, tudo aqui muda, é mais rápido, as tramas são diversas de mais, o tempo em tela dos atores se resume a quase nada e a condução dos mesmos é bem inferior que no primeiro exemplar.

Resumindo, Homem de Ferro 2 não passa de uma sequência que acrescenta algumas coisas importantes para a mitologia do herói (vide problema com álcool) mas que peca por não se manter como o primeiro e querer ser pretensioso só o torna mais falho, porém é um filme bom e divertidinho que não chega a ser ruim.

Trailer de “All Good Things”

15 out

Sai a lista de concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

13 out

Saiu hoje a lista das 65 produções que disputarão o gosto do júri da Academia de Artes e Ciências de Hollywood rumo à indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira do ano que vem. Países como Etiópia e Groenlândia, que nunca enviaram concorrentes antes, participam pela primeira vez da seleção. Confira abaixo a lista completa (via UOL):

Albânia
“East, West, East”, de Gjergj Xhuvani

Algéria
“Hors la Loi” (“Outside the Law”), de Rachid Bouchareb

Argentina
“Carancho”, de Pablo Trapero

Áustria
“La Pivellina”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel

Azerbaijão
“The Precinct”, de Ilgar Safat

Bangladesh
“Third Person Singular Number”, de Mostofa Sarwar Farooki

Bélgica
“Illegal”, de Olivier Masset-Depasse

Bósnia-Herzegovina
“Circus Columbia”, de Danis Tanovic

Brasil
“Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto

Bulgária
“Eastern Plays”, de Kamen Kalev

Canadá
“Incendies”, de Denis Villeneuve

Chile
“The Life of Fish”, de Matias Bize

China
“Aftershock”, de Feng Xiaogang

Colômbia
“Crab Trap”, de Oscar Ruiz Navia

Costa Rica
“Of Love and Other Demons”, de Hilda Hidalgo

Croácia
“The Blacks”, de Goran Devic e Zvonimir Juric

República Tcheca
“Kawasaki’s Rose”, de Jan Hrebejk

Dinamarca
“In a Better World”, de Susanne Bier

Egito
“Messages from the Sea”, de Daoud Abdel Sayed

Estônia
“The Temptation of St. Tony”, de Veiko Ounpuu

Etiópia
“The Athlete”, de Davey Frankel e Rasselas Lakew

Finlândia
“Steam of Life”, de Joonas Berghall e Mika Hotakainen

França
“Of Gods and Men”, de Xavier Beauvois

Georgia
“Street Days”, de Levan Koguashvili

Alemanha
“When We Leave”, de Feo Aladag

Grécia
“Dogtooth”, de Yorgos Lanthimos

Groenlândia
“Nuummioq”, de Otto Rosing e Torben Bech

Hong Kong
“Echoes of the Rainbow”, de Alex Law

Hungria
“Bibliotheque Pascal”, de Szabolcs Hajdu

Islândia
“Mamma Gogo”, de Fridrik Thor Fridriksson

Índia
“Peepli [Live]”, de Anusha Rizvi

Indonésia
“How Funny (Our Country Is)”, de Deddy Mizwar

Irã
“Farewell Baghdad”, de Mehdi Naderi

Iraque
“Son of Babylon”, de Mohamed Al-Daradji

Israel
“The Human Resources Manager”, de Eran Riklis

Itália
“La Prima Cosa Bella” (“The First Beautiful Thing”), de Paolo Virzi

Japão
“Confessions”, de Tetsuya Nakashima

Cazaquistão
“Strayed”, de Akan Satayev

Coréia
“A Barefoot Dream”, de Tae-kyun Kim

Quirguistão
“The Light Thief”, de Aktan Arym Kubat

Letônia
“Hong Kong Confidential”, de Maris Martinsons

Macedônia
“Mothers”, de Milcho Manchevski

México
“Biutiful”, de Alejandro Gonzalez Inarritu

Holanda
“Tirza”, de Rudolf van den Berg

Nicarágua
“La Yuma”, de Florence Jaugey

Noruega
“The Angel”, de Margreth Olin

Perú
“Undertow” (“Contracorriente”), de Javier Fuentes-Leon

Filipinas
“Noy”, de Dondon S. Santos e Rodel Nacianceno

Polônia
“All That I Love”, de Jacek Borcuch

Portugal
“To Die Like a Man”, de Joao Pedro Rodrigues

Porto Rico
“Miente” (“Lie”), de Rafael Mercado

Romênia
“If I Want to Whistle, I Whistle”, de Florin Serban

Rússia
“The Edge”, de Alexey Uchitel

Sérvia
“Besa”, de Srdjan Karanovic

Eslováquia
“Hranica” (“The Border”), de Jaroslav Vojtek

Eslovênia
“9:06”, de Igor Sterk

África do Sul
“Life, above All”, de Oliver Schmitz

Espanha
“Tambien la Lluvia” (“Even the Rain”), de Iciar Bollain

Suécia
“Simple Simon”, de Andreas Ohman

Suíça
“La Petite Chambre”, de Stephanie Chuat e Veronique Reymond

Taiwan
“Monga”, de Chen-zer Niu

Tailândia
“Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, de Apichatpong Weerasethakul

Turquia
“Bal” (“Honey”), de Semih Kaplanoglu

Uruguai
“La Vida Util”, de Federico Veiroj

Venezuela
“Hermano”, de Marcel Rasquin

 

Os indicados ao Oscar saem em 25 de Janeiro de 2011.